domingo, março 25, 2007

A miséria humana (ou "a coisa nunca é tão ruim que não possa piorar")

Existem coisas, pude sentir na carne, as quais não se deveria dizer em conversas civilizadas...

Ah, a natureza humana...

Como me senti? Bem, me senti a criatura mais miserável, execrável e descartável da face deste nosso estranho planetinha. Sério, é como se pegassem sua dignidade e seu amor-próprio atirassem na privada e dessem descarga, como outra merda qualquer. Senti-me um lixo, um arremedo de ser humano, como se fosse nada, como se minha existência fosse um imperdoável desperdício no tempo-espaço. A inigualável sensação de ser bom-para-nada. Estou sendo dramático? Sim, possivelmente.

Quando li aquele conjunto de palavras, saí do ar por alguns segundo, como um pensamento permeando minha mente, "não, não estou lendo isso". Incrível nosso poder de negar o óbvio. Mas basta um segundo, ou menos, para a realidade se chocar contra o rosto como um tapa e contra o estômago como um soco. Girei em falso, fique zonzo quando a realidade me alcançou. Sim, as palavras caíram como um raio em minha desarmada mentalidade. Basta uma dezena ou mais de palavras e pronto, o mundo começa a ruir e se desmanchar bem diante dos olhos.

Sou uma pessoa combativa e meu campo de batalhas são as palavras. Sempre, ou quase sempre com vim a perceber, estou disposto a duelar, a cruzar espadas. Mas bastaram cerca de dez palavras para uma estocada certeira e fatal, atingindo bem o âmago de minhas esperanças mais íntimas. Não, de certo não merecia apenas uma repudia, uma negativa seca e dura. Não, a compaixão (leia-se "pena") e a condescendência precisavam vir à tona, mostrar suas garras e presas pérfidas. O veneno seria inoculado, a peçonha apodreceria tudo ao seu vil alcance. Alguns samurais deixavam suas armas em barris de fezes, maturando, para quando enfrentassem seus adversários, os cortes pudessem infeccionar e causar tétano. É a imagem a surgir em minha mente.

Mas sabe o pior? A não intencionalidade. Não foi um ataque premeditado, nem mesmo foi um ataque. Mas palavras exigem toda a cautela, elas são potencialidades caóticas. Podem tanto elevar aos píncaros do Paraíso como atirar nas profundezas do Inferno...

Quais foram as fatídicas palavras? Não, não sou capaz de transcrevê-las aqui. Meu masoquismo tem limites muito bem definidos. No mais, não importa o que foi dito, mas sim o efeito devastador daquelas palavras em mim e isso espero ter ficado claro.

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