quinta-feira, setembro 28, 2006

Uma carta a ninguém

Cada vez algo se torna urgente em mim: a necessidade de mudar o modo como levo minha vida. Veja bem: usei o verbo “levar” ou invés de “viver”, justamente por ter a sensação de o segundo verbo não se aplicar a mim.

Às vezes tenha a sensação de ser apenas um coadjuvante em minha própria história, nada além disso. É tudo tão sem propósito, sem motivo, sem razão, sem sentido. Sinto no fundo da alma a falta de algo: emoção. Falta tremedeira, frio na barriga, aquela certeza que vai muito além das palavras.

Eu quero paixão, quero dor, quero prazer, quero acertar, quero quebrar a cara, quero sofrer, que amor. Enfim: eu quero me sentir vivo, quero sentir a vida intensa e plena. Nada que já não tenha dito em várias outras oportunidades passadas. Mas e daí? É como me sinto.

Mas preciso urgentemente encontrar/descobrir/inventar um meio de mudar a minha vida.

Como? Não faço a mais mínima idéia...

segunda-feira, setembro 18, 2006

A que desperta desejo

Você me pede, “poesia, faça-me poesia”.

Quando, com minha lira torta, poderia competir com a poesia suave e delicada de suas curvas provocantes e perigosas? Quando, com meus versos pálidos, poderia alcançar o lirismo sedutor de seus lábios tão cheio de vontade? Como expressar todo o seu ímpeto de força da natureza?

Mas você se diverte com isso. E a sua crueldade apenas faz aumente meu desejo, minha fome de você. Contudo, fico a imaginar o seu sexo em outras bocas, em outras mãos. Suas carícias, seu maltratos, tocando e ferindo outras peles. E minha pele arde a cada vão pensamento.

Mas, ter ciúmes de você, seria como ter ciúmes da chuva de fim de tarde a molhar todos, indistinta.
Ter ciúmes de você seria como ter ciúmes da lua cheia iluminando a tudo, simplesmente.

Dizem que amar é saber deixar partir, é deixar o ser amado voar livre, experimentar os sabores das nuvens e os perfumes das brisas, pois apenas livre o ser amado justifica o amor.

Bem, e um dia quem sabe, seu vôo a faça chegar até mim. A vontade se tornará carne, a fome se tornará prazer e minha vontade será saciada em você, musa minha... E seremos apenas desejo.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Mote e Glosa III

Mote (por Diego Filipe)
Minha boca fundo em teus pêlos
Meu pau rijo em tua buceta
Não quero falação pelos cotovelos
Quero que você vire para que eu meta!


Glosa:

Minha boca fundo em teus pêlos,
Sentir do teu sexo o gosto,
Esfregar o pau no teu rosto,
Depois gozar até em teus cabelos.

Soca, pula, mete com força
Meu pau rijo em tua buceta,
Mete os peitos sem etiqueta,
Arranhe, grite, se contorça.

Mas sem conversinha fiada,
Não quero falação pelos cotovelos,
Vou te comer segurando os tornozelos
Pra depois te dar uma bela picada.

Depois, como gosta o capeta,
Quando estiver bem fogosa,
Direi, pegando sua bunda gostosa:
Quero que você vire para que eu meta!

Matheus Filipe

Mote e Glosa II

Mote (por Matheus Filipe):
Eu quero te comer e ponto:
Foda-se flores e presentes,
Meu pau entre seus dentes,
Transar, transar e pronto.


Glosa:

Eu quero te comer e ponto;
Não é difícil entender,
Não preciso inventar um conto:
Basta você se render.

Não quero lhe agradar,
Foda-se flores e presentes,
Tudo que tem de fazer é dar,
Esqueças tudo que não sentes.

Todas as posições,
Meu pau entre seus dentes,
Tua buceta e cú quentes,
Um misto erótico de sensações.

E se ainda assim não entendeu,
Fique calma que te conto,
Não quero o brilho de um camafeu,
Só transar, transar e pronto!

Diego Filipe

Mote e Glosa I

Mote (por Diego Filipe):
De poeta só o osso;
vago sem rumo certo,
de prosa em verso,
respeite minha palavra moço.


Glosa:

Nas veias o caldo grosso,
Borbulhando a paixão fugaz,
Sangue aveludado, mas,
De poeta só o osso;

Vago sem rumo certo,
Devagar no incerto vagão,
Em estações sem direção,
No trilho de trem deserto...

Uma tempestade ao inverso,
De baixo para cima caindo,
Da alma aos céus subindo,
De prosa em verso,

Um verso atirado ao poço,
Um pedido, um desejo,
E peço, aproveitando o ensejo:
Respeite minha palavra moço.

Matheus Filipe

terça-feira, setembro 05, 2006

Dolorosos prazeres

É estranho, mas às vezes desejo sofrer. Sim, é loucura. Mas em toda sanidade há um pouco de loucura e em toda loucura há um pouco de sanidade...

Qual o ponto exato onde o prazer se torna dolorosa e sua contrapartida, quando a dor se tornar prazerosa? Este é um limiar instável, não existe um limite preciso entre a dor e o prazer, visto serem os dois escalas de uma mesma coisa, graus quase indistintos às vezes, complementares. Não existiria prazer sem a dor, não se pode sentir um e abdicar a outro.

Então, talvez, essa minha vontade de sofrimento seja em verdade uma vontade de prazer? Inversamente ao estóicos, desejo eu o máximo de dor para alcançar o máximo de prazer? É a velha questão shakespeareana da “estrela que brilha duas vezes mais queima na metade do tempo”. Melhor então ser escuro e durar indefinidamente? É possível viver sem se estar vivo?

No fim, são apenas devaneios de uma mente perturbada... Ou uma mente em demasiado repouso...