quinta-feira, março 30, 2006

Anacrônico Parte IV - Noturno

O Sol deita-se como criança
Morrendo tardio no poente
Restando do dia somente
Uma vermelha lembrança.

Cura a noite suavemente
Toda diária destemperança
E traz a solitária esperança
Nascida no sono inocente.

E o vento sopra seu acorde
Agudo, em notas sibilantes
Os sussurros de uma ode

Elevada por coros distantes
De anjos, na celeste orbe
Com suas vozes cintilantes.


Matheus Filipe

quarta-feira, março 29, 2006

Amor, amor, três vezes amor...

19:06 de quarta-feira, embora ainda pareça ser segunda-feira...

Ontem assisti pela segunda vez “Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças”, de Michel Gondry com roteiro de Charlie Kaufman. O filme simplesmente dispensa comentários. É bastante improvável haver uma história de amor menos clichê que Brilho Eterno. É tão verdadeiro que chega a doer. Porque só o amor real e verdadeiro pode ser verdadeiramente e realmente cruel algumas vezes.

(Nota: tudo a seguir baseia-se apenas em impressões... Qualquer semelhança com a realidade pode não ser mera coincidência...)

O amor é uma emoção humana, uma das mais humanas entre as emoções. Então se pressupõe a existência de um ser humano para se emocionar. E o amor pode exigir demais desse ser, pois o amor é um instinto básico da natureza, algo que precede e supera a casualidade do encontro mulher/homem ou variações do mesmo. Então, muitas vezes o amor pode expor nossas fraquezas, nossas falhas de caráter, nossos medos e receios, nossas frustrações, enfim, tudo o que deveria permanecer no subsolo da mente.

A amor é algo de sublime e belo, mas as pessoas podem muito bem ser egoístas e feias. Portanto, um amante pode acabar sendo extremante egoísta, a ponto de se tornar destrutivo, a ponto de preferir acabar com tudo por questões mesquinhas e pequenas. Ciúmes é um exemplo disso, parafraseando Tyler Durden, “a ferida que sararia se parece de mexer nela”. Ciúmes é uma tortura para o alvo, mas também é automutilação para ser ciumento. Ele se machuca para machucar o outro, ele fere o outro por ser incapaz de lidar com sua própria ferida. Por que? Porque o amor às vezes cobra um alto quinhão. E é preciso ser muito forte e ao mesmo tempo flexível para resistir a enxurrada de sentimentos trazidos a tona pelo amor. É humano fraquejar às vezes.

Mas nem por isso é preciso ter medo do amor, como uma amiga acabou me mostrando dia desses. Mas é preciso estar pronto a pagar o preço e lutar para superar os desafios. Mesmo porque, o amor não permite subterfúgios. O amor sempre encontra um meio, se não encontra, ele cria seus próprios meios.

Bem, acho que é isso. Por hora, é só.

terça-feira, março 28, 2006

Comédia e Tragédia no Cyber-Espaço

19:18 de terça-feira, embora ainda pareça segunda-feira...

O título da postagem remete a um conto que li há muito tempo atrás em uma página sobre RPG, o título original é “Amor e Tragédia no Cyber-Espaço”. A minha adaptação é uma alusão aos estilos teatrais da antiga Grécia. No fim, uma coisa tem pouco a ver com a outra, mas enfim, o título soou bem e algumas vezes a estética acaba prevalecendo. Chega de enrolar.

Tenho notado uma tendência crescente entre os marginais da internet, marginais no sentido de realmente estarem à margem, de reclamar sobre a situação atual deste nosso ambiente virtual. Situação é uma aparente e crescente futilidade dentre os internautas. Bem, é apenas a constatação do óbvio. Não é uma situação isolado e restrita ao meio digital. É uma tendência natural da sociedade. Tudo se resume aos valores pregados atualmente.

Por que o interesse quase voyeur em fotos, quando conhecemos alguém interessantes, muitas vezes nem tão interessante, na internet? Ora, vivemos em uma sociedade onde a estética é um forte imperativo, onde é marcante e acentuado o culto à beleza. Não nego, muitas vezes sou um escravo da estética, sendo ela uma importante fator, até mesmo fator decisório em algumas de minhas escolhas. Há qualquer coisa de helênico em mim, no meu sentir. Beleza é sim importante para mim. Mas, como mencionei anteriormente, “a beleza é como a verdade: está nos olhos de quem a vê”. Mas hoje a questão não é essa.

