08:57 de uma manhã mais amena... Finalmente o calor deu uma pequena trégua... Depois de todo um final de semana com chuva. Particularmente não gosto de calor. O calor é muito agressivo, evasivo, pegajoso, enfim, algo muito desconfortável. A não ser, é claro, para quem pode passar o dia inteiro na água, o que não é meu caso.
Ontem assisti um filme francês, muito comentado por aí. Pensei mesmo ser um filme cult. Estou falando de Irreversível (direção de Noe). Segundo ouvi dizer, nele está uma das cenas de estupro mais realistas do cinema. Não assisti muitas cenas de estupro em filmes, então não posso afirmar. Talvez para uma mulher, assistir os doze minutos da cena, seja um pouco desgastante, pois naturalmente deve ocorrer um identificação com a vítima. Detalhe, a vítima estava grávida. Contudo, achei muito mais interessante a montagem do filme, sem cortes, do que a tão falada cena do estupro, cena a qual não me impressionou tanto assim. O filme é montado em sentido contrário, as cenas estão em ordem inversa, a primeira conta o fim da história e vice-versa. O que mais chamou atenção foram as tomadas, o modo como elas começam caóticas, dando um sentido de urgência e insanidade, bastante coerente à atmosfera densa e à mentalidade destroçada dos personagens. Com o passar do tempo, ou voltar do tempo no caso, as tomadas vão ficando mais precisas e diretas, até chegar em uma sensação de felicidade e calma, o que torna tudo ainda mais trágico no fim-começo. É mais um experiência sensorial propriamente dita, um filme para ser muito mais percebido que assistido ou entendido. No começo, havia momentos onde surgia uma estranho desconforto, causado justamente pela sensação de loucura e caos das tomadas. O filme descreve um curva descendente semelhante a do uso drogas: primeiro, no ápice, é tudo intenso e frenético; com o passar do tempo, o frenesi vai enfraquecendo, diminuindo, até restar a exaustão e a letargia, uma calma dolorida. Um filme interessante, um experiência diferente.
Por falar em experiências diferentes. Agora a noite assisti a outro filme, japonês, bastante interessante: Tabu (direção de Nagisa Oshima). O filme é ambientado no final do Século XIX, período de decadência da tradição samurai no Japão, com a abertura do país ao Ocidente (fato bastante questionável). Na história, há um jovem samurai chamado Sozaburo Kano, dotado de uma estranha e andrógena beleza. Realmente havia algo de belo no personagem, algo feminino, sem contudo ser vulgar ou caricato. No decorrer do filme, ele se envolve com vários outros membros da milícia da qual faz parte. A situação começa a gerar intrigas internas, mortes e suspeitas. Mas tudo isso sem aquele tipo preconceito ocidental moderno e hipócrita. O final é um tanto o quanto controverso, para dizer o mínimo. Mas é um bom filme, sutil e com a dose certa de sensibilidade, aliada a violência nos momentos certos. O filme é bom para percebemos o quanto de nós mesmo é decido pela cultura onde estamos inseridos, como muitas vezes não pensamos, apenas seguimos dogmas e preceitos instituídos, apenas seguimos “senso comum”. O filme pode desagradar os mais tradicionalista, pessoas como medo de rever suas idéias, pessoas com medo de arranhar seu status quo na sociedade. Mas quanto a mim, bem, estou cagando pra sociedade mesmo... E gosto de pensar por mim mesmo, obrigado.
Meu gosto para filmes é bastante questionável, alguns podem pensar. Isso porque como livros, prefiro filmes que forcem alguma mudança dentro de mim, filmes que me façam pensar, que me façam sentir. Eu sou uma pessoa um tanto Yin, como já disse em outra postagem, por isso gosto de buscar sensações diferentes e alheias a mim. Mas hoje não estou afim de falar sobre mim, por incrível que possa parecer, então encerrarei por aqui.
“O que é irreversível pra você”?
Ontem assisti um filme francês, muito comentado por aí. Pensei mesmo ser um filme cult. Estou falando de Irreversível (direção de Noe). Segundo ouvi dizer, nele está uma das cenas de estupro mais realistas do cinema. Não assisti muitas cenas de estupro em filmes, então não posso afirmar. Talvez para uma mulher, assistir os doze minutos da cena, seja um pouco desgastante, pois naturalmente deve ocorrer um identificação com a vítima. Detalhe, a vítima estava grávida. Contudo, achei muito mais interessante a montagem do filme, sem cortes, do que a tão falada cena do estupro, cena a qual não me impressionou tanto assim. O filme é montado em sentido contrário, as cenas estão em ordem inversa, a primeira conta o fim da história e vice-versa. O que mais chamou atenção foram as tomadas, o modo como elas começam caóticas, dando um sentido de urgência e insanidade, bastante coerente à atmosfera densa e à mentalidade destroçada dos personagens. Com o passar do tempo, ou voltar do tempo no caso, as tomadas vão ficando mais precisas e diretas, até chegar em uma sensação de felicidade e calma, o que torna tudo ainda mais trágico no fim-começo. É mais um experiência sensorial propriamente dita, um filme para ser muito mais percebido que assistido ou entendido. No começo, havia momentos onde surgia uma estranho desconforto, causado justamente pela sensação de loucura e caos das tomadas. O filme descreve um curva descendente semelhante a do uso drogas: primeiro, no ápice, é tudo intenso e frenético; com o passar do tempo, o frenesi vai enfraquecendo, diminuindo, até restar a exaustão e a letargia, uma calma dolorida. Um filme interessante, um experiência diferente.
Por falar em experiências diferentes. Agora a noite assisti a outro filme, japonês, bastante interessante: Tabu (direção de Nagisa Oshima). O filme é ambientado no final do Século XIX, período de decadência da tradição samurai no Japão, com a abertura do país ao Ocidente (fato bastante questionável). Na história, há um jovem samurai chamado Sozaburo Kano, dotado de uma estranha e andrógena beleza. Realmente havia algo de belo no personagem, algo feminino, sem contudo ser vulgar ou caricato. No decorrer do filme, ele se envolve com vários outros membros da milícia da qual faz parte. A situação começa a gerar intrigas internas, mortes e suspeitas. Mas tudo isso sem aquele tipo preconceito ocidental moderno e hipócrita. O final é um tanto o quanto controverso, para dizer o mínimo. Mas é um bom filme, sutil e com a dose certa de sensibilidade, aliada a violência nos momentos certos. O filme é bom para percebemos o quanto de nós mesmo é decido pela cultura onde estamos inseridos, como muitas vezes não pensamos, apenas seguimos dogmas e preceitos instituídos, apenas seguimos “senso comum”. O filme pode desagradar os mais tradicionalista, pessoas como medo de rever suas idéias, pessoas com medo de arranhar seu status quo na sociedade. Mas quanto a mim, bem, estou cagando pra sociedade mesmo... E gosto de pensar por mim mesmo, obrigado.
Meu gosto para filmes é bastante questionável, alguns podem pensar. Isso porque como livros, prefiro filmes que forcem alguma mudança dentro de mim, filmes que me façam pensar, que me façam sentir. Eu sou uma pessoa um tanto Yin, como já disse em outra postagem, por isso gosto de buscar sensações diferentes e alheias a mim. Mas hoje não estou afim de falar sobre mim, por incrível que possa parecer, então encerrarei por aqui.
“O que é irreversível pra você”?
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