quinta-feira, maio 25, 2006

Hino ao Vazio

Vejo o fio preciso, a frieza da navalha,
A pele rompendo, a carne em seguida,
Tênue linha da vida jaz então partida,
Existência, agora apenas uma migalha.

Escorre o sangue sua trilha só de ida,
Como insidiosa torrente fora da calha,
Segue o fluxo de uma trajetória falha,
Líquida memória de uma vida perdida.

Sinto a proximidade gélida e estremeço,
Congela até os ossos este suave inverno,
Furta a consciência, deita o véu espesso,

Finalmente submerge o mundo externo
E então, o sono sem sonhos adormeço,
O sono sem-fim do descanso eterno.


Matheus Filipe.

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