sábado, janeiro 28, 2006

A Vida, a Beleza e todo o resto...

16:09 de um tarde, quente como só o Inferno deve ser, pra variar... Ameaçou chover, mais ficou apenas no campo das ameaças mesmo...

Há tantos pensamentos e sensações, mas tão pouca inspiração para forjá-los na forma de palavras. Vou escolher logo um assunto complexo então... Vou falar sobre a perfeição. Antes de qualquer coisa, o que é a perfeição afinal? Não espere uma definição sobre a perfeição, pois isso não ocorrerá, pelo menos não aqui. Em lugar disso, apenas expressarei meu ponto de vista sobre o “conceito”, pois a em relação a nós ("Se sentir um grandessíssimo idiota, saber que é humano, ridículo, limitado, que só usa dez por cento de sua cabeça animal"), a perfeição não passa de algo totalmente conceitual.

Quando achamos algo perfeito, mesmo quando não temos consciência que achamos, estamos tendo um vislumbre da Perfeição em si, pois não temos capacidade de percebê-la de fato, e muito menos compreendê-la. A perfeição como está acessível a nós, é apenas uma sensação fugaz, efêmera, posso dizer. E muitas vezes, essa sensação aparece sob as formas de uma outra coisa. A perfeição aparece na forma de beleza. Ou seja, a beleza é um vislumbre da perfeição, mas apenas a beleza intrínseca a vida, não a beleza mundana. Não estou falando de desejo, libido ou cobiça, estou falando do prazer simples e da dor intensa causados pela beleza, pois a beleza quando é pura, ela chega a doer, a incomodar.

A beleza é um infinitesimal instante de perfeição, como um olhar ávido e inconsciente por sob o concreto a véu cobrir a Vida. Nos belíssimos versos de William Blake:
"Ver o mundo em um grão de areia,
O firmamento em uma flor selvagem,
Segurar o infinito na palma de sua mão
E a eternidade em uma hora".
A beleza é toda a Vida, a Eternidade, o Infinito, a Beleza, tudo isso, pulsando em uma fração de tempo, muitas vezes menor que um segundo. Nesse momento, quando olhamos a vida, a vida olha de volta para nós. Não podemos perceber isso, muito menos compreender. Resta-nos apenas o rastro êxtase deixado pela impacto intenso e instantâneo da beleza. Mas tudo isso é apenas uma sensação infinitamente menor que a realidade em si das coisas da Vida.

Como disse a princípio, é apenas um vislumbre. É como um estalo em nossa mente, como se ela se expandisse para além de seus próprios limites, se ter realmente se expandido. Nada além de um devir, de um vir a ser. Mas apenas isso é o suficiente para nos arrebatar e nos assombrar total e completamente.

Uma coisa importante: por ser uma projeção reduzida de algo maior, algo um número sem-fim de vezes maior, a beleza acaba se tornando uma experiência pessoal. Mesmo porque, a beleza está em toda a parte esperando para ser cotejada, a diferença reside nos olhos, nos olhos a cortejá-la.

Existe uma citação muito apropriada ao assunto. A frase a seguir é do filme Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal, dita pelo personagem de Kevin Spacey, Jim Williams: "A verdade é como a beleza, está nos olhos de quem a vê".

Os olhos são os espelhos da alma. E toda a beleza nasce da alma.

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