domingo, abril 09, 2006

Coisas da não-vida

09:41 de um domingo no qual deveria continuar a dormir... Mas enfim, acordei...

Esses dias, sexta para ser mais exato, aconteceu algo inusitado. Saí com os colegas de trabalho, para a festa de despedida de uma colega. Depois acabamos indo a uma danceteria, ou bar dançante, não sei. No fim da noite, voltamos ao carro de nossa carona, para ter a desagradável surpresa de encontrá-lo com o vidro estourado. O dono do carro perdeu a frente do rádio, sua mala e sei mais o que. Minha perda se resume a um agasalho e mais de meia garrafa de whisky. Gostava muito daquele casado, me sentia bem com ele, muito bem. Mas era apenas um casaco. E foi uma noite agradável.

Isso tudo me fez pensar: o que faz diferença para mim? Ainda estou procurando uma resposta mais plausível, ao invés de simplesmente responder “nada”. Algo deve ser importante, caro e estimado por mim a ponto de fazer alguma diferença. Por que acordo? Por que durmo? Quais são meus sonhos? Possuo algum ideal? Alguma perspectiva? Alguma esperança? Não sei, não sei, três vezes não sei. Tudo por conta de um agasalho.

Mas essa falta de respostas, essa ausência de motivação me preocupada? Não. Porque mesmo essa situação tem pouca relevância para mim. Sinto-me a deriva, flutuando a margem da vida em uma mera existência. Sigo longe de estar realmente vivendo, sigo apenas existindo...

Quero ser tomado de assalto, quero ter minha racionalidade furtada, quero escapar, quero fugir. Acima de tudo quero sentir. Sentir o que quer que seja. Prazer, dor, alegria, sofrimento, ansiedade, angústia, excitação, desejo. Qualquer coisa, não importa. Preciso de algo para me fazer sentir realmente vivo.

Preciso ser mais do que essa coisa morna, sem graça, medíocre. Sinto falta de uma vida de verdade.

Nenhum comentário: