Nota: minha posição pode soar ofensiva, mas garanto não ser esta a minha intenção. Mas estamos em um país livre (por enquanto), portanto tenho o direito de dar minha opinião e as pessoas têm o direito de não ler, o direito de discordar, enfim, simples assim.
Sobre a Religião - Canto Um
Como passamos do religar ao negar em três passos simples.
Por algum tempo evitei tocar nesse assunto, por ser um tema delicado. Mas ontem recebi um sinal dos céus (e não, não era um objeto voador não-identificado): se outras pessoas falam tão abertamente sobre isso, sem qualquer pudor ou bom-senso, posso também falar sobre minha posição quanto ao tema. No caso, o tema é “religião”.
Uma perspectiva invertida, isso define bem minha visão sobre religiosidade e de como ele se modificou através dos tempos.
Antigamente, nas religiões animistas e naturais, o ser humano ainda se via como parte de um todo maior do que ele próprio, era uma tentativa de se integrar novamente a natureza. Daí surge uma das possíveis origens etimológicas da palavra: religare, do latim “religar”. As pessoas desejavam estar unas com as forças naturais. As pessoas não se viam como o centro das atenções no palco universal, mas apenas mais coadjuvantes no espetáculo da Vida. Eles estavam ali em função do mundo e não o mundo em função deles, como um grande parque de diversões. Não existia, ainda, uma relação antagônica entre homem e natureza.
Mas por algum motivo, a perspectiva mudou, mudança motivada talvez por um “egocentrismo coletivo”. O homem passou a ver o mundo a sua imagem e semelhança. O mundo havia sido criado para ele desfrutar. O homem passou a ser senhor de toda a criação, mestre de todas as outras criaturas e dono do mundo. O mundo se desdobrava a partir do homem. Religião passou a ser uma troca de favores metafísicos: o homem queria chuva, então fazia uma celebração; queria uma boa colheita, fazia um sacrifício. Sim, algo como um “mercantilismo sobrenatural”. Os deuses passaram a fazer o papel de mediadores e servos dos homens. Para chegar à negação da vida desse ponto não foi muito complicado.
Quando a negação da vida começou? Não ouso afirmar, mas provavelmente está relacionada a origem da prática escravocrata. Somente do ressentimento e da servidão poderiam surgir algo do tipo. O homem olha para a sua vida, uma vida de sofrimentos e provações apenas. “Por que não negar essa vida? Por que não me vingar contra ela?”, e de outras perguntas assim surge a semente a fuga metafísica chamada de “outro mundo”. O homem passa a renegar a vida em função de uma possível vida melhor após a morte. O fraco se vinga do forte após a morte, indo para o “céu”, enquanto o segundo vai para o “inferno”.
Esse breve relato reflete, de maneira muito grosseira e superficial, a minha opinião sobre a “evolução” da religião na história da humanidade. No próximo texto, abordarei a experiência religiosa individual e os motivos pelos quais as pessoas estão religiosas em um dado momento.
Sobre a Religião - Canto Um
Como passamos do religar ao negar em três passos simples.
Por algum tempo evitei tocar nesse assunto, por ser um tema delicado. Mas ontem recebi um sinal dos céus (e não, não era um objeto voador não-identificado): se outras pessoas falam tão abertamente sobre isso, sem qualquer pudor ou bom-senso, posso também falar sobre minha posição quanto ao tema. No caso, o tema é “religião”.
Uma perspectiva invertida, isso define bem minha visão sobre religiosidade e de como ele se modificou através dos tempos.
Antigamente, nas religiões animistas e naturais, o ser humano ainda se via como parte de um todo maior do que ele próprio, era uma tentativa de se integrar novamente a natureza. Daí surge uma das possíveis origens etimológicas da palavra: religare, do latim “religar”. As pessoas desejavam estar unas com as forças naturais. As pessoas não se viam como o centro das atenções no palco universal, mas apenas mais coadjuvantes no espetáculo da Vida. Eles estavam ali em função do mundo e não o mundo em função deles, como um grande parque de diversões. Não existia, ainda, uma relação antagônica entre homem e natureza.
Mas por algum motivo, a perspectiva mudou, mudança motivada talvez por um “egocentrismo coletivo”. O homem passou a ver o mundo a sua imagem e semelhança. O mundo havia sido criado para ele desfrutar. O homem passou a ser senhor de toda a criação, mestre de todas as outras criaturas e dono do mundo. O mundo se desdobrava a partir do homem. Religião passou a ser uma troca de favores metafísicos: o homem queria chuva, então fazia uma celebração; queria uma boa colheita, fazia um sacrifício. Sim, algo como um “mercantilismo sobrenatural”. Os deuses passaram a fazer o papel de mediadores e servos dos homens. Para chegar à negação da vida desse ponto não foi muito complicado.
Quando a negação da vida começou? Não ouso afirmar, mas provavelmente está relacionada a origem da prática escravocrata. Somente do ressentimento e da servidão poderiam surgir algo do tipo. O homem olha para a sua vida, uma vida de sofrimentos e provações apenas. “Por que não negar essa vida? Por que não me vingar contra ela?”, e de outras perguntas assim surge a semente a fuga metafísica chamada de “outro mundo”. O homem passa a renegar a vida em função de uma possível vida melhor após a morte. O fraco se vinga do forte após a morte, indo para o “céu”, enquanto o segundo vai para o “inferno”.
Esse breve relato reflete, de maneira muito grosseira e superficial, a minha opinião sobre a “evolução” da religião na história da humanidade. No próximo texto, abordarei a experiência religiosa individual e os motivos pelos quais as pessoas estão religiosas em um dado momento.
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