domingo, agosto 05, 2007

Das Pequenas Tragédias Humanas

Vazio

"Não creio ser um homem que saiba, tenho sido sempre um homem que busca; mas agora já não busco mais nas estrelas e nos livros, começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim; não é a verdade da minha história, não é suave e harmoniosa como as histórias inventadas, sabe a insensatez e a confusão, a loucura e o sonho, como a vida de todos os homens que já não querem mais mentir a si mesmos!" (Herman Hesse; Demian)

De onde vem todo esse vazio a preencher nossas almas jovens e atormentadas? Por que tudo parece tão sem sentido? Não sei se já parou para pensar sobre isso, mas talvez seja por realmente não haver sentido algum em nossa sociedade. Somos apenas produtos de nosso meio, como todos os outros. O fato de termos consciência disso, nem de longe torna as coisas mais agradáveis. Justo o contrário.

Olhe ao redor. Não há de encontrar motivos para qualquer coisa que seja. Por que você passou anos de sua vida estudando, talvez ainda hoje o faça? Por que arranjou um emprego, ou pretende fazê-lo? Deseja se formar uma família, ter filhos, neto? Por quê? Por que de tudo isso? Já parou para pensar quanto disso realmente diz respeito a você? Realmente deseja (atente ao verbo “desejar”) tudo isso ou foi apenas levado a querê-lo? Necessidade de aceitação? Medo de rejeição? Utilitarismo social? Statu quo? O que os outros vão pensar de você? Enfim, o que te leva a fazer tudo o que faz, fez e fará?

Como não se sentir vazio quando ao olhar para a sua vida, para sua pequena história no tempo, sem ser capaz de perceber qualquer significado nela, sem encontrar nenhum sentido pessoal, algo que faça parte de você nela. É como se sentir um espectador de sua própria vida, simplesmente vê-la passar diante de seus olhos a cada momento, apenas se deixando levar pela maré humana. Posso falar por mim: sou leviano e omisso com minha própria vida e do fato de não viver minha vida como penso ser o melhor modo de viver, o único modo de viver surge o vazio.

Não quero uma carreia, não quero ganhar rios de dinheiro (pelo menos não tendo de trabalhar para conseguí-lo), não quero ser um pai de família. Desejo apenas viver minha vida, apenas isso. Só me resta saber como é este viver, só me resta descobrir como é essa tal vida de verdade.

Ela está lá fora, em algum lugar, pelo menos espero.

The truth is out there.

domingo, julho 29, 2007

Das Pequenas Tragédias Humanas

Pesadelos nossos de cada dia

“O que você está fazendo de sua vida?”, já se perguntou isso? Bem, me faço essa pergunta com uma freqüência no mínimo desconfortável, desagradável e desconcertante. Ainda mais em períodos como esse onde me encontro, quando o vazio ressurge vindo das galerias e corredores mais profundos de minha alma. Pois o vazio, tal qual uma ave de rapina, está sempre a espreita, esperando pelo momento de um bote certeiro e preciso.

Olho para minha vida, ou para minha história, incapaz de encontrar qualquer forma de propósito, sentido, ou mesmo alguma vontade intrínseca. Nada. Já disse antes e torno a dizer, é como ser um espectador de sua própria vida. As escolhas são tomadas de modo leviano, pois elas nunca são tomadas de fato. Olho ao redor buscando, tentando encontrar algo capaz de me integrar, algo da qual possa fazer parte. Mas é um mundo estranho, um mundo cujos valores são alheios a mim. É como estar à deriva, boiando a margem do mundo da qual não desejo fazer parte, mas cuja escolha não me foi facultada.

Enquanto pude fugir de tudo isso, eu o fiz. Por isso mesmo, creio ter me agarrado a infância até os últimos momentos de inocência frágil e ignorância abençoada. Vagando por mundos de fantasia e faz-de-conta, simplesmente não olhava o Abismo nos olhos, simplesmente não fazia idéia alguma sobre ele. Porém, mais cedo ou mais tarde, tudo chega ao fim. O fim da infância. O fim da doce ilusão, quando você começa a perceber o mundo como de fato ele é, como de fato as pessoas são. Uma vez de olhos abertos, não se pode tornar a cerrá-los. E meus olhos estão abertos.

Apatia. Agora estou com aquele nó na garganta, com aquela sensação de desconforto, uma angústia sutil, porém persistente. Talvez justamente para fugir dessa sensação as pessoas fazem tudo o que fazem: será tudo uma forma de escapar de nós mesmos? De fugir de nossos demônios mais íntimos e pessoais?

Irônico, para dizer o mínimo. Podemos fugir de qualquer coisa, menos de nós mesmo. Ninguém escapa a sua própria natureza.

Somos o que somos e é isso que somos.

terça-feira, junho 26, 2007

Aviso aos Incautos Navegantes

Os alísios sopram sorridentes, sussurrando as delícias dos Mares do Sul e seus encantos paradisíacos. O vento é suave e convidativo, sereno para além de qualquer pressa. São tempos de calma, não calmaria, dias tranqüilos e agradáveis, com altos e baixos seguindo a balada do mares, mas sem tempestades repentinas ou nevoeiros sorrateiros.

Isso me faz pensar: talvez minha lira torta, saiba cantar apenas tristezas. Diante de inesperadas alegrias, ela apenas se cala, somente vela em silêncio. Minha lira se alimenta de angústia, de vazio, de desespero, de toda e qualquer energia negativa gerada em mim. Então, hoje, ela se cala de fome, é o silêncio da desnutrição.

Talvez ela, minha lira, aprenda a saborear novos sabores, menos amargos, mais doces. Talvez. Ou talvez permaneça ela torta como está. Apenas o tempo dirá.

sábado, junho 09, 2007

Dominatrix (ou "O prazer em sofrer é uma faca de dois gumes")

É engraçado como às vezes as coisa acontecem. Como é preciso bater a cabeça contra a parede, com bastante força, de preferência até começar a sangrar, para enfim abrir os olhos perante a verdade irretratável bem na sua frente.

“Olha, eu até posso sentir alguma coisa por você (ou pelo menos espero que você acredite nisso). Mas você precisa se mostrar merecedor da minha ‘flor-secreta’. Por isso vou testar você (sabe, como um gato brinca com o rato, antes de comê-lo). Vou jogar um jogo perverso contigo, para ver até onde você agüenta (e saiba desde já, você vai perder)”.

O que uma pessoa um mínimo prudente faria percebendo o cheiro desse tipo de jogo? Então, fiz justamente o contrário: me atirei de cabeça na cama-de-gato armada para mim. Senti-me o próprio lemming estúpido se atirando do penhasco, apenas por ser incapaz de refrear meus instintos de autodestruição.

“Então, eu quero você (sim, para brincar contigo). Mas tenho medo de a realidade matar o sonho, tenho medo de estragar tudo (acredite, para mim é mais interessante manter as coisas suspensas no ar, indefinidas, incertas). Tenho medo de me abrir e me machucar (claro, sem contar que daí o jogo perderia toda a graça)”.

Será que no fim, serão todas as mulheres histéricas-castradoras? Sempre com seus joguinhos e suas dissimulações? Sempre insinuando o que desejamos, mas nunca de verdade se entregando? Toda essa merda cansa às vezes, sempre escolher as melhores mulheres para ferrar com a minha cabeça da forma mais fodida possível.

“Queria muito estar contigo, ao seu lado. Mas prefiro continuar assim, à distância, é melhor para ambos (essa merece uma explicação à parte, meu caro: quero sim é te deixar confuso, te levar ao paraíso para depois te arremessar ao inferno, te deixar caminhando sobre o fio da navalha, sem saber o que fazer, como agir. Estendo a mão apenas para você adentrar mais e mais na minha teia)”.

É um instinto predatório tão acentuado, não é consciente, talvez nem mesmo seja intencional. O fato de ser inconsciente provavelmente o torne mais agudo e certeiro. Gatos e ratos. Aranhas e moscas. Lobo e ovelha. Predador e presa. Efetivamente estou no segundo grupo. Uma presa fácil, muito fácil às vezes.

“Você jogou comigo, brincou com meus sentimentos, mentiu o tempo todo (sim, estou invertendo a verdade em causa própria, pode chamar de ‘justiça poética’). Você me enganou, me fez acreditar em você, me fez ter esperanças (viu, percebe como você é um monstro desalmado e eu sou apenas uma vítima inocente?). Não sei o que você queria, mas se queria me magoar, conseguiu (você deveria ter vergonha de ser tão frio e insensível assim, machucando uma pessoa tão pura e ingênua como eu). Acho melhor não nos falarmos mais (exato, a culpa é toda sua, afinal, sou uma pobre mocinha que não sabe o que faz)”.

É, sou mesmo um completo idiota. Autodestruição é minha única trilha. No fim, a responsabilidade é todo minha, não podemos fugir ao destino que escolhemos para nós mesmos.

“Adeus (foi prazer, pra mim, jogar com você, beijinhos)”.

quinta-feira, maio 31, 2007

Profecia do Sangue

Avancem, arautos do horror,
Conjurem o hino de desolação,
Sejam a própria destruição,
Um réquiem de pura dor.

Notas sangrentas da canção,
Ardendo nas chamas do terror,
Cantem, qual fogo e calor,
Como do abismo o coração.

E, no acorde final, o carmesim
Tingirá os céus, fará sangrar
Todo o firmamento, enfim,

Quando a morte chegar,
E sorrir, na iminência do fim,
Apenas o sangue irá falar.

Matheus Filipe

terça-feira, maio 29, 2007

Anacrônico Parte XII - Vidas Mortas

As inteiras vidas sepultadas,
Perdidas nos reinos da morte,
Esse nebuloso destino e sorte,
Lar de memórias obliteradas.

Terrível foice de negro corte,
Carrasco das vidas decepadas,
Todas as existências ceifadas,
Morto tudo em nome da morte.

Presas ao nefando fatalismo,
Unindo as coisas sem lirismo,
Estão todas as vidas atreladas,

Ligadas por uma sina escura,
No fim arrastadas à sepultura,
Sempre pela morte calcinadas.

Matheus Filipe

domingo, maio 27, 2007

Transfiguração

Eis que surge ela, diretamente das estrelas, em seus trajes diáfanos, carmesins e escarlates. Seu olhar é puro mistério e vontade, como se pudesse me enxergar por dentro e do avesso. Em seu olhar me perco e me reencontro diversas vezes. Ela se aproxima silente e sutil como um vulto, como uma miragem. Ela tem as formas de uma musa incandescente.

Seu toque ardente é o próprio calor do fogo, queimando minha pela como ferro-em-brasa. Seus lábios guardam a voracidade de um furacão em fúria. Cada movimento dela é como uma explosão de energia, é como uma erupção de desejo. É como caminha a beira do abismo, ficar paralisado de horror diante do perigo e hipnotizado pela tentação da beleza e pala promessa do prazer.

Mas como veio, ela se vai. Como um sonho, como um delírio. Talvez apenas uma divindade alucinógena.

Anacrônico Parte XI - Cântico

Existe tanta beleza no mundo,
Perpetuando-se a cada segundo,
Sublime e com tanta intensidade,
Que o coração parece sucumbir
Diante dela, a ponto de explodir
Em face dessa grandiosidade.

Existe toda essa vida pulsando,
Em estado bruto, se apropriando
De tudo, esse poder incontrolável,
Essa vontade imensa, irresistível,
Essa força intensa, indescritível,
Todo esse desejo imensurável.

As muitas verdades da natureza,
Como a vida, a indecifrável beleza
Por trás de tudo, são misteriosas,
Além do racional entendimento,
Além do humano conhecimento
Estão estas realidades gloriosas.

Diante de toda essa vida e beleza
No mundo, é possível ter certeza,
Ter fé inabalável, crer, acreditar,
E deixar para trás receios, medos,
Ter a fortaleza pura dos rochedos
E a liberdade das águias a voar.

Devemos ouvir a doce melodia
Do mundo, esquecer a melancolia,
A desolação e qualquer tristeza,
Pois apenas mantendo a mente
Livre, vamos deleitar totalmente
O espetáculo em toda sua grandeza.

Precisamos, porém, saber sentir,
Sentir a vida e não apenas existir,
Deixar a beleza fluir, nos arrebatar
Completamente, sentir a vontade
Do mundo e sua impetuosidade,
Poder que tudo pode ultrapassar.

É impossível em uns poucos versos,
Vislumbrar a beleza dos universo,
Adivinhar toda a vontade, o poder
Existente na vida, apenas sensações
Temos, somente sonhos e visões
Sobre o grande milagre que é viver.

Expressão de uma vontade imensa,
Infinita, toda essa beleza intensa,
Todos esses mistérios, muito além
De nossa pequenez e nosso pensar,
E devemos essas forças aceitar,
No entregar a elas, dizer amém.

Matheus Filipe

quarta-feira, maio 23, 2007

Castelos de Areia

Houve um Rei, governante de um Castelo, como tantos outros reis. O Rei levava uma vida simples e tranqüila, como seus afazeres de realeza, dentro da segurança, para ele impenetrável, de sua fortaleza rochosa. Tudo decorria da melhor maneira possível dentro dos muros do Castelo, pelo menos assim o Rei pensava. E nada poderia perturbar a situação confortável. Mas a História mostra e o Tempo comprova: as coisas sempre mudam.

Entropia. Toda estrutura encerra em si mesma a semente de sua própria ruína.

Quando começou a entender seu papel, enquanto ainda príncipe, o Rei já sonhava fazer parte do Império. Desde que se tornara soberano do Castelo, ele trabalhou arduamente para tornar seu desejo realidade. Na sua trilha, o Rei acabou tomando difíceis decisões, forjou alianças, algumas delas questionáveis, entrou em batalhas, derramou o sangue de seus próprios súditos. Ele fez todo o necessário para alcançar seu objetivo, sacrificando o que fosse necessário.

Então o grande dia chegou, o dia de se encontrar face a face com o todo poderoso Imperador. Rapidamente o Rei percebeu a fragilidade de seu sonho diante dureza da realidade nua e crua se revelando diante de seus olhos. A sede do Império era um grande antro de corrupção, o Imperador, aquela figura nobre e digna sempre a guiá-lo, não existia, era apenas uma velha marionete do Estado. Era tudo um grande jogo de poder e dinheiro, onde as pessoas comuns eram apenas peças dispensáveis no tabuleiro. O Rei o descobriu ser o seu sonho nada além disso, um sonho, um sonho infantil. O peso da responsabilidade caiu sobre seus ombros com o peso do firmamento. Todos os sacrifícios, todo o sangue derramado, tudo foi realizado visando um bem-comum, visando o futuro glorioso do seu Reinado e para seus súditos. Mas tudo foi em vão. Agora restava apenas a realidade fria e cinzenta a sua frente.

O Rei estava desolado, dormindo mal, alimentando-se muito pouco. O desespero o estava corroendo ao poucos. Toda sua vida foi uma grande farsa, uma mentira. Ele ficou totalmente desorientado, a fonte de suas forças lhe havia sido tomada, seu sonho simplesmente tornou-se pó e cinzas. Quando a angústia ameaça romper seu peito, o Rei decidiu procurar os Oráculos dos Senhores, dos Deuses. Ele questionou todos aqueles acontecimento, indagou o porque de os Deuses terem deixado ele percorrer aquela trilha para o nada. Um dos Oráculos disse ser inútil, apenas palavras não poderiam dissuadi-lo de seus sonhos, sua fé não poderia ser abalada com argumentos, apenas a própria realidade poderia causar alguma mudança. Terminou dizendo ser cada homem responsável por seu próprio destino. O Rei amaldiçoou a existência dos Senhores, por deixar tudo aquilo acontecer.

O povo começava a dar mostras de preocupação, afinal o Castelo estava começando a apresentar problemas, devido à ausência do Rei. Todos sabiam sobre a visita ao Império, todos davam como certo a integração, mas o tempo passou e nada aconteceu. O povo começou a questionar as autoridades. Mas para o Rei nada mais importava, nem mesmo o bem-estar do seu povo. Ele desejava apenas se libertar. O povo estava a beira de uma revolta. Então o Rei decidiu por um fim aquilo. Ele ateou fogo no Templos dos Deuses e no Palácio, matando os Oráculos e a Família Real. Em frente as chamas de seus antigos ideais, o Rei falou ao povo chocado que assistia ao espetáculo insano. A maldição dos Senhores, ele falou em tom sombrio, caiu sobre esta terra e este solo, apenas dor e sangue nascerão daqui de agora em diante, vão e esqueçam deste lugar condenado.

Dizendo isso ele adentrou as chamas do Palácio, em direção a morte. O povo achou ter sido o Rei tomando por algum demônio. O povo fugiu, para nunca mais retornar. Contudo, o Rei não morreu, ele assistiu sua vida tornar apenas escombros e ruínas. Na manhã seguinte, deitado no pátio sobre a fuligem, olhando para o céu, lembrou-se das palavras do velho Imperador, quando os dois estiveram sozinho. O Imperador percebeu as dúvidas nascidas no coração do jovem Rei.

Todas nossas escolhas tem um preço, disse de modo sereno o Imperador,todas exigem sacrifícios, não podemos escapar a isso, nós decidimos nosso caminho, escolhemos qual trilha devemos percorrer, nem sempre é fácil, nem sempre é agradável, mas é assim como as coisas acontecem e não podemos mudar isso.

No fim não somos capazes de fugir de nós mesmos, pensou o Rei.

quarta-feira, maio 16, 2007

Fatos da Vida (ou "A humanidade perdida")

O mundo humano é um lugar horrível, extremamente horrível, gerado e propagado por pessoas ainda mais horríveis. Hoje, aconteceu algo bastante raro para mim: autopiedade. Hoje, senti pena de mim mesmo por fazer parte dessa raça, dessa bizarra raça humana.

É um movimento a qual talvez não possamos retroceder: estamos sendo aos poucos destituídos de nosso bem mais valioso enquanto seres humanos. Estamos abdicando de nossa humanidade. Não digo ser este um processo recente, Não. Mas digo ser a nossa época o mais esplêndido fruto deste processo de desumanização. Há muito tempo o Abismo está olhando para nós.

Isso vai soar bastante repetitivo, mas vamos lá. As pessoas perderam o valor enquanto pessoas. Não por acaso, algumas pessoas valorizam mais os animais. As pessoas valem pelo seu valor monetário e apenas isso. Essa é a verdade do mundo capitalista: apenas o capital represente e detém em si o verdadeiro valor. Só o capital tem valor. Pessoas são apenas carvão para alimentar as caldeiras e fornalhas do capitalismo.

Vou terminar com isso de uma vez. O meu problema, neste caso, é fazer parte dessa barbárie chamada capitalismo. Estou afundando neste charco e ainda me debato de vez em quando, ainda apresento alguma resistência, por isso mesmo talvez surja essas esporádicas angústias e conflitos internos. No fim talvez seja eu tão hipócrita quanto qualquer outra pessoa. Tão patético, tão estúpido, tão cheio de minha própria superioridade. Enfim, “Humano, demasiado humano”.

segunda-feira, maio 14, 2007

Lobo em pele de ovelha

Nasci diferente, em um mundo onde a maioria luta para ser igual. Um incomum destinado a viver entre o comum. Um lobo amaldiçoado a viver como ovelha em meio ao rebanho, não sendo nem lobo, nem ovelha.

Ovelhas. Sempre tão comuns, sempre tentando serem tão iguais. São incapazes de questionar suas existências miseráveis, apenas se resignam e aceitam seu destino, um destino imposto a elas. Elas nascem, pastam, crescem, são tosquiadas diversas vezes durante sua vida, apenas para fornecer sua lã aos seus Senhores (ou seriam Deuses?) e finalmente morrem, para assim entregar sua própria carne em sacrifício aos Senhores. Isso nunca me pareceu “vida”. As ovelhas vivem apenas em função da vontade e dos caprichos dos Senhores. Nada além de escravos sem vontade própria. Quando tive idade para entender, percebi algo muito errado naquela fatídica existência.

Sempre fui arredio e arrisco, nunca me curvei diante da vontade opressora dos Senhores. Logo percebi: possuía garras e presas, mas não sabia a função delas, não sabia como usá-las. Quando ia ter com outras ovelhas, sempre acabavam machucando uma delas, não com intenção. Mas era algo de todo mais profundo, mais profundo e natural. Talvez ferir ovelhas fizesse parte da minha natureza. Mas como seria isso possível? Eu próprio era uma ovelha. Ou talvez não. Essa sempre foi minha sina, sempre foi minha angústia: não saber o que sou. Fui aprisionado a uma existência alheia a minha natureza. Não poucas vezes rezei aos Senhores, para ser dado em sacrifício e terminar com toda esse sofrimento sem sentido.

Cada vez mais fui me fechando em mim mesmo, em busca de respostas, procurando a verdade, por mais dolorosa que pudesse ser. As ovelhas se afastaram de mim com o passar do tempo. Os Senhores me viraram as costas. Vaguei por muito tempo a margem do rebanho, sozinho e perdido. Estava a deriva no mundo, um mundo totalmente sem sentido para mim, um mundo onde tudo parecia estar errado, tudo estar ao contrário. Percorri um logo caminho, sem saber para onde ir ou o que fazer. Foi então, no algo de desespero, que ele me encontrou.

Podia ouvir o leve farfalhar das folhas entre as árvores. Podia ver seu vulto se movendo com ardil por entre a floresta. Seus olhos vermelhos me fitavam o tempo todo, como se pudessem perscrutar através de minha alma e para além dela. Lentamente Ele deixou seu esconderijo, imponente seguindo até onde eu o aguardava, sem saber o por que. Filhote perdido, ele disse em sua voz que mais era um sombrio sussurro, tu não devias ter vindo até aqui. Não entendo bem suas palavras. Filhote? O que Ele queria dizer afinal?

Tu és lobo, ele prosseguiu indiferente, tu nasceste para matar as ovelhas e enfrentar os Senhores. Mas há muito tempo tu te perdeste da matilha. Tu eras jovem e ainda inocente, apenas por isto caíste nas sortilégios das ovelhas. Elas envenenaram teus instintos, tiraram de ti o que em ti te tornava superior a elas. Elas transformaram a ti em uma aberração, uma criatura presa entre dois mundos, sem pertenceres a qualquer um deles. Tu não és lobo, tu não és ovelha.

Então eu uivei de dor, clamei meu lamento pelos quatro vento, para que minha dor pudesse causar pesadelos às ovelhas e perturbar os sono dos Senhores. Ele olhou para mim por um longo tempo, sem demonstrar qualquer compaixão por mim e então disse, Agora, te darei a única coisa que pode aliviar seu sofrimento. Ele cravou suas presas agudas em meu pescoço. Pela primeira vez em minha patética existência me senti vivo de verdade, quando o sangue jorrou de meu corpo. Não deixa de ser irônico, sentir a vida apenas poucos segundos antes de precipitar no abismo indecifrável da morte. Agradeço a Ele por ter me libertado desta existência incompleta e falha. Agora, nesse instante final antes do fim, posso dizer quem sou eu.

Homo homini lupus”.

Matheus Filipe

domingo, maio 13, 2007

Lamaçal (ou "vida em sociedade")

Engraçado, para não dizer estranho, como a vida rotineira carece de qualquer sentido prático. Pelo menos a minha vida.

Por que fazemos certas coisas? Por que fazemos qualquer coisa? Sério, quantas das coisas desempenhadas por nós durante nossa breve existência detém em si alguma motivação real? Tire a satisfação das necessidades básicas, o que sobra? Quanto daquilo realizado por nós é de fato algo verdadeiro para nós mesmo e quanto é apenas um reflexo distorcido de outrem? Bem-vindos a humanidade.

Creio ser grande parte dessa ausência de sentido causada pela própria sociedade onde nos inserimos, ou onde somos inseridos, melhor dizendo. Para a sociedade, o indivíduo não é importante, sua relevância vai até o ponto onde contribui para o bem-comum, este sim é o fator importante. O indivíduo é apenas uma engrenagem do sistema, o mecanismo preciso das engrenagens, mas de modo algum as engrenagens são a prioridade do sistema. Bem-comum.

Por que estudamos? Por que trabalhamos? Por que formamos famílias? Já parou para se perguntar para onde sua vida vai te levar? Ela precisa levar necessariamente a algum lugar, para início de conversa? Em geral, somos levados a perseguir objetivos alheios a nós mesmos. Tudo para quê? Para nos tornamos cidadãos respeitáveis e, como diria Raul, “contribuir para o nosso belo quadro social”. Mas é esse mesmo nosso desejo? Queremos nos tornar pessoas melhores, seres humanos melhores ou cidadãos melhores, melhores para a sociedade? Quantos de nós sabem o que querem? Tenho minhas dúvidas.

Estamos afundados até o pescoço, chafurdando na lama do capitalismo. Bem, esta é mais uma postagem para dizer nada. Pelo menos nada de novo.

domingo, maio 06, 2007

Retorno

Bem, cá estou de volta. As férias se foram, não digo terem sido rápidas, pois fiquei em tal modo letárgico, consegui abstrair o fato de estar de férias e simplesmente deixei o tempo seguir seu próprio ritmo. Contudo, agora estou me sintonizando novamente, re-alinhando o meu centro de gravidade. Colocar os acentos em vertical, apertar os cintos e preparar para aterrissar na rotina.

As férias, bem, as férias foram um pouco estranhas. A tristeza foi uma companheira freqüente neste período. As férias começaram mal, recebi um golpe para a qual não estava preparado, estava de guarda baixa e o ataque foi certeiro. Sabe quando dizem “ver a vida passar diante dos seus olhos”, pois então, aconteceu isso comigo, emocionalmente falando. Possivelmente quebrou algo em mim, ainda não sei ao certo a extensão do dano, mas estou levemente receoso.

Sim, minha capacidade para o rancor foi suprimida. Consegui deixar para trás muito a coisa, coisas há muito tempo comigo. Libertei-me de alguns grilhões. Mas as coisa no mínimos são sempre dúbias. Estou me sentindo mais leve, mas também mais vazio. O rancor foi extirpado, mas não sem levar algo consigo. Talvez tenha abdicado da esperança, a tenha sacrificado para me livrar do rancor. Resta saber se o preço não foi alto demais.

Sim, estou consideravelmente amargo. Mas sem o amargo, o doce perde o seu sabor.

terça-feira, abril 03, 2007

Aviso ao Navegantes - Interrupção dos Trabalhos

Estou na iminência de tirar férias, por isso os trabalhos serão interrompidos neste espaço. Nesse mês de descanso, pretendo ficar longe, o máximo possível, da internet. Quero de desligar um pouco de mundo, da qual a internet faz parte.

Então, até maio... Ou talvez não.

quarta-feira, março 28, 2007

Brevidade (ou “mesmo o eterno é sempre pouco”)

Estou falando da vida, ou melhor, estou expressando esse sopro de vida sussurrando por alguns instantes em mim. Sim, como é bom sentir essa força indescritível, como é bom se sentir vivo, mesmo sendo um sentir passageiro. Porém, o que não é transitório nessa vida ou em qualquer outra? Sentir o todo esse intenso poder, sentir como a vida é maior, infinitamente maior, mesmo sendo sempre tão breve.

Você já parou e percebeu quanto vida existe ao redor? Não estou falando de pessoas. Em geral elas estão um pouco embotadas para vida. Estou falando da mudança, da transformação constante da vida, pois a única constante na vida é a própria mudança. A vida muda sempre para continuar vida. A vida sempre termina para a vida poder começar, de novo e de novo e de novo. Mas a vida é sempre muito curta para desperdiçá-la, para ficarmos perdendo tempo com bobagens como aquilo alheio à vida. Preciso adquirir “a habilidade de não prestar atenção a tudo que não seja importante”.

Ame a vida, diga sempre Sim a ela. Pois acredite, ela é única, nunca houve em toda a história do tempo, ou menos antes do tempo, e nunca haverá até o fins dos tempos e além uma vida como esta, como esta vida de agora, como a sua vida. Cada mísero evento corriqueiro e cotidiano é um espetáculo único, sem direito a reprise ou repetição. A vida só acontece uma vez. Uma única vez. Não se engane com o fato da vida parecer tão abundante em nosso mundo. Cada vida é de fato única, nunca foi e nunca tornará a sê-lo novamente. Não se deixe embotar. Aproveite sempre o aspecto mais incrível da vida: a beleza.

Não, não aquele beleza instigante e arrasadora, pois essa é fácil. Estou falando de toda a beleza escondida e imersa no dia a dia. Essa é a beleza libertadora, ela não nos prende como beleza vulgar e exposta. Não, essa é uma beleza conquistada, cortejada diariamente. Uma beleza velada, oculta sobre o véu do ordinário e comum. Procure essa beleza, essa é a beleza da vida.

Para terminar, nada mais apropriados que palavras da própria Morte: “Viveu tanto quanto os outros, Bernie. Uma vida inteira. Nem mais. Nem menos. Uma vida inteira”.

terça-feira, março 27, 2007

Hino à Fatalidade - Canto Três

Um frenesi incontrolável,
Da luxúria é a encarnação,
Volúpia, apetite, destruição,
Uma torrente irrefreável.

Estrada para a danação,
Pois sucumbir é inevitável,
Diante da vontade instável,
Caprichos da devassidão.

Arder no fogo da paixão,
Para satisfazer a crueldade,
Os anseios de depravação,

Abdicamos a hombridade,
Pois seu desejo de violação
Encerra a própria fatalidade.

Matheus Filipe

Hino à Fatalidade - Canto Dois

Valquírias selvagens e cruéis,
Mas sutis em sua ferocidade,
Pintando telas de atrocidade,
Com seus tão afiados pincéis.

Com falsas juras de fidelidade,
Amantes em sagrados bordéis,
Concubinas de lascivos cordéis,
Roubam toda nossa dignidade.

Predadoras selvagens e fatais,
O terror se oculta na fragilidade,
Destruição em vestes espectrais,

Impiedosas em sua suavidade,
Terríveis como forças naturais,
A pura imagem da fatalidade.

Matheus Filipe

segunda-feira, março 26, 2007

Hino à Fatalidade - Canto Um

Mulheres são forças da natureza,
São deusas, são divas titânicas,
Senhoras das paixões tirânicas,
Desejos em estado de pureza.

Como tempestades oceânicas,
Estilhaçam toda forma de frieza,
Cavalgam a furiosa correnteza,
Selvagens volúpias orgânicas.

Beleza destruidora e instigante,
Facilmente representam o Céu,
Ou Inferno, no seguinte instante,

Pesadelos doces e sonhos de fel,
Enigmas encerrados no semblante,
Tanta fatalidade oculta sob o véu.

Matheus Filipe

domingo, março 25, 2007

A miséria humana (ou "a coisa nunca é tão ruim que não possa piorar")

Existem coisas, pude sentir na carne, as quais não se deveria dizer em conversas civilizadas...

Ah, a natureza humana...

Como me senti? Bem, me senti a criatura mais miserável, execrável e descartável da face deste nosso estranho planetinha. Sério, é como se pegassem sua dignidade e seu amor-próprio atirassem na privada e dessem descarga, como outra merda qualquer. Senti-me um lixo, um arremedo de ser humano, como se fosse nada, como se minha existência fosse um imperdoável desperdício no tempo-espaço. A inigualável sensação de ser bom-para-nada. Estou sendo dramático? Sim, possivelmente.

Quando li aquele conjunto de palavras, saí do ar por alguns segundo, como um pensamento permeando minha mente, "não, não estou lendo isso". Incrível nosso poder de negar o óbvio. Mas basta um segundo, ou menos, para a realidade se chocar contra o rosto como um tapa e contra o estômago como um soco. Girei em falso, fique zonzo quando a realidade me alcançou. Sim, as palavras caíram como um raio em minha desarmada mentalidade. Basta uma dezena ou mais de palavras e pronto, o mundo começa a ruir e se desmanchar bem diante dos olhos.

Sou uma pessoa combativa e meu campo de batalhas são as palavras. Sempre, ou quase sempre com vim a perceber, estou disposto a duelar, a cruzar espadas. Mas bastaram cerca de dez palavras para uma estocada certeira e fatal, atingindo bem o âmago de minhas esperanças mais íntimas. Não, de certo não merecia apenas uma repudia, uma negativa seca e dura. Não, a compaixão (leia-se "pena") e a condescendência precisavam vir à tona, mostrar suas garras e presas pérfidas. O veneno seria inoculado, a peçonha apodreceria tudo ao seu vil alcance. Alguns samurais deixavam suas armas em barris de fezes, maturando, para quando enfrentassem seus adversários, os cortes pudessem infeccionar e causar tétano. É a imagem a surgir em minha mente.

Mas sabe o pior? A não intencionalidade. Não foi um ataque premeditado, nem mesmo foi um ataque. Mas palavras exigem toda a cautela, elas são potencialidades caóticas. Podem tanto elevar aos píncaros do Paraíso como atirar nas profundezas do Inferno...

Quais foram as fatídicas palavras? Não, não sou capaz de transcrevê-las aqui. Meu masoquismo tem limites muito bem definidos. No mais, não importa o que foi dito, mas sim o efeito devastador daquelas palavras em mim e isso espero ter ficado claro.

quarta-feira, março 21, 2007

Lirismo - imagens e idéias fragmentadas

Canto Um - Estrelas

Já percebeu como algumas pessoas possuem luz própria? Sim, seres capazes de iluminar, capazes de acrescentar cor e sabor ao mundo acinzentado ao seu redor. São como oásis de pureza surgindo em meio a toda essa decadência e podridão. São como chuva, atirando gotas de tranqüilidade e luz sobre as trevas do cotidiano seco e obscuro. São promessas de boa ventura, fazendo nascer alguma esperança no fundo de uma vida vazia e sem sentido.

Como insetos alados, nos sentimos irresistivelmente atraídos por essa luz, como os planetas são atraídos para o sol. Vamos até elas, essas sereias de luminescência, mesmo correndo o risco de naufragar em nós mesmos, mesmo com a certeza de sermos consumidos por essa proximidade luminosa. Simplesmente caímos para elas, como nossos corpos em chamas, até restar apenas cinzas e pó. “Das cinzas as cinzas, do pó ao pó”.

Contudo e nem por isso, podemos responsabilizar essas criaturas radiantes. Elas não escolheram ser luz e calor, elas simplesmente são. As forças da natureza não decidem ser belas ou destrutivas, elas simplesmente são. Nelas, nessas pessoas, a natureza apenas flui livre e inocente, para além de qualquer controle. A luz não escolhe quem ou o que vai iluminar, ela apenas ilumina. Essa é a sua natureza.

domingo, março 18, 2007

Mais um dia de domingo (ou "nem consigo pensar um título decente")

É uma coisa ilógica ao extremo: por que o domingo é o dia mais tedioso e chato da semana? Tirando o fato de ser o precursor da famigerada segunda-feira, o domingo deveria ser o dia mais agradável dos sete dias no nosso calendário gregoriano, não? Oh, nada mais distante da dura e cruel rotina nossa de cada semana. Faz algum tempo, ouvi dizer ser o domingo o dia com maior incidência de suicídio dentro da semana. Realmente, temos muito tempo livre pra ficar remoendo e ficar pensando merda. Enfim, não vou me matar, pelo menos não tenho planos para este domingo em particular. Mesmo porque não quero morrer virgem. Brincadeira (quanto a morrer ou ser virgem? Boa pergunta...).

Um dia onde a grande maioria dos bonequinhos do capitalismo não trabalha, um dia para se aproveitar os prazeres mundanos, um oásis de paz em meio à turbulência do dia-a-dia. Ou essa era a idéia a princípio. Um dia para aproveitar a família, ficar em casa. Mas quem diabos tem paciência para ficar em casa, ainda mais quando a família está nela também? A maioria das pessoas trabalha também para ficar fora de casa tempo suficiente para não matar um familiar. Imagine, um bando de gente, pessoas semidesconhecidas, com “milhares” de problemas cotidianos, indo de “preciso de uma roupa nova” até “acho que vou experimentar LSD na próxima balada”, passando por “ele deve estar tendo um caso”, “meu chefe me odeia”. Mas a maioria poderia dizer “minha vida é uma droga”. Sim, sou uma pessoa amarga, segundo uma opinião familiar, e cruel, segundo meu próprio e comprometido auto-conceito. Se quiser ler sobre amenidades e coisinhas “miguxas” (já me odeio por ter escrito isso), está no lugar errado.

Resumindo: se meu domingo é uma merda, diabos, é porque minha vida, em sua quase totalidade, é uma merda, porra. É um raciocínio bastante simples, apesar de não ser fácil para todo mundo. Sim, o mundo é um lugar injusto. Em geral, segundo a teoria dos fractais e a mecânica do caos, o todo pode ser encontrado em suas partes e versa-vise. Logo, se algo na sua vida anda mal, trate de assumir uma perspectiva mais ampla e poderá ver o tamanho da cagada onde se meteu.

Por isso, trate de aproveitar o domingo, faço tudo para se divertir: encha a cara, dirija embriagado, espanque seus familiares, se afogue num poço de auto-piedade, enfim, todo tipo de diversão saudável e adulta, e, caso consiga sobreviver, não se preocupe, amanhã é segunda-feira e o mundo volta para o seu eixo de normalidade e rotina.

E lembre-se: ou você derrota o domingo ou ele derrotará você.

E no mais, sempre temos a boa e velha tv aberta (entende a piada sobre a morte agora?).

quarta-feira, março 14, 2007

Réquiem ao Caído

Eleve-se, anjo de única asa,
Libere a chama destruidora
Sobre esta terra pecadora,
Torne tudo uma cova rasa.

Sua claridade purificadora,
O toque de ferro-em-brasa,
O calor que a tudo abrasa,
Sua vingança devastadora.

Derrame sobre este mundo
A angústia, aplaque sua dor
Neste abismo tão profundo,

Invoque de mil sóis o calor,
Consuma este orbe imundo,
Deixe apenas o vazio horror.

Matheus Filipe

terça-feira, março 13, 2007

Apologias (ou "motivos para ser tal e tal coisa")

Creio haver duas razões, ou talvez apenas uma desmembrada, para gerar a situação do engano abordada na penúltima postagem: não gosto de gentes e não me deixo conhecer pelas gentes (como disse, talvez apenas um desdobramento da primeira).

Gosto de crianças em geral, quanto mais recentes melhor, quanto menos adultas melhor. Gosto de algumas pessoas isoladamente. Mas não curto gentes, principalmente as convencionais, este último tipo me dá no saco. Sim, sou uma pessoa chata mesmo. Mas, pessoas pensando de modo convencional, nada pior para mim. Mesmo se fosse meu desejo e não o é, dificilmente me faria entender por elas. Então, prefiro não me desgastar à toa. Chamo isso de “lutar o bom combate”. Para mim, a luta apenas se justifica quando o adversário está à altura do combate, caso contrário, a batalha perde o sentido. Evidentemente a violência como o fim em si mesma não é levada em conta para motivos desta postagem. Mas violência sempre é válida. E entenda isso como bem entender.

Voltando ao tópico em questão: não gosto de gentes, talvez tenha até mesmo medo de gentes, hipótese bastante plausível. Daí o isolamento. Por sua vez, o isolamento gera o desconhecimento e a confusão. Isso tirando o fato de não me abrir com as pessoas, pelos mesmos motivos apresentados acima. Por que? Porque sou um covarde, oras. Sim, o medo quase sempre é nosso pior algoz. Isso, aliado ao comodismo, leva ao estado de apatia e letargia em relação as gentes em geral.

Engraçado, o assunto me parecia mais interessante a princípio. Assim é a vida.

quinta-feira, março 08, 2007

Balada do Vácuo

Vazias minha palavras são,
De sentimentos desprovidas,
Idéias quebradas e partidas,
Pois nelas inexiste emoção.

Figuras fúteis e distorcidas
Assombram meu coração,
Expondo apenas desolação,
Esperanças vãs e perdidas.

O negro vazio corrói a alma,
Destroça o corpo e a mente,
Arruinando qualquer calma,

Uma destruição demente,
Restando uma semi-alma,
Frágil arcabouço somente.

Matheus Filipe

quarta-feira, março 07, 2007

Engano (ou "o destino do homem é o seu caráter")

“Ouçam-me! Pois eu sou tal e tal. Sobretudo não me confundam!” Entendo perfeitamente as palavras de Nietzsche. Com certeza não existe algo pior, em minha opinião: ser confundido. Ainda mais ser confundido consigo mesmo. Isto, definitivamente, faz parte da minha sina.

As pessoas não gostam do diferente e do desconhecido. Então tratam logo de fazer julgamentos apressados, atribuir conceitos e fixar rótulos, tudo para as deixar mais confortáveis. Nessa pressa, acabam simplificando e generalizando demais as coisas. Elas não se ocupam em entender e aceitar, ou mesmo rejeitar, os outros, preferem logo partir para um julgamento com base em impressões imprecisas e preliminares. Por isso há tanto desentendimento e falhas de comunicação. As pessoas não estão interessadas em entender as outras, querem simples acabar ou se livrar do incômodo.

Passo uma impressão errada aos outros. Depois de me conhecerem superficialmente, em geral, enxergam em mim uma “força“ inexistente, isso para não falar me “monstro insensível sem coração”. Algumas pessoas me consideram imunes ao sofrimento, pois, segundo as mesmas, não ligo para coisa alguma. Uma antiga e muito estimada chefe costumava dizer “você caga e anda pra tudo”. Não é bem assim, apesar de não ser uma total inverdade. Não ligo normalmente para coisas convencionalmente consideradas importantes para outros, fato talvez já percebido em postagens anteriores. Contudo, continuo sendo humano, apenas de alguns não acharem.

O pior não é o sofrimento em si, pior é sofrer por um erro de julgamento alheio. “Fiz isso porque achei que você era forte para superar sozinho”, “não achei que você seria afetado por isso”, entre outras frases do tipo. Parte da responsabilidade por isso é minha, não há como negar. Mas poucas pessoas se interessam em tentar em entender, pois o entender em si é algo de todo um pouco mais difícil, ou complicado.

Voltarei a este assunto em outra oportunidade, pois apenas descrevi a situação. Resta ainda apresentar os meus motivos, ou minhas desculpas esfarrapadas para assim ser.

terça-feira, março 06, 2007

Canção da Besta

Ouçam, este terrível lamento,
Nascido nos abismos do coração,
Nutrido em desejos de destruição,
Exaltando um profundo tormento.

Rezem, para alcançar redenção,
Pois, nas sombras do pensamento
O animal espreita a cada momento,
Aguardando faminto sua libertação.

Libertem, a Besta cruel e selvagem,
Arrombem sua subterrânea prisão
E saciem sua sede de libertinagem,

Deixem-na entoar a devassa canção,
Tudo arrastando para a voragem,
Essa Besta chamada “paixão”.

Matheus Filipe

domingo, março 04, 2007

Desabafo (ou "fala que eu te escuto, ou pelo menos finjo")

“Obrigado por me escutar”. Já perdi a conta de por quantas e inúmeras vezes ouvi isso. Confesso um certo regozijo, uma satisfação pessoal no começa, quando escutava esse tipo de coisa. Sei lá, talvez em minha imaturidade acentuada na época, hoje ela perdeu em intensidade, sou apenas imaturo, aquilo me trazia uma alta de dose realização, me fazia sentir superior, pois era capaz, de uma maneira grosseira e instintiva, perceber as pessoas, algumas vezes até ajudá-las, creio. Engraçado alguém egoísta com eu ser considerado um bom ouvinte. Mas vá lá.

Mas hoje isso está cansando. Estou pouco de lixando para os problemas alheios, pois os meus problemas, não consigo nem de longe obter algum esclarecimento. Claro, estou bem no centro do olho do furacão, minha visão é deturpada por estar bem no meio de todo o evento. Conhecer as razões de algo nem sempre torna esse algo aceitável, ou mesmo tolerável. Mas não deixa de ser irônico: me considero egoísta mesmo, não faço quaisquer esforços para ocultar isso, contudo, todos acabam sendo egoístas no fim das contas, ou melhor, egocêntricos, querem sempre ser o centro de todas atenções. Seus problemas são sempre algo de todo drásticos. Pessoas, o que se pode fazer?

Devo admitir a contribuição negativa da minha postura diante das coisas. Não me abro com as pessoas, pois em geral não julgo ser algo válido. A falta de validade se deve exclusivamente a mim, pois não me considero uma pessoa convencional. Minhas prioridades, ou a falta das mesmas é bem destoante do normalmente aceito. Fazer uma faculdade, construir uma boa carreira, conseguir muito dinheiro, formar uma família, enfim, na maioria dos casos isso compõe a escala de valoração da nossa sociedade. Como meu valores, ou ausência de valores, contrastam com essa escala, logo de cara as pessoas já vão me encarar com uma perspectiva errada. Os julgamentos delas, sim, elas vão julgar, estarão baseados em preceitos imprecisos. E uma coisa realmente chara para mim é ter de ficar me explicando a cada duas frases.

Acho que necessitava apenas desabafar, os últimos tempos têm sido complicados e conturbados para mim. Mas, obrigado mesmo por me ouvir... Desculpe, não resistir ao vil impulso... Sou do tipo que perde o amigo, mas não perde a piada.

Priorize (ou "a habilidade de não prestar atenção...")

Pergunto-me: como posso ter plena ciência em relação ao “como” e ser total alienado quanto ao “o que”. É bem simples na verdade, pois é preciso apenas ter prioridades bem definidas. Óbvio, não? Caso tenha problemas obviedades, talvez deve ler outra coisa.

Sim, priorizar aquilo realmente importante para nós. “A habilidade de não prestar atenção aquilo que não seja importante”. Distrações, distrações e mais distrações. Deve-se livrar de todas elas. Liberte sua mente, encontre o foco e deixe fluir. É mais ou menos isso, o resto vai de improviso.

Mas o que diabos preciso mudar? Como posso quebrar esses grilhões, como posso me livrar de todo esse peso? Como posso preencher o maldito vazio? O mais importante: quais são minhas prioridades? Se não sei, quem mais poderá saber?

Estou em uma fase de melancolia e angústia, talvez pela proximidade das férias deste ano. Atualmente férias são uma fuga, uma ilusão onde me desligo dessa historinha barata, a qual finjo ser minha vida. Não poucas vezes desejo fugir para Madagascar...

Nossa, minhas postagens estão cada vez mais confusas e caóticas... C'est la vie...

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Após a tempestade (ou "pequenos espólios de carnaval")

Foi um estranho feriado, isso posso dizer. Passei por certas situações e experimentei certos sentimentos há tempos não vivenciadas e sentidos.

