domingo, agosto 16, 2009

Palavras Tristes

A tristeza se abate sobre mim, após permanecer algum tempo em silêncio. Ela surge, não como em outrora, não como um golpe na boca do estômago, não como um estrangulamento. Não, essa tristeza é qualquer de diferente, mais profunda, mais sóbria, mais terrível no fim.

É sorrateira, em um momento ela simplesmente não está lá, para no instante seguinte você começar a se perguntar “por que”. A sua pergunta pode ou não ser diferente da minha, mas é sempre um insolúvel “por que”. É sempre um pergunta sem resposta, pelo não nenhum resposta capaz de aplacar nossa angústia.

Minha tristeza nasce de minhas escolhas, não apenas as mais recentes. Na vida real, não existe uma distinção clara entre o certo e o errado. Não decidimos embasados nesses conceitos, decidimos baseamos no momento, fazemos o necessário, fazemos aquilo que é preciso fazer, para muito além do certo e do errado. Fazemos e aguardamos as conseqüências.

Você toma algumas decisões erradas, outras acertadas, mas cabe apenas ao tempo julgar a qualidade de nossas escolhas.

A nós, resta apenas seguir em frente, da melhor forma possível, ou da pior.

quarta-feira, agosto 12, 2009

Nenhum de Nós - Eu não entendo



Por que você não disse que viria?
Logo agora que eu tinha
Me curado das feridas
Que você abriu quando se foi
Por que chegou sem avisar?
Eu queria tempo pra me preparar
Com a roupa limpa, a casa em ordem
E um sorriso falso pra enganar

Eu não entendo a sua volta
Eu não entendo a sua indecisão
Num dia sou o seu grande amor
No outro dia não, não, não

Por que a surpresa da sua volta?
Justo quando eu tento vida nova
Você vem pra perguntar
Se tudo que eu sentia acabou
Você até parece um vício
Que largar é quase impossível
Exige muito sacrifício
E quando eu me considerava limpo
Vem você pra me oferecer mais
Vem você pra me oferecer mais,mais, mais!

Eu não entendo a sua volta
Eu não entendo a sua indecisão
Num dia sou o seu grande amor
no outro dia não...

domingo, junho 07, 2009

Final Fantasy VIII - Liberi Fatali



Fithos Lusec Wecos Vinosec
Fithos Lusec Wecos Vinosec
Fithos Lusec Wecos Vinosec

Excitate vos e somno, liberi mei
Cunae sunt non
Excitate vos e somno, liberi fatali
Somnus est non

Surgite
Inventite
Veni hortum veritatis
Horti verna veritatis

Ardente veritate
Urite mala mundi
Ardente veritate
Incendite tenebras mundi

Valete, liberi
Diebus fatalibus

Fithos Lusec Wecos Vinosec
Fithos Lusec Wecos Vinosec
Fithos Lusec Wecos Vinosec
Fithos Lusec Wecos Vinosec

segunda-feira, junho 01, 2009

Coldplay - The Scientist



Come up to meet you, Tell you I'm sorry
You don't know how lovely you are
I had to find you, Tell you I need you
And tell you I set you apart
Tell me your secrets, And ask me your questions
Oh let's go back to the start

Running in circles, coming tails
Heads on a silence apart

Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start

I was just guessing at numbers and figures
Pulling the puzzles apart
Questions of science, science and progress
Do not speak as loud as my heart
And tell me you love me, come back and hold me
Oh and I rush to the start

Running in circles, Chasing tails
Coming back as we are

Nobody said it was easy
Oh it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be so hard
I'm going back to the start

Aah oooh ooh ooh ooh ooh (x4)

sábado, maio 30, 2009

Invernos da alma

Sempre julgamos ser eterna a primavera quando a encontramos. O sol acolhedor, sem ser muito quente, o perfume das flores percorrendo o ar. Tudo tão cheio de cores, de sabores, de vida. De vida... Você acaba se deixando levar, enlevado pelo momento, acreditando nos sonhos da estação. Contudo, sonhos de primavera sempre são sonhos efêmeros, como as próprias flores.

Sempre advém o outono, sussurrando coisas sóbrias em nossos ouvidos. As coisas começam a perder a cor, a tinta começa a descascar deixando a mostra apenas frieza e crueldade, até então ocultas e silenciosas. Ainda resta aquela beleza melancólica do outono, aquela beleza decadente e, talvez por isso mesmo, ainda muito atraente. Existe aquela enfraquecimento, aquela dúvida, aquela desconfiança no ar. E o ventos do Sul começam a soprar.

A inverno é sempre devastador. Falsas esperanças, sonhos, mentiras, tudo tão habilmente criado e recriado, mas tudo tão frágil, tudo se despedaça em número sem-fim de cacos e estilhaços quando o frio penetra e perfura. Você atrofia, você enregela, você assiste tudo morrendo ao seu redor, tudo apodrecendo e estragando sob a inclemência invernal. Você sempre acaba morrendo, pelo menos, grande parte de você morre. A dor é imensa, pensa ser insuportável, mas sempre sobrevivemos ao inverno.

