domingo, maio 13, 2007

Lamaçal (ou "vida em sociedade")

Engraçado, para não dizer estranho, como a vida rotineira carece de qualquer sentido prático. Pelo menos a minha vida.

Por que fazemos certas coisas? Por que fazemos qualquer coisa? Sério, quantas das coisas desempenhadas por nós durante nossa breve existência detém em si alguma motivação real? Tire a satisfação das necessidades básicas, o que sobra? Quanto daquilo realizado por nós é de fato algo verdadeiro para nós mesmo e quanto é apenas um reflexo distorcido de outrem? Bem-vindos a humanidade.

Creio ser grande parte dessa ausência de sentido causada pela própria sociedade onde nos inserimos, ou onde somos inseridos, melhor dizendo. Para a sociedade, o indivíduo não é importante, sua relevância vai até o ponto onde contribui para o bem-comum, este sim é o fator importante. O indivíduo é apenas uma engrenagem do sistema, o mecanismo preciso das engrenagens, mas de modo algum as engrenagens são a prioridade do sistema. Bem-comum.

Por que estudamos? Por que trabalhamos? Por que formamos famílias? Já parou para se perguntar para onde sua vida vai te levar? Ela precisa levar necessariamente a algum lugar, para início de conversa? Em geral, somos levados a perseguir objetivos alheios a nós mesmos. Tudo para quê? Para nos tornamos cidadãos respeitáveis e, como diria Raul, “contribuir para o nosso belo quadro social”. Mas é esse mesmo nosso desejo? Queremos nos tornar pessoas melhores, seres humanos melhores ou cidadãos melhores, melhores para a sociedade? Quantos de nós sabem o que querem? Tenho minhas dúvidas.

Estamos afundados até o pescoço, chafurdando na lama do capitalismo. Bem, esta é mais uma postagem para dizer nada. Pelo menos nada de novo.

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