Esperança: a quintessência de nossa humanidade, a um só tempo a nossa maior força e o nosso pior flagelo. Não por acaso os olímpicos deuses fizeram Pandora abrir a Caixa e liberar este último mal. Afinal, sem a esperança, como iriam se divertir as divindades? Sim, as brasas da minha quase extinta esperança foram atiçadas, levemente alimentadas, mas foi o bastante para baixar a guarda e ficar exposto por algum tempo. Não, a problema não está na exposição e na quase certa frustração decorrente dela. O problema é a falta de verdade. É um paradoxo: vale a pena se arriscar por algo a qual não se sabe se vale a pena? Constrangimento, desconforto, tensão, ansiedade, tudo por nada? Aquela desalentadora sensação de rejeição, de não ser bom o bastante. Enfim, não lutar o bom combate.

Já teve receios de ficar sozinho pelo resto da sua patética e miserável vida? Então...

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Réplica (ou "é contigo mesmo, Carol")

Pelo menos minha última postagem gerou alguma repercussão. Obrigado pelo “incentivo“, Carol... Eu acho.

Sim, talvez devesse escrever sobre essa merda de situação apática e letárgica onde me encontro vagando à deriva, um náufrago de mim mesmo, posso dizer. Talvez devesse falar sobre a bile viscosa e etérea revolvendo em meu estômago, sempre estragando minha boca e amargando minha mente. Bem visceral mesmo. Sim, realmente estou muito cheio disso tudo, com certeza.

Por isso mesmo desejo lirismo e beleza, sou um escravo da estética, não posso negar. Se isso me torna superficial, paciência, não ligo a mínima. Simplesmente me delicio e me deleito com o prazer gerado pela êxtase estético. Sinto-me arrebatado, preenchido pela beleza de uma tal forma, de uma forma tão completa, não poucas vezes forma-se um nó na garganta e as lágrimas se insinuam no olhos. É isso, é exatamente esse o meu desejo: beleza. E é justamente essa a maior ausência por mim mais sentida: a falta de beleza na minha existência.

Falo dessa ausência quando falo da falta de estímulos: é uma falta de estímulos estéticos, sejam sensorial ou subjetivos.

Bem, tentei escrever algo.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Aviso (ou "se você tem uma boa desculpa, guarde pra você mesmo")

Estou em uma fase negra, ou deveria dizer branca? Sei lá. A questão é: está cada vez mais difícil escrever. Minha mente, pelo menos o setor criativo, parece estar se atrofiando. O lirismo então, tirou férias e não avisou para onde ia. Poesia. Há tempos não escrevo uma maldita estrofe completa. Vá lá que nunca fui um grande escritor (internet pode ser considerada literatura?) ou poeta (métrica? o que é isso?), mas daí há não conseguir criar um conjunto de períodos decente com alguns versos com alguma verdade? Estou em meio a um sorvedouro, em um abismo criativo. As idéias simplesmente desaparecem antes de poder dizer “putz, que dá hora!” e começar a tornar a idéia algo objetivo, não no sentido pragmático da palavra, obviamente.

É uma total falta de incentivos e estímulos, mesmo porque a motivação por si só já é bastante escassa. Não há passarinhos cantando na minha janela, no máximo umas maritacas passando ao longe. Não há flores desabrochando, no terreno baldio defronte a minha janela ergueram um depósito. Sim, estou sendo pessimista ao extremo e isso sem mencionar os aspectos profissionais. Mas isso diz respeito apenas a mim, foram minhas escolhas, então.

Resumindo essa rasgarão de seda: talvez demore em surgir algo legível e inteligível por aqui. Quem avisa amigo é, dizem as más línguas.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Sturm und Drang (ou "Tempestade e Ímpeto")

Estou possesso, acabo de perder uma página de postagem, devido sacanagem do editor de texto de resolveu foder com a porra toda quando fui salvar o texto. Quase tive uma síncope aqui, as veias da cabeça até agora estão saltadas. É tipo de cosia que ferra com a noite de um cara... Bem, vou tentar recuperar o texto... Quando eu parar de tremer de raiva...

Simples assim: nada, coisa alguma faz diferença. Uma situação ambígua, uma faca de dois gumes. O vazio pode tanto conceder as asas da intensidade e ânsia de experimentar, como pode se tornar os grilhões do comodismo e apatia da falta de motivação. “Nos tornamos livres apenas perdemos tudo”, já diria o Sr. T. Durden. Esse tudo é tudo aquilo alheio a nós, tudo aquilo agregado e impregnado em nós pela sociedade. Sou um acomodado, o vazio me incomoda, mas não o bastante creio. Já tentei as táticas da Escola Durden, com direito a olho roxo e sentir o gosto de sangue na boca. Mas um caso crônico como o meu não se resolveu com um tratamento de choque e choque é bem a palavra. Preciso avançar mais na trilha da autodestruição.

Sim, autodestruição. Às vezes as plantas precisam de uma bela poda, qualquer bom jardineiro o sabe, para voltar a crescer com viço e beleza. Algumas vezes os galhos se atrofiam e começam a impedir o crescimento da planta, ou seja, a própria planta começa a se limitar e restringir. Isso soa familiar? Um escultor, quando começa sua obra, deve descarregar toda a potência e violência de seu desejo de criar sobre a matéria-prima, é preciso quebrar e rachar o bloco de pedra antes de começar a dar forma aos traços e contornos delicados e precisos da estátua. Como o joalheiro transmuta a pedra bruta em uma fina jóia? Ele lapida a pedra, retira os excesso e aquilo de tosco, rude e grosseiro, até restar apenas o objeto de sua vontade, no caso da jóia, a estética aprazível e atraente. Algo é constante em todo aperfeiçoamento: a destruição do desnecessário e não essencial. No nosso caso, auto-aperfeiçoamento e autodestruição.

Mito e lendas estão repletos de contos e narrativas sobre isso. Um herói partindo em uma jornada épica, na qual é obrigado a comer o “pão que o diabo amassou com o rabo”, seus valores mais íntimos são atacados da forma mais vil, enfrenta toda sorte de provações e perigos, muito vezes adentrando os domínios da morte, para no fim retornar e ressurgir glorioso e purificado. Através da autodestruição encontramos a redenção: nos tornamos livres de tudo aquilo alheio a nós mesmo, nos tornamos leves, voando ao sabor do vento com nossas asas surgidas da dor.

Sim, a dor e o sofrimento são as ferramentas para lapidar a substância humana. Quando se pratica exercícios físicos e atividades atléticas, geralmente ficamos um pouco doloridos, devido ao esforço empregado; essa dor torna nossos corpos mais resistentes com o tempo, ou seja, melhores. A dor nos ensina nossos próprios limites, mostra até onde podemos ir. O sofrimento pode nos tornar mais sensíveis, mais humanos. Mas quem pode facilmente tirar proveito da dor? Não, não estou falando de masoquistas, pois o assunto é aperfeiçoamento e não prazer. Quem consegue efetivamente aprender com o sofrimento? Quem consegue usar a dor para quebrar e arrancar a crosta de futilidade e inutilidades formada sobre o essencial em nós? Quem deseja ser martelado até assumir uma forma mais agradável? Quem olha para a marreta descendo e secretamente sorri de satisfação? Quem realmente quer se autodestruir para se tornar algo novo?

Bem, estou um pouco disperso hoje, devido à combinação de “barato de analgésico” e a recente raiva. Pois bem, fica a questão: no final, seremos como a lendária Fênix ou acabaremos com o acorrentado Prometeu? Abraçaremos a auto-destruição e ressurgiremos de nossas próprias cinzas ou continuaremos a ter nossos fígados devorados pelos abutres? Se bem que o fígado regenera...

domingo, janeiro 28, 2007

Reflexões (ou "contos da carochinha para adultos(?)")

