quinta-feira, maio 18, 2006

Anacrônico Parte VII - Ensaio: Impressões

Existe qualquer coisa de heresia em minhas palavras, admito. E meu pecado reside justamente em minha incredulidade, em minha total descrença e completa falta de fé na humanidade. Contudo, não há subversão em minhas palavras, não devem confundir minha insatisfação e angústia com algum tipo de rebeldia e insurreição. Não, minhas palavras são apenas isto, palavras. E minhas palavras nada podem contra a inevitabilidade e o fatalismo das coisas. Portanto, a mim, resta apenas observar e deixar aqui algumas de minhas peculiares impressões.
Pode soar pessimista, ou até mesmo radical de minha parte, mas não posso me omitir em dizer: para mim, a humanidade está, por assim dizer, em franco declínio. Não me refiro, obviamente, a qualquer espécie de cientificismo, pois inegável é o progresso das humanas ciências mesmo sendo este progresso, em si mesmo, questionável.
A decadência humana é de todo, algo mais sensível, crítico e essencial. A decadência humana, na falta de uma definição mais apropriada, é moral. Ou talvez, a própria moral humana seja a causa mais evidente desta decadência. Pois, para mim, a moralidade imperando sobre o gênero humano, não passa de um grande culto à negação. A moral humana é essencialmente negativa.
E o que esta moral vem a negar? Muito simples, devo dizer. A moral é uma grande negação da própria vida, é uma negação do que existe de natural no ser humano, é uma negação do próprio ser humano. A moral é uma ruptura com a natureza, como se a humanidade não fosse mais integrada, mas sim a única e legítima proprietária da Terra.
Por que isso aconteceu? Evolução. O ser humano é a resultante de fatores evolucionais: seu poder de raciocínio, mais precisamente seu poder de abstração, sua capacidade de manipulação, possibilitando a criação de ferramentas e utensílio para suprir suas necessidades não supridas por suas habilidades e atributos físicos, e por último, porém mais crucial fator, sua fragilidade e impotência diante da natureza. Esses três fatores acabaram possibilitando ao ser humano a chance de alcançar a posição de espécime mais bem adaptado ao meio, na verdade, mais que isso, a possibilidade de adaptar o meio-ambiente de acordo com suas necessidades e desejos.

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