Já tinha me esquecido como é bom ser surpreendido, no caso, a surpresa ao descobrir algo excepcional. Estou falando de livros e histórias em quadrinhos (simplesmente denominadas “HQ” de agora em diante), que não deixam de ser uma forma arrojada de livros. Como diria meu primo Diego Filipe, “livros: são aquelas coisas que tem o universo dentro”. Livros são portas, portas para levar ao ambiente mais improvável e o terreno mais desconhecido de nós mesmos: nossa imaginação. Livros, se você lhe conceder o mínimo liberdade de ação, se você se entregar a leitura, eles se transformam em forças transformadoras.
Um livro não é algo estático, muito pelo contrário. Livros são recriado a cada nova leitura, a cada novo leitor. E cada leitor, caso se entregue mesmo a experiência, emerge diferente a cada leitura, uma nova pessoa. É como se a cada nova leitura, a cada novo livro, o mundo revelasse um novo pedaço da realidade normalmente inalcançável. Não é algo claro, mas quando você chega ao fim, algo mudou, algo está diferente, você pode sentir como eletricidade estática no ar.
Mas nada supera a experiência de ser surpreendido por um final arquitetado com maestria. É como música clássica, é como um pôr-do-sol rosado, ou seja, é o final que te pega de surpresa mas não poderia ser de outra maneira. É como um soco na nuca, você é percorrido por um calafrio na espinha, frio na barriga, você começa a tremer. Sim, alguma vezes chega a ser físico, um reflexo corporal de golpe na mente. Isso aconteceu comigo duas vezes, em situações bem distintas. Se desconhece o final de “Grande Sertão: Veredas”, talvez ele fosse o terceiro da lista. Mas a vida tem dessas coisas.
O primeiro foi alguns anos, lendo “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marquez. Uma obra do chamado “Realismo Fantástico”, uma obra por si só fantástica. Mas nada, nada, no decorrer da história prepara o leitor para gran finale, para o clímax. É pouco menos de uma página, mas seu efeito foi devastador. Bombástico. Aterrador. Lembro que cheguei a jogar o livro sobre a mesa, me levantei e proferi alguns palavrões. Fiquei zonzo, atordoado, trêmulo. Nunca vi um final tão final como aquele. Foi o melhor exemplo de tragédia grega já lido por mim, mesmo não sendo grega. A história forma um ciclo perfeito, as coisas começam e terminam no mesmo ponto. Um termino simplesmente espetacular para livro espetacular, devo acrescentar.
A segunda foi ontem a noite, quando terminei de ler “Planetary: O Quarto Homem”, de Warren Ellis, segundo volume publicado no Brasil. Uma HQ que leva a sério a questão de “abrir as portas da percepção”. A série é uma viagem através do imaginário da cultura pop do Século XX. Uma releitura de nossa cultura sobre super-heróis. Acreditem, Planetary está longe de ser infantil ou comum. É uma nova experiência. São histórias fechadas, tudo é muito incerto, uma incerteza perene permeia toda a obra. Os dois volumes publicados compilam as doze revistas da série e a número doze é fecha um arco de histórias com um final simplesmente apoteótico. Olha que já tive a oportunidade de ler várias HQ’s de alto nível, com roteiros primorosos, mas Planetary lança o mundo das HQ’s para um próximo nível. Acreditem, é impressionante.
Bem, acho que o recado está dado. Desculpe se foi um pouco confuso, mas ainda estou meio em estado de choque. Aguardo ansioso pela continuidade dessa saga.
“É um mundo estranho. Vamos mantê-lo assim”.
Um livro não é algo estático, muito pelo contrário. Livros são recriado a cada nova leitura, a cada novo leitor. E cada leitor, caso se entregue mesmo a experiência, emerge diferente a cada leitura, uma nova pessoa. É como se a cada nova leitura, a cada novo livro, o mundo revelasse um novo pedaço da realidade normalmente inalcançável. Não é algo claro, mas quando você chega ao fim, algo mudou, algo está diferente, você pode sentir como eletricidade estática no ar.
Mas nada supera a experiência de ser surpreendido por um final arquitetado com maestria. É como música clássica, é como um pôr-do-sol rosado, ou seja, é o final que te pega de surpresa mas não poderia ser de outra maneira. É como um soco na nuca, você é percorrido por um calafrio na espinha, frio na barriga, você começa a tremer. Sim, alguma vezes chega a ser físico, um reflexo corporal de golpe na mente. Isso aconteceu comigo duas vezes, em situações bem distintas. Se desconhece o final de “Grande Sertão: Veredas”, talvez ele fosse o terceiro da lista. Mas a vida tem dessas coisas.
O primeiro foi alguns anos, lendo “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marquez. Uma obra do chamado “Realismo Fantástico”, uma obra por si só fantástica. Mas nada, nada, no decorrer da história prepara o leitor para gran finale, para o clímax. É pouco menos de uma página, mas seu efeito foi devastador. Bombástico. Aterrador. Lembro que cheguei a jogar o livro sobre a mesa, me levantei e proferi alguns palavrões. Fiquei zonzo, atordoado, trêmulo. Nunca vi um final tão final como aquele. Foi o melhor exemplo de tragédia grega já lido por mim, mesmo não sendo grega. A história forma um ciclo perfeito, as coisas começam e terminam no mesmo ponto. Um termino simplesmente espetacular para livro espetacular, devo acrescentar.
A segunda foi ontem a noite, quando terminei de ler “Planetary: O Quarto Homem”, de Warren Ellis, segundo volume publicado no Brasil. Uma HQ que leva a sério a questão de “abrir as portas da percepção”. A série é uma viagem através do imaginário da cultura pop do Século XX. Uma releitura de nossa cultura sobre super-heróis. Acreditem, Planetary está longe de ser infantil ou comum. É uma nova experiência. São histórias fechadas, tudo é muito incerto, uma incerteza perene permeia toda a obra. Os dois volumes publicados compilam as doze revistas da série e a número doze é fecha um arco de histórias com um final simplesmente apoteótico. Olha que já tive a oportunidade de ler várias HQ’s de alto nível, com roteiros primorosos, mas Planetary lança o mundo das HQ’s para um próximo nível. Acreditem, é impressionante.
Bem, acho que o recado está dado. Desculpe se foi um pouco confuso, mas ainda estou meio em estado de choque. Aguardo ansioso pela continuidade dessa saga.
“É um mundo estranho. Vamos mantê-lo assim”.
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