domingo, março 19, 2006

Tempo Perdido

Não sei quando comecei a escrever este texto... Acho que foi hoje de manhã... Mas ele nasceu ontem, durante uma conversa no msn...

Pare de perder tempo”...
Sim, preciso parar de perder tempo. Não há motivos para perder tempo com atitudes sem sentidos e inúteis, em tentativas fadadas ao fracasso antes mesmo de começarem...
Por que sempre caio nos mesmo labirintos? Labirintos cujos caminhos conheço muito bem, cujos finais nunca mudam... Isso porque eu não mudo... Continuo escravo de velho vícios, sempre tentando racionalizar tudo... Sempre com medo de viver...

Mas de que tenho medo?
Por que tenho medo?

O pior é o fato desse medo acabar envolvendo outras pessoas em um jogo auto-destrutivo. Talvez seja mesmo inconseqüente e indolente em relação as expectativas alheias. Quando minto para mim mesmo acabo mentindo para todos a minha volta. É inevitável. Sempre parece uma bela história, um melodrama, todos acabam acreditando, convenço a todos de meus sentimentos, mas não consigo convencer a mim mesmo. Até tento levar em frente, dar uma chance para as coisas acontecerem, mas no fundo sempre sei onde tudo terminar. As reações variam da tristeza ao rancor, elas podem vir através de lágrimas ou de agressividade. Sempre termina mal, sempre é desgastante para o dois. Mesmo assim não me sinto culpado, não sinto arrependimentos e talvez, por isso mesmo, continue a errar os mesmos erros. Talvez seja mesmo frio e insensível.

Mas não é assim. Admitir isso seria admitir estar brincando com os sentimentos das outras pessoas. Não, não é este o caso. Não é um brincadeira, não é apenas para me aproveitar da situação, não é falta de caráter, canalhice e coisas afins. Não gosto de machucar as pessoas, não gosto de fazê-las se sentirem usadas e descartáveis. E é justamente por isso que sempre dura tão pouco. Não conseguiria manter uma situação assim por muito tempo. É extremamente desgastante. Apenas tento, mesmo sabendo como terminará.

Se existe uma fraqueza no meu caráter, essa falha reside justamente na fraqueza. Sou fraco demais para recuar diante de uma oportunidade, de uma chance destinada ao insucesso. Sou fraco demais para resistir ao impulso destrutivo de entrar em uma relação não estando pronto para isso, ciente de estar mentindo para mim mesmo, sendo omisso mesmo assim. Sou fraco demais para não flertar como mulheres as quais não sinto um desejo verdadeiro e intenso, quando vejo, o mal já está feito, já se encaminhando para o fim.

Tenho medo de ficar sozinho.
Tenho medo de amar.

Sou egoísta. O medo de ficar sozinho me leva a ser destrutivo, me leva a embarcar em relações auto-destrutivas. Não gosto de machucar e magoar as pessoas, mas isso sempre acaba acontecendo. O medo de amar acaba me fazendo entrar em relações de mentira, o medo do amor me leva a viver pseudo-amores, como bem disse uma amiga. A mesma amiga que me disse “tem que parar de perder tempo”. Ela está certa. E não existe talvez aqui, ela está certa e ponto. Vou parar de perder tempo. Espero descobrir forças para empreender essa mudança. Vou precisar de muita força para fazê-lo.

Cansei de ser uma mentira que conto para mim mesmo...

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