quinta-feira, abril 13, 2006

Aviso aos navegantes...

Caros e raros leitores,

Estou saindo de férias enquanto escrevo esta postagem diante de seus olhos.
A Terra-de-Ninguém será uma terra-de-ninguém por no mínimo um mês.

Depois desse tempo, talvez volte eu a frequentá-lo.
Contudo, um mês é um tempo excessivamente longo
(mas não tanto, para o meu desgosto),
por isso não ouso afimar como as coisas serão daqui a diante.

Fiquem bem, vivam bem as suas vidas.

Vivam rápido e morram jovens.

Até qualquer dia.

terça-feira, abril 11, 2006

Anacrônico Parte VI - Êxtase

Todas as dimensões do corpo
As mãos percorrem, tão ávidas
Como beduínos atrás de dádivas
De um oásis, de um seguro porto.

Os lábios sedentos cheios de táticas,
Tocam a face e provam do gosto,
Dos sabores e aromas do rosto
E suas fragrâncias tácitas.

Pele e carne se tornam ardentes,
Como brasas incandescentes
Queimando todo o ser

Numa fogueira de sensações,
Deleite em tremores e explosões
Consumindo o corpo no fogo do prazer.


Matheus Filipe

segunda-feira, abril 10, 2006

Devir

Assim me sinto, um perene “vir a ser”.

Olho para o horizonte tentando vislumbrar as formas sinuosas e indistintas do futuro, a silhueta delicada e frágil da esperança. São como miragens de um oásis no meio do deserto, como promessas falsas de uma ventura improvável. Apenas fito a linha do horizonte, sem cobiçá-la, sem desejá-la. Apenas um olhar conformado, vazio e sem destino certo.

Estou sempre a beira do abismo, na iminência de despencar do precipício, despencar para o desconhecido, para o novo, para a vida. Sopra uma brisa leve e refrescante vinda do abismo, como um sopro de vida, de vitalidade, de energia. Mas não salto. Fico ali, apenas sentindo a suavidade da brisa, como medo de me atirar no absoluto, como receio de começar a viver pra valer. Fico então ali, parado, fitando para as profundezas do abismo, sem saber o que fazer, como agir, o que pensar.

Às vezes me sinto como uma árvore, uma árvore velha e cansada, já há muito desfolhada e sem vida, ornada apenas por galhos secos e mortos. Uma árvore sendo lentamente asfixiada, sufocada por sua própria casca, já ressecada e endurecida pelos tempo. Uma árvore esperando pela poda, para poder voltar a respirar, voltar a crescer, voltar a viver. Como uma fênix, esperando ser destruída para poder rejuvenescer, para poder renascer, para poder outra vez viver.

Ou talvez apenas não tenha a força necessária para tomar as rédeas de minha história.

Mas, como diria Sofia Serano, “a cada momento temos a chance de virar a mesa”.

Até mesmo no Inferno existe esperança.

domingo, abril 09, 2006

Coisas da não-vida

09:41 de um domingo no qual deveria continuar a dormir... Mas enfim, acordei...

Esses dias, sexta para ser mais exato, aconteceu algo inusitado. Saí com os colegas de trabalho, para a festa de despedida de uma colega. Depois acabamos indo a uma danceteria, ou bar dançante, não sei. No fim da noite, voltamos ao carro de nossa carona, para ter a desagradável surpresa de encontrá-lo com o vidro estourado. O dono do carro perdeu a frente do rádio, sua mala e sei mais o que. Minha perda se resume a um agasalho e mais de meia garrafa de whisky. Gostava muito daquele casado, me sentia bem com ele, muito bem. Mas era apenas um casaco. E foi uma noite agradável.

Isso tudo me fez pensar: o que faz diferença para mim? Ainda estou procurando uma resposta mais plausível, ao invés de simplesmente responder “nada”. Algo deve ser importante, caro e estimado por mim a ponto de fazer alguma diferença. Por que acordo? Por que durmo? Quais são meus sonhos? Possuo algum ideal? Alguma perspectiva? Alguma esperança? Não sei, não sei, três vezes não sei. Tudo por conta de um agasalho.