E sempre virão outras estações... Não?

quarta-feira, maio 20, 2009

Sobre/sob a névoa

Uma das razões de gostar do inverno é a neblina característica da época, pelo menos por aqui. Para mim, existe qualquer coisa de aconchegante no mistério da névoa, ocultando a paisagem outrora tão conhecida e familiar. O mundo parece ficar ainda mais pequeno e limitado, prestes a ser engolido completamente pelo esquecimento gélido e cinzento da névoa.

Tudo fica mais silencioso, mais sereno, contudo, mais surreal sob o efeito da neblina. É como estar sonhando, é como uma miragem.

A vista da ponte é qualquer coisa de sobrenatural, ver a névoa sobre o rio, subindo as encostas entre a vegetação, até cobrir todo o horizonte. Algumas vezes perece outro mundo, um mundo de vultos e enigmas.

Nunca sabemos o que vamos encontrar na neblina...

Por isso gosto do inverno.

segunda-feira, maio 18, 2009

Grilhões

Vivo em estranhos dias atualmente. Meu centro de gravidade está fora de prumo, fico girando desgovernado fora do eixo. Fico completamente perdido, desorientado, desnorteado.

Apesar de todos os problemas, das separações, dos desentendimentos, havia em mim a certeza infantil da continuidade, eu acreditava no nosso futuro, tinha esperanças em nossa história. Sim, por algum tempo o amor parecia capaz de suportar tudo. De fato, ainda me parece assim. Entretanto, o mesmo não se faz em mim. Fui fraco e, quando se fraqueja, o amor se torna um peso insustentável. Já falei sobre isso por aqui, então.

Mas e agora? Por que a dor não passa? Por que ainda continuo preso a tudo isso? Por que ainda penso nela, mesmo isso machucando tanto? Por que fica me lembrando de brincadeiras, trejeitos e esses todos pequenos detalhes de nossa história? Por que quando fecho meus olhos sempre a vejo sorrindo? Por que a voz dela ainda ecoa em meus ouvidos? Por que simplesmente não consigo deixar de amá-la?

Apenas... Quero não sentir mais essa dor... Apenas isso... Quero poder me lembrar de todos os nossos momentos juntos sem me machucar com isso toda vez...

Como bem disse uma amiga, talvez seja eu somente um garoto vivendo o seu primeiro grande amor e, conseqüentemente, sua primeira decepção amorosa...

Nem sempre o mundo precisa acabar para chegar ao fim...

sexta-feira, maio 15, 2009

"The fate of destruction is also the joy of rebirth"

Não podemos escapar de toda a inevitabilidade a preencher nossas existências. Sempre existe um ponto sem retorno, sempre há ações para quais as conseqüências assumem aspectos irreversíveis. Nada podemos contra a fatalidade inserida em cada uma de nossas escolhas.

A liberdade surge apenas quando nos desprendemos, quando aceitamos e deixamos de lutar contra o inevitável. Sim, algumas vezes devemos morrer, para assim podermos renascer, para somente assim podermos nos libertar de tudo.

Morremos a cada dia apenas para viver um pouco mais. Pois, sendo a vida o pior possível, creio ainda ser a única coisa válida e pela qual vale a pena alguma coisa. Mesmo porque, no fim, sempre teremos o benefício da morte, a liberdade sem precedentes proporcionada apenas pelo derradeiro fim.

Enquanto o fim não chega...

quarta-feira, maio 13, 2009

Para além das últimas palavras

Tento manter minha cabeça acima da linha d’águas, mas admito estar sendo muito difícil isso. Não estou suportando mais essa montanha-russa na qual meus dias mais recentes se tornaram.

Quando estou começando a respirar normalmente, a firmar minha pernas e olhar para o céu, um novo golpe me atinge na boca do estômago, novamente me atirando ao chão, entre a poeira e os escombros. Já me quebrei para além do ponto julgado possível por mim, contudo, a cada nova pancada recebida, mais cacos se formam, estilhaços cada vezes menores surgem. Talvez chegará o momento de “ao pó retornar”. Se ainda haverá sentimentos depois, não sou capaz de prever.

No princípio, abrir a ferida e deixá-la exposta até se torna insensível me parecia uma tática razoável. Porém, não está funcionando como esperado. A ferida, a dor ainda está latejando, está pulsado cheia de angústia venenosa. Simplesmente não para de doer, algumas vezes até se acalma por certo tempo, apenas para depois voltar a cravar suas presas em mim, com sua voracidade renovada. Resta-me apenas sangrar, sangrar e sangrar, até alcançar o estado de hipotermia emocional.

Sempre busquei a vida, mas minha escolhas e ações parecem me arrastar para a morte, a letargia, a não-vida. Cheguei a encontrar essa vida, cheguei a ter esperanças, sonhos. Mas agora tudo se foi. Cavei minha própria cova, abri uma sepultura em meu peito, onde meu coração será velado e enterrado.

Não quero mais. Tudo aquilo a qual sempre desejei, não tive forças para lutar, para manter, para preservar. Fugi como fugi de tudo até hoje. Mas agora estou cansado disso. Cansado de lutar contra um inimigo a qual nunca serei capaz de vencer: eu mesmo.

Vou aceitar minha natureza, ser eu mesmo até as últimas consequências, para o bem e para o mal. Nada mais importa, tudo mais perdeu o valor.

Agora percebo: por muito tempo estive a olhar para o abismo, sem me dar conta, do fato do abismo ser apenas eu mesmo.

