quinta-feira, março 02, 2006

Onze Minutos

18:18 de um fim de tarde/início de noite quente, como tem sido ultimamente... Dias de calor quase insuportável, noites quentes e abafadas... Enfim, um pedacinho do Inferno bem pertinho de você... Mas existem compensações, como um “Céu de Baunilha”, por exemplo...

O carnaval veio e como veio, ele se foi. Não sou muito fã da festa popular preferida pela esmagadora maioria dos brasileiros, assim como não sou fã de futebol. No fim, estou longe do “brasileiro ideal”... Aproveitei o feriado prolongado para dormir até tarde e descansar o restante dos dias. Ainda sobrou tempo para rever pessoas queridas e até mesmo passar pela folia, mas só passar mesmo, pois detesto aglomerações de gente, não curto muito gente no coletivo para ser sincero. Além disso, tive oportunidade de ler um livro e iniciar a leitura de outro, não nesta ordem...

Durante o carnaval li Onze Minutos de Paulo Coelho. Sou um pouco resistente ainda a Paulo Coelho, ou mesmo preconceituoso. Mas sei me deleitar com um bom livro quando a oportunidade surge. O livro em questão é a história de uma pessoa em busca de sua verdade pessoal. É história de Maria, uma prostituta. O livro trata de amor e sexo, de dinheiro e aventura, de escolhas e liberdade. Mas no fim, é apenas uma pessoa tentando se encontrar, tentando se conhecer, tentando se compreender e tentando viver, da melhor forma possível. Poderia ficar aqui o resto do dia falando sobre o livro, mas livros são experiências pessoais e únicas, porque cada leitor transforma o livro ao trazê-lo para seu universo. Então é melhor falar sobre as sensações em mim causadas pelo livro... O livro fala sobre a luz dos olhos...

Esperança... Esperança é sensação mais forte deixada em mim pelo Onze Minutos. Uma romântica esperança, devo dizer. Esperança no amor. Sim, o romantismo apenas adormece, ele nunca morre. O livro colocou em imagens precisas as intuições e sensações, deixando uma certeza gravada: a solidão é simplesmente a falta deixando ausência do amor e somente através do amor a solidão pode deixar de ser. Por que me sinto vazio? Porque não existe amor em mim. Não o amor genético, biológico, sanguíneo e/ou familiar. Não existe em mim o amor encontro, o amor descoberta, o amor entrega, o amor liberdade. Por isso me sinto sozinho no mundo sempre que fecho a porta do quarto atrás de mim. Pode soar clichê, não me importo, mas podemos ter tudo na vida, se não tivermos amor, seremos apenas arremedos de seres humanos, apenas existiremos sem chegarmos a viver. Um coração que não bate por alguém, está apenas bombeando sangue para o corpo e nunca passará disso. Amor... Espero um dia ser capaz de amar... Espero um dia chegar a viver... Espero um dia enxergar a verdadeira luz dos olhos...

Sim, é apenas um livro... Mas sempre existe um pouco de realidade na nossa ficção e um pouco de ficção na nossa realidade...

Dizem que o amor é como uma borboleta: não adianta procurá-lo, pois não irá encontrá-lo; contudo, quando menos se espera, ele surge diante de nossos olhos.

Enquanto isso, eu espero a minha borboleta... Ou minha andorinha...

Poeminha Sentimental

"O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega um
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam".

Carlos Drumonnd de Andrade

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