Mas essa falta de respostas, essa ausência de motivação me preocupada? Não. Porque mesmo essa situação tem pouca relevância para mim. Sinto-me a deriva, flutuando a margem da vida em uma mera existência. Sigo longe de estar realmente vivendo, sigo apenas existindo...

Quero ser tomado de assalto, quero ter minha racionalidade furtada, quero escapar, quero fugir. Acima de tudo quero sentir. Sentir o que quer que seja. Prazer, dor, alegria, sofrimento, ansiedade, angústia, excitação, desejo. Qualquer coisa, não importa. Preciso de algo para me fazer sentir realmente vivo.

Preciso ser mais do que essa coisa morna, sem graça, medíocre. Sinto falta de uma vida de verdade.

terça-feira, abril 04, 2006

Anacrônico Parte V - Ensaio: a Perfeição e a Beleza

A verdade é como a beleza, está nos olhos de quem a vê”.
Concordo parcialmente com esta citação. Estou de acordo com a supremacia da beleza diante da verdade. Contudo, não considero a beleza algo tão subjetivo, tão pessoal. Para mim, a beleza é a imagem da perfeição, existindo além do espectro humano e totalmente independente deste. Para mim, o ser humano surgiu para a beleza e não o inverso.
Imagem porque não se trata da perfeição em si. A perfeição é demasiadamente sutil para nós, justamente por ser perfeita. A perfeição simplesmente escapa de nossos sentidos limitados e de nossa mentalidade parcial e ainda mais limitada. Como não possuímos sentidos ilimitados e mentalidade total, não podemos lidar com a perfeição. A própria idéia de perfeição é apenas uma imagem projetada da perfeição em si, uma imagem rude e grosseira quando comparada ao poder e à sutileza inerentes a beleza. E justamente por ser um espectro da perfeição, a beleza é universal, surgindo em eventos sem qualquer ligação aparente, por isso a beleza surge em todos os aspectos da realidade.
A beleza é como uma intuição, é como pressentir a perfeição intrínseca a totalidade das coisas. Não percebemos a perfeição em si, apenas sentimos sob a superfície da mente a sua existência, a sua aterradora e intensa existência. É como se por uma infinitesimal fração de segundo, o véu a cobrir a realidade se afastasse, deixando escapar vislumbres da própria essência do universo, como um clarão instantâneo dentro da alma. Ainda bem por ser apenas uma ínfima fração de tempo, pois acredito ser uma maior intensidade insuportável, talvez até fatal.
Para mim, esta imagem projetada da perfeição, não deveria ser encarada como característica em si, mas sim como uma sensação, um sentimento provocado pela insinuação da perfeição na realidade visível. Obviamente, como essa sensação afeta os seres varia de indivíduo para indivíduo. A sensação pode ser inebriante, causando uma prazer intenso ao forçar as portas da percepção. Ela também pode ser aterradora, devido ao choque de se ver diante de assombrosa plenitude escondida sob a realidade. Ela ainda pode ter ares de êxtase religioso, devido ao sentimento de integração e interação existente entre todas as coisas, tudo parte de uma mesma ordem. No final, independente das diferenças superficiais, é tudo perfeição.
Para encerrar: a beleza é como, por um instante, encarar para a face daquilo chamado de Deus. E também é como se esse mesmo Deus olhasse para nós, nesse mesmo instante.

sábado, abril 01, 2006

As Cinco Mais Dolorosas

Inspirando pelo filme Alta Fidelidade, seguem as cinco músicas que mais doem, podem chamar de dor-do-cotovelo mesmo...

1) Los Hermanos - Último Romance;
2) Nando Reis - All Star;
3) Nenhum de Nós - Você Vai Lembra;
4) Cássia Eller - Ficaria Completo (Com Você);
5) Legião Urbana - Tempo Perido.

Por favor, caso desejem comentar, não comentem... Coloquem suas próprias listas em lugar de comentários, o efeito será muito mais apreciados por ambos...