domingo, janeiro 28, 2007

Reflexões (ou "contos da carochinha para adultos(?)")

Para começo de prosa: o controle é uma ilusão, isto é fato da vida. Podemos planejar, estabelecer objetivos, traçar metas e para quê? A vida é um mar de incertezas e possibilidade. Acreditar ter algum controle, mesmo sobre nossa própria e mísera existência, é muito presunção. Temos controle apenas até o momento quando nos confrontamos impotentes contra a fatalidade das coisas, quando a vida muda as regras do jogo sem aviso prévio. Somos passíveis de toda sorte de acontecimentos, suscetíveis a um número sem-fim de variáveis. Controle é a última dentre as últimas ao nosso parco alcance.

E por falar em coisas fora de nosso alcance. Segurança. Em geral as pessoas crêem fervorosamente em uma suposta segurança, em estarem seguras, inalcançáveis, intocáveis ou mesmo, em alguns casos, invulneráveis. Tal visão é aceitável em jovens, mas alguns insistem nessa versão alternativa de Peter Pan mesmo após a juventude. As pessoas correm riscos de forma inconseqüente, por não acreditarem na realidade imediata do perigo, inerente a própria vivência. O único pré-requisito para morrer é ainda estar vivo, pois todo ser vivo morre. Mas para alguns a morte não passa de um mito improvável.

Por que de tudo isso? Simples e fácil: nós nos consideramos, enquanto indivíduos, seres raros e especiais. O centro do Universo, o ápice de toda a criação. Tudo gira ao nosso redor. O “eu” na maioria dos casos é o principal referencial das pessoas. Até aí nada demais, egoísmo é algo extremamente natural em nós. Mas coisa muda quando deixamos de ser o centro DE NOSSO mundo (egoísmo) e passamos a ser o centro DO mundo (egocentrismo). Para o primeiro, pouco importa as outras pessoas, para o segundo, as outros pessoas são o mais importante. Dentre nós não há aqueles, considerando a si mesmo os detentores da verdade, ou mesmo a verdade em si?

O que fazer? Não tão fácil assim, mas ainda sim simples: libertar-se das ilusões agregadas a nós. Não tentar controlar a vida, apenas viver a vida. Correr riscos não por inconseqüência, mas para aproveitar cada instante da vida. Procurar viver da melhor formar possível, aceitar a nossa a natureza e “sempre dizer Sim a vida”.

Nós podemos não ter controle ou segurança, mas ainda temos a capacidade de escolher. Resta saber o que fazer com isso...

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