sábado, fevereiro 04, 2006

Árvores e Sementes...

18:44 e a tarde virou noite, mas nem por isso deixou para trás o marasmo... Décima postagem... Esperava algo melhor, mas a Epifania nem sempre é generosa... Então, nos contentemos com migalhas...

...“É você olhar no espelho
Se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado
Que só usa dez por cento de sua cabeça animal

E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
Que está contribuindo com sua parte
Para o belo quadro social”...

Às vezes, somente algumas vezes, queria poder fechar os olhos e por alguns momentos deixar de ser o que sou, pois não existe ainda um “quem sou” para deixar de existir. Queria poder abdicar da sensibilidade em favor da futilidade, frivolidade, superficialidade, enfim, me tornar uma pessoa supérflua, rasa e sem conteúdo como uma folha de papel em branco. Talvez assim conseguisse parar de olhar tanto para dentro, não olhasse tanto para o vazio. Vazio...

O vazio é um verme voraz e selvagem, ele segue envenenando nossas entranhas, corroendo nos órgãos, desgastando nossos corações e devorando nossas almas. Sempre a espreita, como predador que é, esperando baixarmos a guarda para cravar suas presas profundas e profanas em nossa carne, para destroçar e despedaçar qualquer paz e alegrias momentâneas. Sim, pode soar exagero, mas pode muito bem ser eufemismo...

Fechar os olhos e esquecer o que sou, mesmo que por instantes. Como em um pacote de Nirvana para a viagem, uma pequena porção de perda do sentido de “eu”. Talvez assim achasse as pessoas mais suportáveis, mais toleráveis, mais aceitáveis. Pois não sendo “eu”, não seria amargo e arredio, não esperaria demais da pessoas, não seria tão seletivo, não seria tão egoísta. Estaria mais disposto a dar oportunidades as pessoas de elas se revelarem, para além da invólucro de superficialidade. Pensaria menos, sentiria menos, sofreia menos...

Mas pode um escorpião deixar de picar? Não posso fugir a minha natureza, pois quis o mistério chamado genética que fosse assim. Pois digam o que disserem, a maior parte de nós surgem quando o óvulo recebe o espermatozóide, apenas uma pequena parte vai sendo criada depois. Como uma planta, a semente já define como será a árvore. A árvore pode ser podada, pode ser cortada, pode sofrer com as intempéries do clima, enfim, sofrer toda a sorte de ação externa a ela, mas a verdade da semente sempre vai permanecer a tudo mais, pois o que é intrínseco permanece sobre o que é superfície. Posso até tentar me podar enquanto árvore, mas o essencial, seja qualquer for eu enquanto semente, permanece inalterado.

Então, ainda há esperanças...

Apenas a semente sabe como será a árvore...

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