A internet é um reflexo da sociedade que a forma, algumas vezes um pouco distorcido. Então, a chance de encontrar uma pessoa supérflua no ambiente virtual é praticamente idêntica a chance de encontrá-la na rua, em um bar. Assim como as chances de encontrar alguém interessante, como quem se possa manter no mínimo inteligível. A diferença, em ambos os casos, é o enfraquecimento de certas barreias sociais, ajudando um pouco os tímidos e os poucos dotados de traquejo e habilidades sociais. Mas no fim, a diferença entre os ditos dois mundos é ínfima. A internet é apenas mais uma via de comunicação.

Seja no mundo real, seja no mundo real, devemos saber escolher nossas companhias e nossos ambientes. E um pouco menos de hipocrisia não faria mal algum.

Não, López, não importa estar ou não na contra-mão, pois a vida não segue as humanas leis de trânsito.

segunda-feira, março 27, 2006

Anacrônico Parte III - Ensaio: Deus e os detalhes

O Demônio está nos detalhes”.
Discordo dessa citação. Meu pensamento é na verdade a justa oposição. Diferentemente do Diabo, para mim é Deus quem reside nos detalhes. Contudo, entendo perfeitamente essa citação, pois é apenas uma outra perspectiva.
É fácil, terrivelmente fácil, perder o controle de nossas vidas. E esse descontrole é conseqüência dos detalhes, são as decisões tomadas, as escolhas feitas são suas as causadoras. Mas não temos ciência disso, pois não somos capazes de alcançar uma visão total dos acontecimentos. Somos nós os responsáveis pelo nosso destino, apesar de totalmente cegos em relação a essa responsabilidade.
O destino, pode-se dizer, é uma espécie de fórmula matemática. Uma equação, onde são as escolhas e as decisões são as variáveis, e da relação entre elas chega-se a um resultado final, uma relação simples de causas e conseqüências. Devo dizer, contudo, ser quase leviano da minha parte fazer uma simplificação rude como essa, porém, de outra forma seria impossível me expressar.
Na vida, quero dizer, fora de um ambiente controlado, existe um número sem-fim de variáveis agindo e interagindo simultaneamente a todo instante, dentro do intrincado sistema formado por toda a existência, uma sistema orgânico, dinâmico, mutável e extremamente complexo aos humanos sentidos.
E como tal, por ser um sistema, quando há interferências em uma das incontáveis partes, esta interferência se propaga pelo sistema, acabando por interferir, em maior ou menos grau, no todo. Novamente, essa é uma aproximação grosseira, do conceito conhecido como Teoria do Caos.
Minhas crenças pessoais me levam a acreditar em uma ordem implícita por trás de todo o aparente caos da realidade, em uma lógica imperceptível regendo eventos visto como mero acaso. Acredito mesmo não podendo ver, perceber e muito menos compreender esta sutil conexão entre todas as coisas.
Posso apenas sentir, ou mesmo pressentir, essa ordem imperceptível. Algumas pessoas chamam essa minha sensação, essa minha visão de “Deus”. Nada errado quanto a isso, são apenas perspectivas diversas sobre um mesmo ponto. Afinal, o ser humano é intrinsecamente um ser de fé.
Em oposição à citação inicial, deixo aqui uma outra citação: “a matemática é a linguagem usada por Deus para escrever o Universo”.

domingo, março 26, 2006

Quando somos humanos...

17:31 de um domingo estranho, no fim de uma final de semana estranho...

Por onde começar...

Bem, a mais ou menos uma semana, minha avó materna foi vítima de um enfarte. Nada muito grave. Alguns dias no CTI, um pequeno quadro de pneumonia, mas deve ser liberada amanhã. A história poderia bem terminar aqui... Mas na vida real, as histórias nem sempre têm um “final feliz”...

