segunda-feira, agosto 28, 2006

Apenas mais uma Ode...

Hoje, minha sombria e silente pena mata sua sede no rubro líquido de minhas veias, bebendo da tépida fonte a borbulhar de meu pulso.
Cintilantes gotas caem da ponta da pena como pequenas lágrimas, para mergulharem sediciosas na alva tranqüilidade da folha de papel.
A ponta negra de minha pena, embebida no vermelho de meu sangue, mancha a pureza branca do papel, como mácula, como chaga.
O branco absorve o vermelho riscado pelo negro, formam-se palavras doce, doces como apenas os venenos sabem e podem ser.
A dor flui em cada gota a tocar o papel, uma dor intensa, vívida, por que não, encarnada em vermelho-sangue, a dor guiada pelo negro-cortante. Sim, pois a pena, mesmo quando não corta, também é lâmina e a lâmina, mesmo quando não escreve, ainda é pena.
Os torpes sentidos cambaleiam diante da dor, tropeçam em alucinações, miragens, delírios.
Mas eu abraço a dor com todas as minhas forças...
Sim, eu diga a ela, dor, crave tuas presas agudas em minha carne lívida, rasgue minha pela como tuas garras profanas. Sejas uma fera ensandecida um animal selvagem, intenso e pulsante, lancinante e pujante, urre seu canto brutal, uive seu brado de loucura. Faça o que fizeres, ainda direi sim a ti, sempre, pois és tu, mas amanhã, outra diva lançara seu flagelo sobre mim...

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