Agora é hora de descer ao real fundo do poço, de me atirar no abismo, de mergulhar em mim.

Agora... É o silêncio antes de tempestade...

terça-feira, maio 12, 2009

Das 150 Paixões Simples

Trecho extraído de "Os 120 dias de Sodoma", escrito pelo Marquês de Sade. Se trata de umas das 150 Paixões Simples, escolhida por mim para ilustrar a grandiosidade perversa e libertina do bom Marquês... Note-se bem, é uma das "Paixões Simples"...

[...]”Mas outro visitante, mais desagradável ainda, atraía repetidas vezes meu olhar. Havia na cada uma dessas mulheres chamadas escoteiras ou trotadoras, para empregar o termo dos bordéis, cuja função é andar na rua dia e noite me busca de novas recrutas. Com mais de quarenta anos, esta criatura tinha, além de encantos desvanecidos que nunca tinham sido excepcionais, o pavoroso defeito que consiste em pés mal cheirosos. E foi por isso, nada mais, que Marquês de... se enamorou. Chega o Marquês, Dame Louise - era esse o seu nome - é-lhe apresentada, acha-a soberba, e depois de conduzi-la ao santuário do amor, ‘por favor tire os sapatos’, diz o aristocrata. Louise, que recebera ordens para usar os mesmos sapatos e meias durante um mês, oferece ao Marquês um pé que teria feito um homem de menor delicada discriminação fugir imediatamente; mas, como dizia, a própria imundice e qualidade nauseabunda eram precisamente aquilo que nosso nobre mais adorava. Pega no pé, beija-o com fervor, com sua boca afasta cada dedo, um após outro, com sua língua retira de cada espaço, e fá-lo com incomparável entusiasmo, a sujeita negra e fétida que a Natureza ali deposita e que, com um pequeno encorajamento, facilmente aumento por si própria. Não só leva essa porcaria inqualificável à boca, mas engole-a, saboreia-a, e o sêmen que perde, ao mesmo tempo que se masturba, é prova inequívoca de excessivo prazer o feito lhe dá”[...]

Viva rápido e morra jovem

Sempre achei essa frase interessante, mas creio apenas agora começar a vislumbrar seus signos obscuros. Em parte graças a um pequeno cachorro caolho.

Voltando de faculdade, um de meus ensaios masoquistas diários, defrontei ante um cão, cuja a vista direita fora cegada, recentemente me pareceu. Estava parado na esquina de um bar. Algo me chamou atenção nesta cena: a cão estava, por assim dizer, normal, parado lá, pensando suas coisas caninas, seguindo sua vida. Também por isso a natureza lhe concedeu um par de olhos e assim ele fez. Isso causou algumas reflexões em mim.

Imagine se você ou eu, um belo dia, tem um de seus olhos inutilizado, ou um perna, braço, coluna. Bem, coluna é um pouco drástico. O ponto é: ficaríamos revoltados? Arrasados? Deprimidos? Aceitaríamos os “Entwürfe von Gott”? Qual seria nossa reação diante de uma fortuna ruim? Não importa, no fim qualquer reação seria inútil, imbuída de um sentido artificial ou fantasioso, muito longe da realidade. A realidade? “Shit happens”, simples assim.

Citando Tyler Durden, “a habilidade de não prestar atenção a tudo que não seja importante”.

Aqui talvez resida a essência do título da postagem. Por que envelhecer? Por que não levar uma vida intensa?

“Vida rápido e morra jovem”.

domingo, maio 10, 2009

Tool - Schism



I know the pieces fit cuz I watched them fall away
Mildewed and smoldering. Fundamental differing.
Pure intention juxtaposed will set two lovers souls in motion
Disintegrating as it goes testing our communication
The light that fueled our fire then has burned a hole between us so
We cannot see to reach an end crippling our communication.

I know the pieces fit cuz I watched them tumble down
No fault, none to blame it doesn't mean I don't desire to
Point the finger, blame the other, watch the temple topple over.
To bring the pieces back together, rediscover communication

The poetry that comes from the squaring off between,
And the circling is worth it.
Finding beauty in the dissonance.

There was a time that the pieces fit, but I watched them fall away.
Mildewed and smoldering, strangled by our coveting
I've done the math enough to know the dangers of our second guessing
Doomed to crumble unless we grow, and strengthen our communication.

Cold silence has a tendency to atrophy any
Sense of compassion
Between supposed lovers/brothers

I know the pieces fit


Letra retirada de Letras.mus.br.

sábado, maio 09, 2009

Últimas Palavras

“Regras e responsabilidades. Estes são os laços que nós atam. Fazemos o que fazemos por sermos quem somos. Se fizéssemos diferente não seríamos nós mesmos. Farei o que devo fazer. E farei o que for preciso”.

[Sonho dos Perpétuos]

"Portanto, com a mesma certeza pela qual a pedra cai para a terra, o lobo faminto enterra suas presas na carne de sua vítima, alheio ao fato de que ele próprio é tanto o destruidor como o destruído".