Quando estava me dirigindo para o hospital, acompanhando de alguns parentes, para visitar minha avó, estava com uma sensação estranha, um certo receio. Vejam, até os idos de 2004, trabalhava na área de saúde, freqüentemente visitava o hospital, por motivos burocráticos, nunca fez diferença para mim. Mas dessa vez, algo estava muito errado. E sabia não se tratar de minha avó. Minha avó estava em um quarto particular, com dois leitos. Bem, havia uma senhora no outro leito. Uma senhora em estado terminal. Câncer. Vou ser sincero, a morte nunca foi um problema para mim e continua não sendo. Não, não é a “proximidade da morte” que mexeu comigo. Foi outra coisa. Foi o sofrimento.

A senhora estava ali, na cama, como um nervo exposto aflorando na superfície da realidade. Foi algo tão desumano, o sofrimento ali simplesmente brotando através daquele ser. Nada nos torna tão humano quanto o sofrimento. Toda nossa fragilidade vem à tona, em uma realidade dura e fria. No quarto, havia gente rindo e brincando, como se aquele ser humano nem estivesse ali, sofreste uma dor desumana. Tive de sair do quarto, sentar em um canto e chorar. Sem saber ao certo porque. Chorei pelo sofrimento de uma pessoa sobre a qual não saiba qualquer coisa. Não importa a vida pregressa dela, como era sua personalidade, nada. Naquele momento, era um ser humano sofrendo. E eu também era um ser humano, sofrendo por ela estar sofrendo.

Lembrar dela ainda me enche os olhos de lágrimas...

domingo, março 19, 2006

Tempo Perdido

Não sei quando comecei a escrever este texto... Acho que foi hoje de manhã... Mas ele nasceu ontem, durante uma conversa no msn...

Pare de perder tempo”...
Sim, preciso parar de perder tempo. Não há motivos para perder tempo com atitudes sem sentidos e inúteis, em tentativas fadadas ao fracasso antes mesmo de começarem...
Por que sempre caio nos mesmo labirintos? Labirintos cujos caminhos conheço muito bem, cujos finais nunca mudam... Isso porque eu não mudo... Continuo escravo de velho vícios, sempre tentando racionalizar tudo... Sempre com medo de viver...

Mas de que tenho medo?
Por que tenho medo?

O pior é o fato desse medo acabar envolvendo outras pessoas em um jogo auto-destrutivo. Talvez seja mesmo inconseqüente e indolente em relação as expectativas alheias. Quando minto para mim mesmo acabo mentindo para todos a minha volta. É inevitável. Sempre parece uma bela história, um melodrama, todos acabam acreditando, convenço a todos de meus sentimentos, mas não consigo convencer a mim mesmo. Até tento levar em frente, dar uma chance para as coisas acontecerem, mas no fundo sempre sei onde tudo terminar. As reações variam da tristeza ao rancor, elas podem vir através de lágrimas ou de agressividade. Sempre termina mal, sempre é desgastante para o dois. Mesmo assim não me sinto culpado, não sinto arrependimentos e talvez, por isso mesmo, continue a errar os mesmos erros. Talvez seja mesmo frio e insensível.

Mas não é assim. Admitir isso seria admitir estar brincando com os sentimentos das outras pessoas. Não, não é este o caso. Não é um brincadeira, não é apenas para me aproveitar da situação, não é falta de caráter, canalhice e coisas afins. Não gosto de machucar as pessoas, não gosto de fazê-las se sentirem usadas e descartáveis. E é justamente por isso que sempre dura tão pouco. Não conseguiria manter uma situação assim por muito tempo. É extremamente desgastante. Apenas tento, mesmo sabendo como terminará.

Se existe uma fraqueza no meu caráter, essa falha reside justamente na fraqueza. Sou fraco demais para recuar diante de uma oportunidade, de uma chance destinada ao insucesso. Sou fraco demais para resistir ao impulso destrutivo de entrar em uma relação não estando pronto para isso, ciente de estar mentindo para mim mesmo, sendo omisso mesmo assim. Sou fraco demais para não flertar como mulheres as quais não sinto um desejo verdadeiro e intenso, quando vejo, o mal já está feito, já se encaminhando para o fim.

Tenho medo de ficar sozinho.
Tenho medo de amar.

