17:31 de um domingo estranho, no fim de uma final de semana estranho...
Por onde começar...
Bem, a mais ou menos uma semana, minha avó materna foi vítima de um enfarte. Nada muito grave. Alguns dias no CTI, um pequeno quadro de pneumonia, mas deve ser liberada amanhã. A história poderia bem terminar aqui... Mas na vida real, as histórias nem sempre têm um “final feliz”...
Quando estava me dirigindo para o hospital, acompanhando de alguns parentes, para visitar minha avó, estava com uma sensação estranha, um certo receio. Vejam, até os idos de 2004, trabalhava na área de saúde, freqüentemente visitava o hospital, por motivos burocráticos, nunca fez diferença para mim. Mas dessa vez, algo estava muito errado. E sabia não se tratar de minha avó. Minha avó estava em um quarto particular, com dois leitos. Bem, havia uma senhora no outro leito. Uma senhora em estado terminal. Câncer. Vou ser sincero, a morte nunca foi um problema para mim e continua não sendo. Não, não é a “proximidade da morte” que mexeu comigo. Foi outra coisa. Foi o sofrimento.
A senhora estava ali, na cama, como um nervo exposto aflorando na superfície da realidade. Foi algo tão desumano, o sofrimento ali simplesmente brotando através daquele ser. Nada nos torna tão humano quanto o sofrimento. Toda nossa fragilidade vem à tona, em uma realidade dura e fria. No quarto, havia gente rindo e brincando, como se aquele ser humano nem estivesse ali, sofreste uma dor desumana. Tive de sair do quarto, sentar em um canto e chorar. Sem saber ao certo porque. Chorei pelo sofrimento de uma pessoa sobre a qual não saiba qualquer coisa. Não importa a vida pregressa dela, como era sua personalidade, nada. Naquele momento, era um ser humano sofrendo. E eu também era um ser humano, sofrendo por ela estar sofrendo.
Lembrar dela ainda me enche os olhos de lágrimas...
Por onde começar...
Bem, a mais ou menos uma semana, minha avó materna foi vítima de um enfarte. Nada muito grave. Alguns dias no CTI, um pequeno quadro de pneumonia, mas deve ser liberada amanhã. A história poderia bem terminar aqui... Mas na vida real, as histórias nem sempre têm um “final feliz”...
Quando estava me dirigindo para o hospital, acompanhando de alguns parentes, para visitar minha avó, estava com uma sensação estranha, um certo receio. Vejam, até os idos de 2004, trabalhava na área de saúde, freqüentemente visitava o hospital, por motivos burocráticos, nunca fez diferença para mim. Mas dessa vez, algo estava muito errado. E sabia não se tratar de minha avó. Minha avó estava em um quarto particular, com dois leitos. Bem, havia uma senhora no outro leito. Uma senhora em estado terminal. Câncer. Vou ser sincero, a morte nunca foi um problema para mim e continua não sendo. Não, não é a “proximidade da morte” que mexeu comigo. Foi outra coisa. Foi o sofrimento.
A senhora estava ali, na cama, como um nervo exposto aflorando na superfície da realidade. Foi algo tão desumano, o sofrimento ali simplesmente brotando através daquele ser. Nada nos torna tão humano quanto o sofrimento. Toda nossa fragilidade vem à tona, em uma realidade dura e fria. No quarto, havia gente rindo e brincando, como se aquele ser humano nem estivesse ali, sofreste uma dor desumana. Tive de sair do quarto, sentar em um canto e chorar. Sem saber ao certo porque. Chorei pelo sofrimento de uma pessoa sobre a qual não saiba qualquer coisa. Não importa a vida pregressa dela, como era sua personalidade, nada. Naquele momento, era um ser humano sofrendo. E eu também era um ser humano, sofrendo por ela estar sofrendo.
Lembrar dela ainda me enche os olhos de lágrimas...
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