quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Após a tempestade (ou "pequenos espólios de carnaval")

Foi um estranho feriado, isso posso dizer. Passei por certas situações e experimentei certos sentimentos há tempos não vivenciadas e sentidos.

Esperança: a quintessência de nossa humanidade, a um só tempo a nossa maior força e o nosso pior flagelo. Não por acaso os olímpicos deuses fizeram Pandora abrir a Caixa e liberar este último mal. Afinal, sem a esperança, como iriam se divertir as divindades? Sim, as brasas da minha quase extinta esperança foram atiçadas, levemente alimentadas, mas foi o bastante para baixar a guarda e ficar exposto por algum tempo. Não, a problema não está na exposição e na quase certa frustração decorrente dela. O problema é a falta de verdade. É um paradoxo: vale a pena se arriscar por algo a qual não se sabe se vale a pena? Constrangimento, desconforto, tensão, ansiedade, tudo por nada? Aquela desalentadora sensação de rejeição, de não ser bom o bastante. Enfim, não lutar o bom combate.

Já teve receios de ficar sozinho pelo resto da sua patética e miserável vida? Então...

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Réplica (ou "é contigo mesmo, Carol")

Pelo menos minha última postagem gerou alguma repercussão. Obrigado pelo “incentivo“, Carol... Eu acho.

Sim, talvez devesse escrever sobre essa merda de situação apática e letárgica onde me encontro vagando à deriva, um náufrago de mim mesmo, posso dizer. Talvez devesse falar sobre a bile viscosa e etérea revolvendo em meu estômago, sempre estragando minha boca e amargando minha mente. Bem visceral mesmo. Sim, realmente estou muito cheio disso tudo, com certeza.

Por isso mesmo desejo lirismo e beleza, sou um escravo da estética, não posso negar. Se isso me torna superficial, paciência, não ligo a mínima. Simplesmente me delicio e me deleito com o prazer gerado pela êxtase estético. Sinto-me arrebatado, preenchido pela beleza de uma tal forma, de uma forma tão completa, não poucas vezes forma-se um nó na garganta e as lágrimas se insinuam no olhos. É isso, é exatamente esse o meu desejo: beleza. E é justamente essa a maior ausência por mim mais sentida: a falta de beleza na minha existência.

Falo dessa ausência quando falo da falta de estímulos: é uma falta de estímulos estéticos, sejam sensorial ou subjetivos.

Bem, tentei escrever algo.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Aviso (ou "se você tem uma boa desculpa, guarde pra você mesmo")

Estou em uma fase negra, ou deveria dizer branca? Sei lá. A questão é: está cada vez mais difícil escrever. Minha mente, pelo menos o setor criativo, parece estar se atrofiando. O lirismo então, tirou férias e não avisou para onde ia. Poesia. Há tempos não escrevo uma maldita estrofe completa. Vá lá que nunca fui um grande escritor (internet pode ser considerada literatura?) ou poeta (métrica? o que é isso?), mas daí há não conseguir criar um conjunto de períodos decente com alguns versos com alguma verdade? Estou em meio a um sorvedouro, em um abismo criativo. As idéias simplesmente desaparecem antes de poder dizer “putz, que dá hora!” e começar a tornar a idéia algo objetivo, não no sentido pragmático da palavra, obviamente.

É uma total falta de incentivos e estímulos, mesmo porque a motivação por si só já é bastante escassa. Não há passarinhos cantando na minha janela, no máximo umas maritacas passando ao longe. Não há flores desabrochando, no terreno baldio defronte a minha janela ergueram um depósito. Sim, estou sendo pessimista ao extremo e isso sem mencionar os aspectos profissionais. Mas isso diz respeito apenas a mim, foram minhas escolhas, então.