Sou egoísta. O medo de ficar sozinho me leva a ser destrutivo, me leva a embarcar em relações auto-destrutivas. Não gosto de machucar e magoar as pessoas, mas isso sempre acaba acontecendo. O medo de amar acaba me fazendo entrar em relações de mentira, o medo do amor me leva a viver pseudo-amores, como bem disse uma amiga. A mesma amiga que me disse “tem que parar de perder tempo”. Ela está certa. E não existe talvez aqui, ela está certa e ponto. Vou parar de perder tempo. Espero descobrir forças para empreender essa mudança. Vou precisar de muita força para fazê-lo.

Cansei de ser uma mentira que conto para mim mesmo...

Anacrônico Parte II - Do grafite sobre a folha

Nesta folha branca de tão nívea ternura,
Canta e dança o grafite toda depravação
Do escuro cântico de cinzas e perversão,
De solene ferocidade, um hino à loucura.

Nefasto e letárgico verme da corrupção,
Selvagem entropia devorando a brancura
Nos veios podres e rasos desta sepultura,
Abrindo sua própria tumba, abominação.

Infectos caninos se enterrando na alvura,
Derramando inertes lágrimas de aflição
Por seu destino, apenas agonia e tortura

De uma vida estéril, uma efêmera canção
Da sombria existência da maldita criatura,
Um réquiem deplorável, uma lamentação.


Matheus Filipe

sábado, março 18, 2006

Anacrônico Parte I - Ode

Abro minhas asas noturnas, escuras como pesadelos, sobrevoando um mundo adormecido,
Um reino de sonhos e delírios, um refúgio habitado por quimeras e esfinges...
Salto de uma estrela para a próxima, atravessando nuvens de pensamentos e emoções, flutuando livres no espaço,
Busco minha estrela da fortuna, a única capaz de mudar a minha sombria sina...
Qual flor de luz devo arrancar, deste imenso jardim noturno,
E atirar na Terra para meu desejo realizar?
São tantos sonhos e pesadelos, me perco entre eles, imerso no céu da noite profunda...
Experimento todos os perfumes e aromas das emoções, me afogo nelas,
Provo o cinza das angústias, como o ocre amargo do remorso,
Sinto o inebriante sabor dos anseios, brilhando feito ouro,
Saboreio o escarlate sangüíneo das paixões,
Quente como o inferno...
Ébrio de humanos sentimentos, me perco entre as manchas escuras de nada, naufrago no céu noturno...
À deriva, busco uma estrela para aportar, um porto seguro de calor e luz celeste,
Mas a minha volta somente vejo o frio, apenas sinto o gosto vazio da solidão...
Então percebo... Não posso tocar as estrelas, elas estão além de qualquer terrestre mácula...
Fecho os meus olhos, como se estivesse saindo de um sonho para acordar em um pesadelo...
Sinto a gravidade da mãe-terra reclamar seu tributo... Choro o horror da queda no espaço...
Sinto minhas asas se desfazerem em grãos de poeira cintilante...
Já posso sentir o calor da mãe-terra, queimando minha carne fria, evaporando minhas lágrimas secas,
Enquanto rasgo a escuridão da noite como uma fagulha incandescente,
Como um pequeno ponto de luz descendo entre as estrelas...
Apenas mais uma luz que se apaga...
Eu desejava tomar uma estrela, sacrificar sua pureza para poder me curar...
Eu desejava escapar de uma realidade que julgava não ser a minha...
Mas tudo foi em vão, foi tudo prepotência, egoísmo, imprudência...
Estava olhando na direção errada... E meu erro me trouxe até este derradeiro momento,
Indo de encontro ao desconhecido da morte...
Sozinho com nunca antes...
E agora, nos instantes finais de uma vida, me lembro de tudo que se foi e penso em tudo que não será...
Quando a consciência se esvai célere e fatalmente em direção à morte,
Consigo apenas pensar em uma tardia e profética epígrafe...
Um momentâneo risco no céu, este sou eu,
A mentira de uma estrela cadente...
Pois as estrelas não caem, elas morrem...
E elas não realizam desejos...

Anacrônico - Prelúdio

14:14 de um sábado como outro qualquer... Mais um dia... Menos um dia...

Decido publicar aqui algumas textos e poesias meus mais antigos, todos anteriores a 2004. Foi uma época um tanto o quanto profícua em matéria de produção...

Assim aproveito e faço uma releitura de mim mesmo, pois nos idos daquela época, era uma pessoa um pouco diferente de hoje, principalmente na tocante de minha visão sobre mim mesmo e auto-conhecimento, ou pelo menos julgava ter...

terça-feira, março 14, 2006

Uma carta a ninguém...

