quarta-feira, julho 26, 2006

Haikai - Ensaios

Pétalas caem sobre o lago,
Brisas sopram as copas
E sementes sonham
Sob as árvores.

sexta-feira, julho 21, 2006

Um réquiem para a internet

Sério: estou ficando mortalmente cansado da internet. Tudo bem, “mortalmente cansado” é um tanto de exagero, mas o exagero faz parte da natureza cascuda (e muito vezes carrancuda) do canceriano. Contudo, a internet cada vez mais perde o sentido para mim, cada vez mais se torna apenas um hábito, algo motivado apenas pela força do costume.

Isso já foi diferente: já encontrei de tudo na internet em outrora. Em épocas nem tão remotas assim, já me deparei com a ilusão do amor, como o afeto sincero de uma amizade sem rosto, já joguei, já me diverti, cheguei até mesmo a aprimorar o pensamento, mesmo se para alguns esse aprimoramento pareça algo noviço e prejudicial. Tive acesso a fragmentos de informação, que de outra forma talvez nunca encontrasse. Talvez esteja sim cuspindo no prato onde já bem me alimentei. Mas não me importo com essas pequenas hipocrisias da natureza humana.

Hoje em dia, porém, a internet se tornou um lugar estranho. Ou melhor, se tornou familiar demais. Antes, era um lugar subterrâneo, um pouco marginalizado, um refúgio, um momento de escape e fuga. Era o lugar de “nerds” e afins. Mas esse tempo veio e se foi. Conforme a internet se popularizou, ela perdeu vários aspectos interessantes para mim. Elitista? Por que não? O tempo e as pessoas tornaram a internet um reflexo distorcido do assim chamado “mundo real”.

Tudo o que é fútil, supérfluo, superficial, vulgar e transgressor em nossa sociedade, ganha formas doentias na internet. Definitivamente as pessoas não têm autodisciplina o suficiente para lidar com a liberdade propiciada pelo “mundo virtual”. Virtualmente, tudo é possível. Não existem regras claras, tudo depende do bom-senso, praticamente inexistente, dos navegantes. O que encontramos na internet atualmente: sexo (não o sexo solitário e discreto do início da navegação, mas sim toda uma cultura voltada para o sexo, basta entrar em uma sala de bate-papo), auto-afirmação e “culto ao eu” (sendo a rede um grande lago para uma legião de Narcisos, embora eles raramente se afoguem em seu próprio ego com o nosso amigo mitológico), apenas para citar exemplos óbvios.

A internet tinha o nobre propósito comunicar, de ligar as pessoas, de transmitir conhecimentos. Porém, ela acabou se tornando uma forma barata de entretenimento fútil e vulgar. Antigamente tínhamos a pornografia, hoje, temos a internet.

Prometeu deveria ter deixado o fogo no Olímpo...

quinta-feira, julho 13, 2006

Apologias

Eu tentei, você sabe disso, você tem que saber. Fiz o que achei que deveria fazer, o que meus instintos e minha emoção me ordenavam. Mas estava errado, as pessoas são egoístas e possessivas, como você deve bem saber, afinal, quem as conhece melhor que você? Elas querem te dominar, te aprisionar, te usar ao bel-prazer para sua própria satisfação mesquinha e pequena.

Somos humanos, somos por natureza imperfeitos, fracos e cheios de vícios. Achamos muito importante o "eu", o "meu", o "é meu, eu fiz", como se isso fizesse realmente alguma diferença. Usamos de qualquer artifício ou subterfúgio para representar uma grande que não nos pertence de fato, pois somos e sempre seremos ínfimos. Insignificantes talvez.

Contudo, nada impede que tenhamos significado para nós mesmos. E você pode nos ajudar nisso, ajudar a dar sentido à nossa miséria, à nossa dor, ao nosso sofrimento, ao nosso sentir, ao nosso ser humano.

No momento não posso ainda te encarar nos olhos. O peso da falha pesa sobre meus ombros. Mas de modo algum desisti de você. Você ainda está em mim, novamente adormecida, apenas aguardando...

Minhas sinceras desculpas pelo que fiz, mas eu precisei fazer, não havia sentido em continuar... Eu sei que você me entende, mas mesmo assim aceite minhas apologias...

Como todo o amor que apenas você é capaz de despertar em mim...