Resumindo essa rasgarão de seda: talvez demore em surgir algo legível e inteligível por aqui. Quem avisa amigo é, dizem as más línguas.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Sturm und Drang (ou "Tempestade e Ímpeto")

Estou possesso, acabo de perder uma página de postagem, devido sacanagem do editor de texto de resolveu foder com a porra toda quando fui salvar o texto. Quase tive uma síncope aqui, as veias da cabeça até agora estão saltadas. É tipo de cosia que ferra com a noite de um cara... Bem, vou tentar recuperar o texto... Quando eu parar de tremer de raiva...

Simples assim: nada, coisa alguma faz diferença. Uma situação ambígua, uma faca de dois gumes. O vazio pode tanto conceder as asas da intensidade e ânsia de experimentar, como pode se tornar os grilhões do comodismo e apatia da falta de motivação. “Nos tornamos livres apenas perdemos tudo”, já diria o Sr. T. Durden. Esse tudo é tudo aquilo alheio a nós, tudo aquilo agregado e impregnado em nós pela sociedade. Sou um acomodado, o vazio me incomoda, mas não o bastante creio. Já tentei as táticas da Escola Durden, com direito a olho roxo e sentir o gosto de sangue na boca. Mas um caso crônico como o meu não se resolveu com um tratamento de choque e choque é bem a palavra. Preciso avançar mais na trilha da autodestruição.

Sim, autodestruição. Às vezes as plantas precisam de uma bela poda, qualquer bom jardineiro o sabe, para voltar a crescer com viço e beleza. Algumas vezes os galhos se atrofiam e começam a impedir o crescimento da planta, ou seja, a própria planta começa a se limitar e restringir. Isso soa familiar? Um escultor, quando começa sua obra, deve descarregar toda a potência e violência de seu desejo de criar sobre a matéria-prima, é preciso quebrar e rachar o bloco de pedra antes de começar a dar forma aos traços e contornos delicados e precisos da estátua. Como o joalheiro transmuta a pedra bruta em uma fina jóia? Ele lapida a pedra, retira os excesso e aquilo de tosco, rude e grosseiro, até restar apenas o objeto de sua vontade, no caso da jóia, a estética aprazível e atraente. Algo é constante em todo aperfeiçoamento: a destruição do desnecessário e não essencial. No nosso caso, auto-aperfeiçoamento e autodestruição.

Mito e lendas estão repletos de contos e narrativas sobre isso. Um herói partindo em uma jornada épica, na qual é obrigado a comer o “pão que o diabo amassou com o rabo”, seus valores mais íntimos são atacados da forma mais vil, enfrenta toda sorte de provações e perigos, muito vezes adentrando os domínios da morte, para no fim retornar e ressurgir glorioso e purificado. Através da autodestruição encontramos a redenção: nos tornamos livres de tudo aquilo alheio a nós mesmo, nos tornamos leves, voando ao sabor do vento com nossas asas surgidas da dor.

Sim, a dor e o sofrimento são as ferramentas para lapidar a substância humana. Quando se pratica exercícios físicos e atividades atléticas, geralmente ficamos um pouco doloridos, devido ao esforço empregado; essa dor torna nossos corpos mais resistentes com o tempo, ou seja, melhores. A dor nos ensina nossos próprios limites, mostra até onde podemos ir. O sofrimento pode nos tornar mais sensíveis, mais humanos. Mas quem pode facilmente tirar proveito da dor? Não, não estou falando de masoquistas, pois o assunto é aperfeiçoamento e não prazer. Quem consegue efetivamente aprender com o sofrimento? Quem consegue usar a dor para quebrar e arrancar a crosta de futilidade e inutilidades formada sobre o essencial em nós? Quem deseja ser martelado até assumir uma forma mais agradável? Quem olha para a marreta descendo e secretamente sorri de satisfação? Quem realmente quer se autodestruir para se tornar algo novo?

Bem, estou um pouco disperso hoje, devido à combinação de “barato de analgésico” e a recente raiva. Pois bem, fica a questão: no final, seremos como a lendária Fênix ou acabaremos com o acorrentado Prometeu? Abraçaremos a auto-destruição e ressurgiremos de nossas próprias cinzas ou continuaremos a ter nossos fígados devorados pelos abutres? Se bem que o fígado regenera...