Estou de volta. É bom estar de volta... Será mesmo? Talvez seja. Talvez não. Prefiro não pensar sobre isso. Prefiro pensar sobre alguma coisa em particular? Não sei.

Tive uma semana complicada. Estive muito doente. Fui acometido por uma sorrateira e aguda amidalite. “Eu sou as amídalas do Jack. Eu infecciono e ferro com a garganta do Jack”. Tive febre, dores no corpo, prostração, houve formação de placas de pus na garganta, causando dor e dificuldade em engolir, doía até mesmo beber água. Faltei dois dias ao trabalho. Tomei antibiótico. Sofri sozinho meu primeiro problema de saúde sério, desde que saí de casa e passei a morar. Vivo ainda estou, devendo ser este um bom sinal. Enfim.

Agora considerei um ponto. Talvez a amidalite tenha sido um presente ou parte de um inferno astral. Hoje, esta nova fase da minha vida completa um ano. Um ano fora de casa (na verdade saí de casa no dia 13). Um ano morando sozinho (na verdade moro sozinho há onze meses). Um ano sendo meu próprio provedor. Um ano. O tempo realmente voa, mesmo quando não nos estamos divertindo.

O que dizer deste primeiro ano, desta nova vida? Nada. Exatamente: nada.

Por fora, está tudo muito diferente. Mas por dentro, continua aquele velho e tão conhecido vazio, a perene desmotivação, o incessante devir e não mais que isso, apenas um vir a ser. Conheci algumas pessoas e me envolvi com essas pessoas; me envolvi com algumas pessoas, mesmo sem conhecer essas pessoas. Houve tentativas, houve erros. Acertos? Não, pelo menos não os acertos por mim almejados. O que almejo? Um martelo para arrebentar e quebrar a ordem estabelecida, o status quo, ou seja lá como chamem. Uma marreta para rachar e destruir a minha vida como um prédio em ruínas, caindo aos pedaços. Acabar com a letargia, cessar a mediocridade, despertar da dormência. O realmente triste é saber ser eu a única força capaz de gerar essa mudança e ter ciência da minha falta de motivação para fazê-lo. Estou sendo repetitivo e não me importo em ser. A verdade não tem de ser bonita, agradável ou necessária. A verdade tem de ser apenas verdadeira e apenas isto.

Um plano cartesiano. Uma progressão aritmética. Um linha reta seguindo até infinito. Sempre linha. Sempre reta.

Minha esperança reside no Caos, onde às vezes os inesperado acontece e onde às vezes uma linha pode formar uma curva. A matemática é pura lógica, mas somente o é até onde pode ser lógica mente a pensá-la.

Delírios e devaneios...

Talvez seja a febre voltando.
A febre também chamada sanidade...

E feliz aniversário pra mim...

sábado, março 04, 2006

Nada Demais...

19:22 de um dia, pra variar, quente e abafado. E hoje, o dia foi particularmente infernal, no quesito “vida profissional”, caso tal coisa exista. Não entrarei em detalhes, pois seria bastante anti-ético de minha parte, sem contar ser um assunto maçante e enfadonho. Mas Marx estava certo, o trabalho se tornou um fator alienante no mundo capitalista...

O que buscamos na vida? Dinheiro e posses? Realização no âmbito pessoal, profissional ou sentimental? Em tempo, é possível realização parcial, quer dizer, em somente uma das esferas da vida? Acho que a maioria de nós não consegue responder essas perguntas. Digo isso sem medo de errar, pois a maioria de nós não sabe porque fazem as coisas como fazem, porque vivem as suas vidas do modo como vivem. Poucos de nós, até onde percebo, conseguem tirar alguma satisfação de suas vidas. Medo, insegurança, fingimento, falsidade. Temos medo de sermos nós mesmos, de sentir o que sentimos, de querer o que queremos, se seguir nossos impulsos e nossos desejos. Fingimos ser pessoas diferentes, somos falsos, mentimos para os outros e pior, para nós mesmos. Nós nos limitamos, nos inibimos, nos reprimimos em função de convenções e do “bem comum”, que nunca é o nosso bem. Vivemos nossas vidas em função de outras coisas, quando deveríamos vivê-las segundo o que pensamos e sentimos. Mas raramente é assim. Sempre acabamos deixando para viver a vida mais tarde, preferimos trabalhar, estudar, curtir (o que é bem diferente de viver). O que estamos fazendo? Alguém pode dizer?

