Nossas memórias são registros, são impressões sensoriais gravadas em nosso tecido cerebral através de processos eletroquímicos, armazenando as informações por nós recebidas em nossas vivências. Segundo algumas pessoas, toda a informação recebida através de nossos sentidos é gravada, mesmo não podendo ser conscientemente acessadas posteriormente, elas estão lá, enterradas no fundo de nossos cérebros.
Nossa mente, nossa consciência, aquilo por nós chamado de “eu”, pode ser apenas a nossa força motriz emocional e instintiva, intrínseca aos nossos cérebros, se projetando através das diversas camadas dentro da trama de dados formada pelas memórias gravadas. Talvez, essa consciência superficial seja apenas uma projeção de nós mesmos, talvez já bem distante e distorcida em relação o princípio originário.
Isso nos leva a outra questões interessantes. Quais são os limites de nossa memória? Nosso cérebro registra realmente todas as informações por nós recebidas? E qual seria a nossa capacidade, consciente e extremamente limitada, de acessar todo esse universo de dados armazenados em nosso inconsciente? Indo além, essas lembranças são confiáveis de fato? Representam os fatos e acontecimentos da forma como aconteceram de fato? Esse registros podem ser alterados, podem ser corrompidos de alguma forma? Existe realmente uma ordem cronológica em nossas memórias?
Déjà vu, por exemplo, uma memória pré-existente sobre eventos nela registrados? Uma sensação de estar revivendo um situação, algo já acontecido, mas ainda não acontecido? Alguma vez já teve um sonho e este sonho veio a acontecer novamente, depois de um lapso variável de tempo, enquanto estava desperto? Esses acessos de memória, supostamente defeituosos, seriam falhas de processamento, de interpretação ou no próprio acesso as informações?
Nossa memória é um quebra-cabeça. E talvez, estejamos olhando para ele da forma errada...