Sério: estou ficando mortalmente cansado da internet. Tudo bem, “mortalmente cansado” é um tanto de exagero, mas o exagero faz parte da natureza cascuda (e muito vezes carrancuda) do canceriano. Contudo, a internet cada vez mais perde o sentido para mim, cada vez mais se torna apenas um hábito, algo motivado apenas pela força do costume.
Isso já foi diferente: já encontrei de tudo na internet em outrora. Em épocas nem tão remotas assim, já me deparei com a ilusão do amor, como o afeto sincero de uma amizade sem rosto, já joguei, já me diverti, cheguei até mesmo a aprimorar o pensamento, mesmo se para alguns esse aprimoramento pareça algo noviço e prejudicial. Tive acesso a fragmentos de informação, que de outra forma talvez nunca encontrasse. Talvez esteja sim cuspindo no prato onde já bem me alimentei. Mas não me importo com essas pequenas hipocrisias da natureza humana.
Hoje em dia, porém, a internet se tornou um lugar estranho. Ou melhor, se tornou familiar demais. Antes, era um lugar subterrâneo, um pouco marginalizado, um refúgio, um momento de escape e fuga. Era o lugar de “nerds” e afins. Mas esse tempo veio e se foi. Conforme a internet se popularizou, ela perdeu vários aspectos interessantes para mim. Elitista? Por que não? O tempo e as pessoas tornaram a internet um reflexo distorcido do assim chamado “mundo real”.
Tudo o que é fútil, supérfluo, superficial, vulgar e transgressor em nossa sociedade, ganha formas doentias na internet. Definitivamente as pessoas não têm autodisciplina o suficiente para lidar com a liberdade propiciada pelo “mundo virtual”. Virtualmente, tudo é possível. Não existem regras claras, tudo depende do bom-senso, praticamente inexistente, dos navegantes. O que encontramos na internet atualmente: sexo (não o sexo solitário e discreto do início da navegação, mas sim toda uma cultura voltada para o sexo, basta entrar em uma sala de bate-papo), auto-afirmação e “culto ao eu” (sendo a rede um grande lago para uma legião de Narcisos, embora eles raramente se afoguem em seu próprio ego com o nosso amigo mitológico), apenas para citar exemplos óbvios.
A internet tinha o nobre propósito comunicar, de ligar as pessoas, de transmitir conhecimentos. Porém, ela acabou se tornando uma forma barata de entretenimento fútil e vulgar. Antigamente tínhamos a pornografia, hoje, temos a internet.
Prometeu deveria ter deixado o fogo no Olímpo...