Sim, sou uma pessoa insatisfeita. Mas sem desculpas e sem colocar a culpa em outrem. Sou o único responsável pela minha situação. Não sei de onde tirar motivação para viver. Não, não estou deprimido e não tenho tendências suicidas. Depressão, na atual conjuntura, seria um evento, seria um acontecimento. Muito pior é a mediocridade, é uma vida sem flutuações, sem altos e baixos, enfim, uma vida sem vida.

Desabafos são assim, quando menos esperamos eles simplesmente surgem...

Mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito...

quinta-feira, março 02, 2006

Onze Minutos

18:18 de um fim de tarde/início de noite quente, como tem sido ultimamente... Dias de calor quase insuportável, noites quentes e abafadas... Enfim, um pedacinho do Inferno bem pertinho de você... Mas existem compensações, como um “Céu de Baunilha”, por exemplo...

O carnaval veio e como veio, ele se foi. Não sou muito fã da festa popular preferida pela esmagadora maioria dos brasileiros, assim como não sou fã de futebol. No fim, estou longe do “brasileiro ideal”... Aproveitei o feriado prolongado para dormir até tarde e descansar o restante dos dias. Ainda sobrou tempo para rever pessoas queridas e até mesmo passar pela folia, mas só passar mesmo, pois detesto aglomerações de gente, não curto muito gente no coletivo para ser sincero. Além disso, tive oportunidade de ler um livro e iniciar a leitura de outro, não nesta ordem...

Durante o carnaval li Onze Minutos de Paulo Coelho. Sou um pouco resistente ainda a Paulo Coelho, ou mesmo preconceituoso. Mas sei me deleitar com um bom livro quando a oportunidade surge. O livro em questão é a história de uma pessoa em busca de sua verdade pessoal. É história de Maria, uma prostituta. O livro trata de amor e sexo, de dinheiro e aventura, de escolhas e liberdade. Mas no fim, é apenas uma pessoa tentando se encontrar, tentando se conhecer, tentando se compreender e tentando viver, da melhor forma possível. Poderia ficar aqui o resto do dia falando sobre o livro, mas livros são experiências pessoais e únicas, porque cada leitor transforma o livro ao trazê-lo para seu universo. Então é melhor falar sobre as sensações em mim causadas pelo livro... O livro fala sobre a luz dos olhos...

Esperança... Esperança é sensação mais forte deixada em mim pelo Onze Minutos. Uma romântica esperança, devo dizer. Esperança no amor. Sim, o romantismo apenas adormece, ele nunca morre. O livro colocou em imagens precisas as intuições e sensações, deixando uma certeza gravada: a solidão é simplesmente a falta deixando ausência do amor e somente através do amor a solidão pode deixar de ser. Por que me sinto vazio? Porque não existe amor em mim. Não o amor genético, biológico, sanguíneo e/ou familiar. Não existe em mim o amor encontro, o amor descoberta, o amor entrega, o amor liberdade. Por isso me sinto sozinho no mundo sempre que fecho a porta do quarto atrás de mim. Pode soar clichê, não me importo, mas podemos ter tudo na vida, se não tivermos amor, seremos apenas arremedos de seres humanos, apenas existiremos sem chegarmos a viver. Um coração que não bate por alguém, está apenas bombeando sangue para o corpo e nunca passará disso. Amor... Espero um dia ser capaz de amar... Espero um dia chegar a viver... Espero um dia enxergar a verdadeira luz dos olhos...

Sim, é apenas um livro... Mas sempre existe um pouco de realidade na nossa ficção e um pouco de ficção na nossa realidade...

Dizem que o amor é como uma borboleta: não adianta procurá-lo, pois não irá encontrá-lo; contudo, quando menos se espera, ele surge diante de nossos olhos.

Enquanto isso, eu espero a minha borboleta... Ou minha andorinha...

Poeminha Sentimental

"O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega um
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam".

Carlos Drumonnd de Andrade