domingo, março 19, 2006

Anacrônico Parte II - Do grafite sobre a folha

Nesta folha branca de tão nívea ternura,
Canta e dança o grafite toda depravação
Do escuro cântico de cinzas e perversão,
De solene ferocidade, um hino à loucura.

Nefasto e letárgico verme da corrupção,
Selvagem entropia devorando a brancura
Nos veios podres e rasos desta sepultura,
Abrindo sua própria tumba, abominação.

Infectos caninos se enterrando na alvura,
Derramando inertes lágrimas de aflição
Por seu destino, apenas agonia e tortura

De uma vida estéril, uma efêmera canção
Da sombria existência da maldita criatura,
Um réquiem deplorável, uma lamentação.


Matheus Filipe

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