Para começo de prosa: o controle é uma ilusão, isto é fato da vida. Podemos planejar, estabelecer objetivos, traçar metas e para quê? A vida é um mar de incertezas e possibilidade. Acreditar ter algum controle, mesmo sobre nossa própria e mísera existência, é muito presunção. Temos controle apenas até o momento quando nos confrontamos impotentes contra a fatalidade das coisas, quando a vida muda as regras do jogo sem aviso prévio. Somos passíveis de toda sorte de acontecimentos, suscetíveis a um número sem-fim de variáveis. Controle é a última dentre as últimas ao nosso parco alcance.

E por falar em coisas fora de nosso alcance. Segurança. Em geral as pessoas crêem fervorosamente em uma suposta segurança, em estarem seguras, inalcançáveis, intocáveis ou mesmo, em alguns casos, invulneráveis. Tal visão é aceitável em jovens, mas alguns insistem nessa versão alternativa de Peter Pan mesmo após a juventude. As pessoas correm riscos de forma inconseqüente, por não acreditarem na realidade imediata do perigo, inerente a própria vivência. O único pré-requisito para morrer é ainda estar vivo, pois todo ser vivo morre. Mas para alguns a morte não passa de um mito improvável.

Por que de tudo isso? Simples e fácil: nós nos consideramos, enquanto indivíduos, seres raros e especiais. O centro do Universo, o ápice de toda a criação. Tudo gira ao nosso redor. O “eu” na maioria dos casos é o principal referencial das pessoas. Até aí nada demais, egoísmo é algo extremamente natural em nós. Mas coisa muda quando deixamos de ser o centro DE NOSSO mundo (egoísmo) e passamos a ser o centro DO mundo (egocentrismo). Para o primeiro, pouco importa as outras pessoas, para o segundo, as outros pessoas são o mais importante. Dentre nós não há aqueles, considerando a si mesmo os detentores da verdade, ou mesmo a verdade em si?

O que fazer? Não tão fácil assim, mas ainda sim simples: libertar-se das ilusões agregadas a nós. Não tentar controlar a vida, apenas viver a vida. Correr riscos não por inconseqüência, mas para aproveitar cada instante da vida. Procurar viver da melhor formar possível, aceitar a nossa a natureza e “sempre dizer Sim a vida”.

Nós podemos não ter controle ou segurança, mas ainda temos a capacidade de escolher. Resta saber o que fazer com isso...

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Sobre o amor (ou "bobagens que pensamos quando estamos na merda")

Não deveria ficar teorizando as coisas, mas o ócio tem dessas. Então, qual o problema? Caso exista um problema de fato...

Já fui muito romântico num passado nem tão remoto assim. Acreditava no amor com uma fé quase inabalável, como se ele fosse a minha única chance de redenção, minha única possibilidade de salvação. Minha fé no amor era apenas superada pela minha capacidade de auto-engano: às vezes desejava tanto acreditar e acabava por acreditar mesmo. Algo como se apaixonar pela idéia de amar e não pela pessoa em si. Isso aconteceu diversas vezes. Era algo extremamente efêmero e fugaz, não deixava de ser bom e agradável, mas não era de verdade e logo se tornava sufocante. Tem tentado mudar isso, mas isso esta levando a um não envolvimento com as pessoas. É complicado.

Talvez não sirva eu para relações tidas como sérias. Talvez não tenha a capacidade de me apegar às pessoas. Talvez, na vida real, não exista uma verdade totalmente plena e uma plenitude completamente verdadeira. Talvez, entrar em uma relação, seja estar ciente de trocar a possibilidade do esplêndido pela continuidade do ordinário. Em outras palavras, não trocar o certo pelo duvidoso. O filme “Alta Fidelidade” trata justamente disso, sobre o fantasia e o real. Altamente recomendado o filme. Mas não tenho estômago para uma relação meia-boca. Não sei fazer concessões. Sou extremamente egoísta. Ou mesmo hedonista. Vai saber.

Nossa, minhas palavras soam um tanto pessimistas. Estou em uma fase de pessimismo, logo.

Talvez seja eu capaz de mudar minha situação, talvez não. Talvez encontre uma pessoa e seja capaz de ver por outra perspectiva, talvez não. Tudo são possibilidades, infindas possibilidades. E eu me afogando nessa mar de possibilidades, sem qualquer tábua de salvação.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Incompreensão (ou "por que ainda falar com as pessoas")

Por que ainda falo, quer dizer, tento conversar com as pessoas? Bem, acabado de chegar em casa e pouco antes de entrar na portaria me deparo com uma cena belíssima: os rastros agonizantes do Sol, manchando o céu com suas tonalidades de amarelo, laranja, vermelho e rosa, um verdadeiro “céu de baunilha”, como um réquiem visual no horizonte do poente. Por que estou falando sobre isso? Exatamente por isso: para falar sobre isso, para falar como me senti diante dessa paisagem deslumbrante, falar do êxtase estético a me assaltar, enfim, falar apenas. Mas com quem poderia falar assim e ser corretamente compreendido, ou mesmo uma tentativa honesta de compreensão, ou ao menos atenção sem julgamentos apressados.

Por que conversar com as pessoas quando se sabe com antecedência as possíveis respostas? As pessoas são domesticadas, adestradas a pensar de certas formas e padrão, então, dentro de uma sociedade onde se preza a massificação como a nossa, a grande maioria tende a agir segundo o pensamento de rebanho e reagir segundo o pensamento coletivo instaurado. Por exemplo: existem alguns pilares sobre os quais se ergue o nosso pensamento, enquanto sociedade moderna e capitalista. O primeiro deles é o dinheiro, quando a isto não há dúvidas. A princípio tudo parece girar ao redor do poder monetário, quem somos, o que fazemos, o que desejamos, o que queremos. Tudo pode ser expresso em números e cifrões. A felicidade no imaginário coletivos é um bem de consumo, logo.

Desse pilar primário, derivam outros, como o status quo, em sua versão atual e vulgar, ou seja, manter as aparências. As pessoas são levadas a crer na necessidade se estudar, de conseguir um diploma, de construir uma carreira, de constituir uma família, de se tornar útil à sociedade, muitas vezes apenas para satisfazer “o que os outros pensam”. Construir uma vida de mentira, apenas uma fachada, apenas fingir estar tudo bem. É possível ainda haver pessoas a fazer esse esforço não por uma mentira, mas por uma verdade as avessas: elas acreditam na felicidade como fim disso tudo, acreditam na recompensa. Por esses tipos posso apenas lamentar.

Pergunto novamente: por que conversar com as pessoas? Água mole em pedra dura, tanto bate que se cansa de bater e começa a correr por outro caminho...

domingo, janeiro 14, 2007

Depois da tempestade (ou "muito barulho por nada")

Por que às vezes escrever se torna algo tão difícil, tão penoso? Em algum momento da coisa toda me perdi em mim mesmo, fiquei desorientado dentro da minha própria rotina, me deixei levar e acabei a deriva. Escrever deixou de ser uma necessidade natural, cuja satisfação causava um certo prazer, para se tornar uma obrigação auto-imposta, cuja não satisfação gera grande dose de frustração. Deveria ser assim? Não, pelo menos não creio assim.

Nos perdemos apenas quando deixamos de lado quem somos, não importando a precariedade de nossa idéia sobre nós mesmos, quando somos omissos e levianos para nós mesmos, quando apenas nos deixamos levar pela maré dos acontecimentos. Fazer coisas sem vontade, não ter vontade de fazê-las, ou seja, levar uma vida de sem-sentido. Mas não com a vulgar falta de sentido tão amplamente veiculada e difundida pela massa. Estou falando de falta de sentido para nós, de falta de sentido para mim. Como seria possível escrever quando não sou verdadeiro e sincero comigo mesmo?

É uma difícil encruzilhada: levar uma vida “normal”, com um bom emprego e um dia uma bela família, ou ser eu mesmo, apesar do pesares? Talvez quando tiver certeza da resposta possa realmente começar a escrever. Até esse momento chegar...

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Jogos de Palavras

Arte pela arte,
Arte pela vida,
Vida pela arte,
Vida pela vida?

Arte pela arte,
Arte pela morte,
Morte pela arte,
Morte pela morte?


Matheus Filipe