[Arthur Schopenhauer]

Bem, por onde devo começar? Para podermos resguardar algo de nossa sanidade mental, devemos sempre ter algumas regras, alguns limites. Não tê-los, acabaria por nos destruir completamente. Temos duas opções: ou forjamos regras alheias a nós mesmo ou aceitamos a regras impostas por nossa natureza. Creio serem ambas opções perigosas, cada qual a sua maneira. No meu caso, optei em ser eu mesmo, para bem e para o mal. Muito mais para o mal, creio.

Minha natureza, não poucas vezes, me arrasta por caminhos tortuosos, me levando a resultados duvidosos, para dizer o mínimo. Existirá ainda em minha natureza qualquer coisa de sombrio e solitário. Mas é a minha natureza, não poderia escapar de quem eu sou, mesmo se quisesse escapar. Ao contrário, agora devo apenas mergulhar e afundar cada vezes mais nesse abismo. Devo me entregar totalmente a isso.

Machuquei, causando dor talvez muito além do suportável, a única mulher a quem posso afirmar categoricamente o meu amor. Eu a amo, possivelmente desde aquele primeiro beijo, o primeiro beijo, naquela praça perdida talvez para sempre no tempo agora. Eu a amo, mas isso não foi o bastante para conter a minha natureza egoísta e mesquinha. No fim, sou apenas uma criança, um garoto mimado. Meu mundo sempre orbital ao meu redor. Eu sou o centro da minha existência e talvez nada possa mudar isso, nem mesmo o amor. O amor é verdadeiro, mas talvez eu não seja. E entre o amor possível e o meu bem-estar, fiz a escolha mais natural a mim.

Não, não houve traição, pelo menos não da forma comum, com outra mulher. Estar com outra, seria algo impensável para mim e ainda o é. A imagem dela ainda está gravada fundo na minha pele, sua lembrança ainda está atrelada ao meu cotidiano. Mas sim, houve uma traição. Eu traí o sonhos e esperanças dela, tornando minha traição muitas vezes mais pérfida e vil. Eu traí o amor dela por mim, traí o Matheus que existiu com ela, desisti de nós.

Talvez seja eu incapaz de amar de outra forma a não ser a minha forma, egoísta e solitária. Sou uma pessoas destrutiva por natureza, não auto-destrutiva, pois devo ser imune contra minha própria peçonha. Mas sempre acabo machucando quem se aproxima demais de mim. É como tentar abraçar um porco-espinho. Talvez apenas sangrando as pessoas possam me alcançar.

Não existe remorso, não existe culpabilidade em mim. Não devo possuir os mecanismos apropriados para apreender com a experiência e com a dor. Pois sim, existe dor e existe sofrimento, mas eles são destituídos de sentido, são apenas o que são. A dor não me ensina, a dor apenas me torna mais e mais eu mesmo. É um círculo vicioso, um vício a qual já me entreguei totalmente.

Devo apenas aceitar a minha natureza e seguir em frente.

Sim, sou uma pessoa estranha... Mas quem não é?

sexta-feira, maio 08, 2009

“Sorte de hoje: Seja indispensável para alguém”

O “espírito que paira sobre a rede” parece ter um senso de humor bastante mordaz.

O peso agourento dessas palavras caiu sobre mim como o raio caí sobre a árvore. Até onde qualquer um de nós é ou pode ser indispensável para qualquer outro de nós?

Durante esta semana a terminar e na qual fui “terminado“, por assim dizer, pensei consideravelmente sobre essa questão, entre outras questões de igual calibre emocional.

Bem, indispensável mesmo, creio ser apenas o ar por nós respirado, pois, fique sem ele alguns minutos e fim de história. Qualquer outra coisa não chega a ser indispensável de fato, pois, segundo vejo as coisas, indispensável é tudo aquilo essencial para nossa existência, sem a qual perecemos. Nada me parece tão indispensável quanto o oxigênio a entrar em nossos pulmões. Todo o resto, independente da importância, não chega a ser indispensável em última análise. Quanto mais uma outra pessoa.

Sim, dói, dói muito, mas passa, como tudo mais passa em nossa efêmera existência. Podemos morrer a qualquer momento, fato muitas vezes simplesmente esquecido. Ter sempre em mente esse fato ajuda muito a clarear as coisas. A morte tem qualquer coisas de libertadora me parece. Quando comparadas a inexorável e imprevisível finitude de nossas vidas, a grande maioria das coisas deixa de importar tanto assim, passamos a prestar atenção apenas naquilo realmente indispensável para nós a qualquer momento: o ar que respiramos.

Todo o resto é questionável.

Quer ser indispensável a alguém? Simples, seja o ar dentro de seus pulmões...

quarta-feira, maio 06, 2009

Memórias de um amor inacabado

O amor nasce de um número incontável de propícios acasos. A sincronia capaz de unir duas pessoas neste nosso mundo tão aparentemente caótico é algo praticamente incabível, simplesmente escapa a compreensão. Então, não tentemos compreender essa Ordem Implícita a nos cercar. Não, apesar do tom, minhas palavras nada tem de espiritualidade. Ou talvez tenham, quem pode saber?

Enfim...

A sincronia congruente de inúmeros acasos, também chamados “coincidências”, lança exatamente aquelas duas pessoas, naquele mesmo exato ponto do espaço-tempo. Qualquer segundo não acontecido da forma como aconteceu e talvez essas pessoas nunca viessem a se encontrar.

Contudo, elas se encontraram. Em seus íntimos, talvez já soubessem estar diante do amor, talvez não. Acontece o primeiro beijo, sem dúvida o melhor de todos os beijos, o mais desejado e também o mais inesperado. Aquele, aquele beijo é a coroação máxima de todos o eventos ocorridos para unir os lábios. Dali para frente, o acaso deixa de ser a forma predominante por trás das coisas. Dali em diante, são as próprias pessoas trilhando seus caminhos. Neste ponto, acaba o “e viveram feliz para sempre” e começa a vida real.

Sim, as pessoas querem ficar juntas, afinal, elas se amam, suponho. Mas as pessoas, amem o quanto amarem, no fim são apenas pessoas. Enquanto pessoas, em geral, somos falhos, fracos, mesquinhos e egoístas. A princípio, o amor supera esses pequenos detalhes de nossas personalidades, afinal, foi preciso um universo inteiro nascer para ele acontecer.

Contudo, cada vez mais o amor exige força e coragem dos amantes. Força para confiar no amor, coragem para se desprender de todo o resto. No amor, nossa mais terrível e cruel batalha será sempre contra nós mesmos. Não se engane, será sempre você mesmo a sabotar o seu relacionamento, de uma forma ou de outra. E fatalmente, chegará um ponto onde o amor se tornará um fardo insuportável. Haverá um tempo onde o amor cobrará um sacrifício alto demais. O amor não acaba, ele apenas se torna difícil para além de nossas capacidades limitadas.

Então, abrimos mão dele, simplesmente abrimos mão do amor em função de viver uma vida menos desgastante e mais divertida. Quem pode nos culpar por isso? Quem além de nós mesmos? Fizemos o melhor para nós mesmos, não? Egoístas? E quem não é?

Contudo, existe um outro ponto. Algumas vezes apenas um dos amantes alcança a massa-crítica do amor. O outro ainda pode suportar as provações do amor, ou assim acredita. Não está pronto, não está disposto a abrir mão do amor, a desistir do ser amado. Mas o amor acontece entre duas pessoas, não pode continuar aleijado. Vai doer sim, vai machucar e muito, mas nada pode ser feito, a outra pessoas tomou sua decisão, entre o amor e o seu bem-estar, fez a escolha lógica e prática. Toda a teia de acasos a uni-los, toda a história contada pelo dois juntos, memórias, esperanças, nada disso importa agora. Em algum momento houve um sonho, mas agora o sonho acabou.

Ao herdeiro do amor, resta apenas aceitar os fatos e seguir em frente. Com o tempo, possivelmente, o amor adormece e se acalma, não chegar a findar-se, mas pelo menos deixa de doer e machucar. Com um pouco de sorte, pode até amar novamente, pode até desejar novamente. Ou pelo menos assim se espera.

Mas como bem escreveu Clarice Lispector, ...“assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... O de mais nada fazer".

Para sempre talvez seja tempo demais...

Sobre amores incompletos

"Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... O de mais nada fazer".

Clarice Lispector

P.S.: agradeço por este trecho a uma nova amiga, mas cuja a importância se faz para além das palavras nestes dias tumultuados.

terça-feira, maio 05, 2009

YUI - Again



Yume no tsuzuki oikaketeita hazu na no ni
magari kunetta hosoi michi hito ni tsumazuku
ano koro mitai nitte modoritai wake janai no
nakushite kita sora wo sagashiteru
wakatte kuremasu youni gisei ni natta youna kanashii kao wa yamete yo

tsumi wa saigo namida ja nai yo
zutto kurushiku seottekunda
deguchi mienai kanjou meiro ni dare wo matteruno

chigau note ni tsuzutta youni
motto sunao ni hakidashitai yo
nani kara nogarete iinda
genjitsutte yatsuka

nanno tameni ikiterundatte wasurechai souna yoru no mannaka
munanninatte yatteirarenai kara
kaeru basho mo nai no
kono omoi wo keshite shimau ni wa mada jinsei nagai deshou
I'm on the way
natsukashiku naru konna itami mo kangei jan

ayamaranakucha ikenai yo ne ahh gomen ne
umaku ienakutte shinpai kaketa mama datta ne
ano hi ka kaeru zenbu ashita ka kaeru zenbu
junban tsuketari wa shinai kara
wakatte kuremasu youni sotto me wo tojitanda mitakunai mono made mierundamo

ienai uwasa ni chotto
hajimete kiku hatsugen docchi
wakariattara tomodachi datte uso wa yamete ne

fukai heart ga iradatsu youni
karada no naka moete irunda
honto wa kitaishitenno
genjitsutte yatsuka

nanno tameni ikiterundatte sakebitaku naru yo kikoete imasuka
munanninatte yatteirarenai kara
kaeru basho mo nai no
yasashisa ni wa itsumo kansha shiteru dakara tsuyoku naritai
I'm on the way
susumu tameni teki mo mikata mo kangei jan

douyatte tsugi no doa akerundatte kangaeteru
mou hikikaesenai monogatari hajimatterunda
me wo samase
me wo samase

kono omoi wo keshite shimau ni wa mada jinsei nagai deshou
yarinokoshiteru koto yarinaoshite mitai kara
mou ichido yukou ka

nanno tameni ikiterundatte sakebitaku naru yo kikoete imasuka
munanninatte yatteirarenai kara
kaeru basho mo nai no
yasashisa ni wa itsumo kansha shiteru dakara tsuyoku naritai
I'm on the way
natsukashiku naru konna itami mo kangei jan


Letra retirada de Letras.mus.br.

segunda-feira, maio 04, 2009

Mais algumas palavras sobre escolhas

Toda e cada escolha feita, exige sacrifício. Quando escolhemos algo, estamos abrindo mão de todas as outras possibilidade, estamos sacrificando as outras opções em função de nossa escolha. Justamente aí reside o maior problema da escolha: para ter algo, sacrificamos todo o resto, sem qualquer garantia de estar fazendo a melhor escolha. Apenas o tempo pode nos mostrar isso.

Você faz a sua escolha e arcar com as conseqüências dela, estando consciente disto ou não, estando preparado para isso ou não. Não podemos prever todas as reverberações e ecos de nossas ações, não podemos compreender desdobramento total de nossas escolhas.

Às vezes fazemos escolhas erradas. Sim, isso de fato acontece muito. Mas nada nos resta, a não ser aprender a conviver com nossos erros e seguir em frente, pois seguir em frente acaba sendo nossa única opção. Isso, ou definhar pensando no passado e no que poderia ter sido e não foi.

Enfim. Não podemos fugir de nossas escolhas.

domingo, maio 03, 2009

The Rolling Stones - Sympathy For The Devil



Please allow me to introduce myself
I'm a man of wealth and taste
I've been around for a long, long years
Stole many a man's soul and faith

And I was 'round when Jesus Christ
Had his moment of doubt and pain
Made damn sure that Pilate
Washed his hands and sealed his fate

Pleased to meet you
Hope you guess my name
But what's puzzling you
Is the nature of my game

I stuck around St. Petersburg
When I saw it was a time for a change
Killed the czar and his ministers
Anastasia screamed in vain

I rode a tank
Held a general's rank
When the blitzkrieg raged
And the bodies stank

Pleased to meet you
Hope you guess my name, oh yeah
Ah, what's puzzling you
Is the nature of my game, oh yeah
(woo woo, woo woo)

I watched with glee
While your kings and queens
Fought for ten decades
For the gods they made
(woo woo, woo woo)

I shouted out,
"Who killed the Kennedys?"
When after all
It was you and me
(who who, who who)

Let me please introduce myself
I'm a man of wealth and taste
And I laid traps for troubadours
Who get killed before they reached Bombay
(woo woo, who who)

Pleased to meet you
Hope you guessed my name, oh yeah
(who who)
But what's puzzling you
Is the nature of my game, oh yeah, get down, baby
(who who, who who)

Pleased to meet you
Hope you guessed my name, oh yeah
But what's confusing you
Is just the nature of my game
(woo woo, who who)

Just as every cop is a criminal
And all the sinners saints
As heads is tails
Just call me Lucifer
'Cause I'm in need of some restraint
(who who, who who)

So if you meet me
Have some courtesy
Have some sympathy, and some taste
(woo woo)
Use all your well-learned politesse
Or I'll lay your soul to waste, um yeah
(woo woo, woo woo)

Pleased to meet you
Hope you guessed my name, um yeah
(who who)
But what's puzzling you
Is the nature of my game, um mean it, get down
(woo woo, woo woo)

Woo, who
Oh yeah, get on down
Oh yeah
Oh yeah!
(woo woo)

Tell me baby, what's my name
Tell me honey, can ya guess my name
Tell me baby, what's my name
I tell you one time, you're to blame

Oh, who
woo, woo
Woo, who
Woo, woo
Woo, who, who
Woo, who, who
Oh, yeah

What's my name
Tell me, baby, what's my name
Tell me, sweetie, what's my name

Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Oh, yeah
Woo woo
Woo woo


Letra retirada de Letras.mus.br.

quinta-feira, abril 30, 2009

Um último beijo...

Sinto o frio toque do metal, como um beijo gélido sobre minha pele. Um arrepio percorre meu braço, como se algo escorresse sobre e dentro de mim, até alcançar e lamber minha nuca. Com as carícias de uma amante, a lâmina continua repousando sobre meu antebraço, como se pele e metal estivessem flertando um com o outro. Aquilo parece durar uma pequena eternidade.

Então sinto a pressão, leve no começo, aumentando pouco a pouco, como se passasse lentamente do beijo suave e carinhoso para o beijo ardente de desejo. Quando a pressão chega ao limite, a lâmina desliza sobre a pele, cravando suas presas prateadas em minha carne, como a mordida de predador voraz e selvagem. A pele cede e rasga sobre o fio, a fenda se abre no tecido e pouco a pouco o sangue começa a brotar como a água brotando de uma fonte recém-aberta.

O sangue começa a correr, insidioso, pelo antebraço e pela mão, até começar a pingar. A sensação é estranha, porém aconchegante, do contato com o líquido viscoso e quente, outrora sob e agora sobre a pele. O cheiro ferruginoso é adocicado e inebriante. A dor tem qualquer coisa de prazerosa, existe qualquer coisa de uma vida exuberante na sensação lancinante e pulsante parecendo queimar e dilacerar a carne.

Tudo parece ficar mais lento, mais frio. O volume das coisas vai diminuindo, até parecerem apenas sussurros distantes. A claridade vai se perdendo, se tornando tudo um pouco difuso e nebuloso, como um sonho. Tudo parece estar em câmera lenta. A frio aumenta, vai tirando toda a sensibilidade. O corpo fica pesado. A respiração se torna difícil. Mas a sensação agora é indescritível. Um abandono. Como flutuar no espaço.

Então, fecho meus olhos pela última vez.

quarta-feira, abril 29, 2009

Quero ar em meus pulmões...

Já se sentiu perdido? Digo, completamente perdido, ou na iminência de isso acontecer? Cada vez mais me sinto mais e mais próximo do ponto sem-retorno. Talvez o abismo finalmente tenha começado a olhar dentro de mim.

Sempre levei minha vida de forma indolente e omissa, o fato dela me causar essa sensação de estar desgovernada atualmente é apenas uma conseqüência do modo como foram as coisas até agora. O fatalismo da causalidade.

A aproximação da loucura nos é perceptível? Podemos vislumbrar seu vulto em nosso cotidiano, apenas se insinuando na periferia da consciência? Talvez sejam respostas a quais prefiro não encontrar.

Sinto-me sufocado...

quinta-feira, abril 23, 2009

Sobrevivendo às escolhas

Diferença entre nós e os outros animais? Simples, nós podemos escolher. Não, não é uma questão de podermos, a diferença está em escolhermos.

A bênção duvidosa da racionalidade nos apartou da natureza. A razão se tornou uma mediação entre nós e o mundo, um mundo na qual não estamos mais integrados, ou assim gostamos de imaginar. Talvez o Plano Cartesiano tenho arrancado nossas almas, quando Descartes afirmou serem os animais desprovidos de alma, não passando de máquinas vivas. Um inversão de valores, algo bastante comum em nossa história enquanto humanidade.

Animais não escolhem, agem por instinto, estão infinitamente mais próximos da realidade, pois eles a sentem e percebem, não apenas ficam pensando sobre ela. Eles agem baseados em suas necessidades básicas, sua força motriz vem de seu desejo genético de sobrevivência. Seria fácil pensar neles como autómatos, mas não vejo assim. Eles estão integrados ao sistema onde surgiram. Não estou falando de equilíbrio e harmonia, pois isso são conceitos humanos. Cada animal vive apenas para sua própria sobrevivência e para sua continuidade enquanto espécie. Todo e qualquer ser vivo é egoísta, uma verdade gravada em nosso DNA. Contudo, a razão separou o homem da natureza, deu a ele condições de burlar as regras e trapacear, o lançado para além da Seleção Natural, ou assim preferimos pensar.

Chegamos as escolhas. Enquanto seres supostamente racionais, cada momento de nossas vivências é uma escolha, das mais simples até as mais complexas. Abrir os olhos, ficar de pé, caminhar em uma direção. Sempre estamos decidindo, mesmo quando não decidimos. E o erro nasce somente das escolhas, quando não se tem escolha, não há como errar. Sempre sacrificamos algo, abrimos mão de alguma coisa em funções de outras, quando escolhemos. A questão é não enxergarmos e não compreendermos todos os desdobramentos e as consequências de nossas decisões. A não ser quando já pode ser demasiado tarde demais.

O destino sempre residiu em nossas escolhas.

terça-feira, abril 21, 2009

Gorillaz - Feel Good Inc.



Hahahahahahahahaaaa!

8x Shake it Shake it, shop with it.
9x Feel good.

City's breaking down on a camel's back.
They just have to go cos they don't know wack
So all you fill the streets it's appealing to see
You won't get out the county, 'cos you're dead and free
You've got a new horizon It's ephemeral style.
A melancholy town where we never smile.
And all I wanna hear is the message beep.
My dreams, they've got to kiss, because I don't get sleep, no..

Windmill, Windmill for the land.
Learn forever hand in hand
Take it all in on your stride
It is sticking, falling down
Love forever love is free
Let's turn forever you and me
Windmill, windmill for the land
Is everybody in?

Laughing gas these hazmats, fast cats,
Linin' em up like ass cracks,
Ladies, homies, at the track
it's my choc-o-late attack.
Shit, I'm stepping in the heart of this here
Care bear bumping in the heart of this here
watch me as I gravitate
hahahahahahaa.
Yo, we gonna go ghost town,
this motown,
with yo sound
you're in the blink
you gonna bite the dust
Can't fight with us
With yo sound
you kill the INC.
so don't stop, get it, get it
until you're cheddar header.
Yo, watch the way I navigate
hahahahahaaa...

8x Sha-Shake it Shake it
9x Feel good.

Windmill, Windmill for the land.
Learn forever hand in hand
Take it all in on your stride
It is sticking, falling down
Love forever love is free
Let's turn forever you and me
Windmill, windmill for the land
Is everybody in?

Dont shock, shit it, get it
bleep how you captains in it
steady, watch me navigate
hahahahahaaa..

Dont shock, shit it, get it
bleep how you captains in it
steady, watch me navigate
hahahahahaaa...

8x Sha-Shake it Shake it
9x Feel good.


Letra retirada de Letras.mus.br.

Algumas palavras sobre o amor

O Amor. El Amor. L’Amore. L’Amour. Die Liebe. The Love.

Primeiramente esqueçamos as noções fantasiosas saídas de contos-de-fada, juntamente com todas as fantasias idealizadas, os conceitos estereotipados, fortemente impregnados a palavra “amor”, devido a questões culturais diversas. Como uma fórmula arcana, o “amor” conjura em nossos íntimos toda uma séries de associações, fantasias surgem, sonhos emergem e muitas vezes deliramos com a promessa insinuada. Contudo, contos-de-fada são sempre simplificações, da forma como chegaram a nós pelo menos, muitas vezes grosserias da realidade. “E viveram feliz para sempre”? Fácil assim? O “final feliz” é feliz apenas por termina ali, apensar por ser um sempre previamente delimitado. Quando algo tem começo e fim bem definidos, fica fácil empurrar um “final feliz”. Quando estamos inseridos no processo em movimento, as coisas se tornam um pouco mais complicadas.

Complicadas por sermos pessoas e como pessoas, sempre vamos complicar tudo, sejam fáceis o quanto forem as coisas. Pessoas estranhas vivendo em um mundo estranho...

Agora, o amor real, o amor possível. Bem, uma das tristes verdades sobre o amor é fato de, em alguns dados momentos de nossas vivências, ele não ser o suficiente para manter duas pessoas juntas. Somos seres humanos, somos medrosos, mesquinhos e egoístas. E o amor exige coragem de quem ama, exige força, exige vontade. Ao contrário das paixões avassaladoras, contudo efêmeras, o amor precisa ser uma decisão, é uma escolha a ser feita. O amor pode nascer devido as forças do acaso, mas sua permanência não será obra do acaso. Haverá sacrifícios, dor e sofrimento. Assim como haverá recompensas, prazer e crescimento. Muitas vezes é preciso abrir mão, algumas vezes é preciso saber deixar ir.

O amor entre criaturas imperfeitas não teria possibilidade de ser ele mesmo perfeito.

Mas o amor sem duvida é ainda a nossa melhor chance de redenção.

Até o fim do mundo...

quarta-feira, março 25, 2009

Algumas palavras ecológicas...

O que estamos fazendo o nosso planeta? Bem, primeiramente, vamos esquecer essa coisa de “nosso”. O planeta não nos pertence, não é nossa propriedade, apesar de o considerarmos como sendo nosso grande quintal, parque de diversões, depósito de lixo, o que for.

Estamos neste planeta, mais ou menos da mesma forma como nos apresentamos hoje, a quanto tempo? Por volta de 100 mil anos. A civilização surgiu a cerca de 10 mil anos. E há quanto tempo o planeta existe? Algo em torno de 4,5 bilhões de anos. Percebem a discrepância? Ou seja, somos recém-chegados e ainda agimos como se fossemos os donos da festa.

A Terra é nossa hospedeira, assim como de todas as outras formas de vida. Tudo faz parte da mesma coisa, um grande sistema planetário.

E o que fazemos com o planeta? Bem, nós o envenenamos de todas as formas possíveis e já inventadas. Nota, no processo, acabamos por envenenar a nós mesmos. Fazemos parte do planeta, não há como causa danos a ele e sairmos ilesos. Da forma como estamos, nossa civilização cresce construindo sobre sua própria sepultura.

A Terra com certeza pode se recuperar e seguir em frente sem os seres humanos, mas o inverso não é verdadeiro.

Hora do Planeta 2009.

quarta-feira, março 18, 2009

Lapsos de Memória

Nossas memórias são registros, são impressões sensoriais gravadas em nosso tecido cerebral através de processos eletroquímicos, armazenando as informações por nós recebidas em nossas vivências. Segundo algumas pessoas, toda a informação recebida através de nossos sentidos é gravada, mesmo não podendo ser conscientemente acessadas posteriormente, elas estão lá, enterradas no fundo de nossos cérebros.

Nossa mente, nossa consciência, aquilo por nós chamado de “eu”, pode ser apenas a nossa força motriz emocional e instintiva, intrínseca aos nossos cérebros, se projetando através das diversas camadas dentro da trama de dados formada pelas memórias gravadas. Talvez, essa consciência superficial seja apenas uma projeção de nós mesmos, talvez já bem distante e distorcida em relação o princípio originário.

Isso nos leva a outra questões interessantes. Quais são os limites de nossa memória? Nosso cérebro registra realmente todas as informações por nós recebidas? E qual seria a nossa capacidade, consciente e extremamente limitada, de acessar todo esse universo de dados armazenados em nosso inconsciente? Indo além, essas lembranças são confiáveis de fato? Representam os fatos e acontecimentos da forma como aconteceram de fato? Esse registros podem ser alterados, podem ser corrompidos de alguma forma? Existe realmente uma ordem cronológica em nossas memórias?

Déjà vu, por exemplo, uma memória pré-existente sobre eventos nela registrados? Uma sensação de estar revivendo um situação, algo já acontecido, mas ainda não acontecido? Alguma vez já teve um sonho e este sonho veio a acontecer novamente, depois de um lapso variável de tempo, enquanto estava desperto? Esses acessos de memória, supostamente defeituosos, seriam falhas de processamento, de interpretação ou no próprio acesso as informações?

Nossa memória é um quebra-cabeça. E talvez, estejamos olhando para ele da forma errada...