sábado, junho 09, 2007

Dominatrix (ou "O prazer em sofrer é uma faca de dois gumes")

É engraçado como às vezes as coisa acontecem. Como é preciso bater a cabeça contra a parede, com bastante força, de preferência até começar a sangrar, para enfim abrir os olhos perante a verdade irretratável bem na sua frente.

“Olha, eu até posso sentir alguma coisa por você (ou pelo menos espero que você acredite nisso). Mas você precisa se mostrar merecedor da minha ‘flor-secreta’. Por isso vou testar você (sabe, como um gato brinca com o rato, antes de comê-lo). Vou jogar um jogo perverso contigo, para ver até onde você agüenta (e saiba desde já, você vai perder)”.

O que uma pessoa um mínimo prudente faria percebendo o cheiro desse tipo de jogo? Então, fiz justamente o contrário: me atirei de cabeça na cama-de-gato armada para mim. Senti-me o próprio lemming estúpido se atirando do penhasco, apenas por ser incapaz de refrear meus instintos de autodestruição.

“Então, eu quero você (sim, para brincar contigo). Mas tenho medo de a realidade matar o sonho, tenho medo de estragar tudo (acredite, para mim é mais interessante manter as coisas suspensas no ar, indefinidas, incertas). Tenho medo de me abrir e me machucar (claro, sem contar que daí o jogo perderia toda a graça)”.

Será que no fim, serão todas as mulheres histéricas-castradoras? Sempre com seus joguinhos e suas dissimulações? Sempre insinuando o que desejamos, mas nunca de verdade se entregando? Toda essa merda cansa às vezes, sempre escolher as melhores mulheres para ferrar com a minha cabeça da forma mais fodida possível.

“Queria muito estar contigo, ao seu lado. Mas prefiro continuar assim, à distância, é melhor para ambos (essa merece uma explicação à parte, meu caro: quero sim é te deixar confuso, te levar ao paraíso para depois te arremessar ao inferno, te deixar caminhando sobre o fio da navalha, sem saber o que fazer, como agir. Estendo a mão apenas para você adentrar mais e mais na minha teia)”.

É um instinto predatório tão acentuado, não é consciente, talvez nem mesmo seja intencional. O fato de ser inconsciente provavelmente o torne mais agudo e certeiro. Gatos e ratos. Aranhas e moscas. Lobo e ovelha. Predador e presa. Efetivamente estou no segundo grupo. Uma presa fácil, muito fácil às vezes.

“Você jogou comigo, brincou com meus sentimentos, mentiu o tempo todo (sim, estou invertendo a verdade em causa própria, pode chamar de ‘justiça poética’). Você me enganou, me fez acreditar em você, me fez ter esperanças (viu, percebe como você é um monstro desalmado e eu sou apenas uma vítima inocente?). Não sei o que você queria, mas se queria me magoar, conseguiu (você deveria ter vergonha de ser tão frio e insensível assim, machucando uma pessoa tão pura e ingênua como eu). Acho melhor não nos falarmos mais (exato, a culpa é toda sua, afinal, sou uma pobre mocinha que não sabe o que faz)”.

É, sou mesmo um completo idiota. Autodestruição é minha única trilha. No fim, a responsabilidade é todo minha, não podemos fugir ao destino que escolhemos para nós mesmos.

“Adeus (foi prazer, pra mim, jogar com você, beijinhos)”.

Nenhum comentário: