quinta-feira, abril 30, 2009

Um último beijo...

Sinto o frio toque do metal, como um beijo gélido sobre minha pele. Um arrepio percorre meu braço, como se algo escorresse sobre e dentro de mim, até alcançar e lamber minha nuca. Com as carícias de uma amante, a lâmina continua repousando sobre meu antebraço, como se pele e metal estivessem flertando um com o outro. Aquilo parece durar uma pequena eternidade.

Então sinto a pressão, leve no começo, aumentando pouco a pouco, como se passasse lentamente do beijo suave e carinhoso para o beijo ardente de desejo. Quando a pressão chega ao limite, a lâmina desliza sobre a pele, cravando suas presas prateadas em minha carne, como a mordida de predador voraz e selvagem. A pele cede e rasga sobre o fio, a fenda se abre no tecido e pouco a pouco o sangue começa a brotar como a água brotando de uma fonte recém-aberta.

O sangue começa a correr, insidioso, pelo antebraço e pela mão, até começar a pingar. A sensação é estranha, porém aconchegante, do contato com o líquido viscoso e quente, outrora sob e agora sobre a pele. O cheiro ferruginoso é adocicado e inebriante. A dor tem qualquer coisa de prazerosa, existe qualquer coisa de uma vida exuberante na sensação lancinante e pulsante parecendo queimar e dilacerar a carne.

Tudo parece ficar mais lento, mais frio. O volume das coisas vai diminuindo, até parecerem apenas sussurros distantes. A claridade vai se perdendo, se tornando tudo um pouco difuso e nebuloso, como um sonho. Tudo parece estar em câmera lenta. A frio aumenta, vai tirando toda a sensibilidade. O corpo fica pesado. A respiração se torna difícil. Mas a sensação agora é indescritível. Um abandono. Como flutuar no espaço.

Então, fecho meus olhos pela última vez.

quarta-feira, abril 29, 2009

Quero ar em meus pulmões...

Já se sentiu perdido? Digo, completamente perdido, ou na iminência de isso acontecer? Cada vez mais me sinto mais e mais próximo do ponto sem-retorno. Talvez o abismo finalmente tenha começado a olhar dentro de mim.

Sempre levei minha vida de forma indolente e omissa, o fato dela me causar essa sensação de estar desgovernada atualmente é apenas uma conseqüência do modo como foram as coisas até agora. O fatalismo da causalidade.

A aproximação da loucura nos é perceptível? Podemos vislumbrar seu vulto em nosso cotidiano, apenas se insinuando na periferia da consciência? Talvez sejam respostas a quais prefiro não encontrar.

Sinto-me sufocado...

quinta-feira, abril 23, 2009

Sobrevivendo às escolhas

Diferença entre nós e os outros animais? Simples, nós podemos escolher. Não, não é uma questão de podermos, a diferença está em escolhermos.

A bênção duvidosa da racionalidade nos apartou da natureza. A razão se tornou uma mediação entre nós e o mundo, um mundo na qual não estamos mais integrados, ou assim gostamos de imaginar. Talvez o Plano Cartesiano tenho arrancado nossas almas, quando Descartes afirmou serem os animais desprovidos de alma, não passando de máquinas vivas. Um inversão de valores, algo bastante comum em nossa história enquanto humanidade.

Animais não escolhem, agem por instinto, estão infinitamente mais próximos da realidade, pois eles a sentem e percebem, não apenas ficam pensando sobre ela. Eles agem baseados em suas necessidades básicas, sua força motriz vem de seu desejo genético de sobrevivência. Seria fácil pensar neles como autómatos, mas não vejo assim. Eles estão integrados ao sistema onde surgiram. Não estou falando de equilíbrio e harmonia, pois isso são conceitos humanos. Cada animal vive apenas para sua própria sobrevivência e para sua continuidade enquanto espécie. Todo e qualquer ser vivo é egoísta, uma verdade gravada em nosso DNA. Contudo, a razão separou o homem da natureza, deu a ele condições de burlar as regras e trapacear, o lançado para além da Seleção Natural, ou assim preferimos pensar.

Chegamos as escolhas. Enquanto seres supostamente racionais, cada momento de nossas vivências é uma escolha, das mais simples até as mais complexas. Abrir os olhos, ficar de pé, caminhar em uma direção. Sempre estamos decidindo, mesmo quando não decidimos. E o erro nasce somente das escolhas, quando não se tem escolha, não há como errar. Sempre sacrificamos algo, abrimos mão de alguma coisa em funções de outras, quando escolhemos. A questão é não enxergarmos e não compreendermos todos os desdobramentos e as consequências de nossas decisões. A não ser quando já pode ser demasiado tarde demais.

O destino sempre residiu em nossas escolhas.

terça-feira, abril 21, 2009

Gorillaz - Feel Good Inc.



Hahahahahahahahaaaa!

8x Shake it Shake it, shop with it.
9x Feel good.

City's breaking down on a camel's back.
They just have to go cos they don't know wack
So all you fill the streets it's appealing to see
You won't get out the county, 'cos you're dead and free
You've got a new horizon It's ephemeral style.
A melancholy town where we never smile.
And all I wanna hear is the message beep.
My dreams, they've got to kiss, because I don't get sleep, no..

Windmill, Windmill for the land.
Learn forever hand in hand
Take it all in on your stride
It is sticking, falling down
Love forever love is free
Let's turn forever you and me
Windmill, windmill for the land
Is everybody in?

Laughing gas these hazmats, fast cats,
Linin' em up like ass cracks,
Ladies, homies, at the track
it's my choc-o-late attack.
Shit, I'm stepping in the heart of this here
Care bear bumping in the heart of this here
watch me as I gravitate
hahahahahahaa.
Yo, we gonna go ghost town,
this motown,
with yo sound
you're in the blink
you gonna bite the dust
Can't fight with us
With yo sound
you kill the INC.
so don't stop, get it, get it
until you're cheddar header.
Yo, watch the way I navigate
hahahahahaaa...

8x Sha-Shake it Shake it
9x Feel good.

Windmill, Windmill for the land.
Learn forever hand in hand
Take it all in on your stride
It is sticking, falling down
Love forever love is free
Let's turn forever you and me
Windmill, windmill for the land
Is everybody in?

Dont shock, shit it, get it
bleep how you captains in it
steady, watch me navigate
hahahahahaaa..

Dont shock, shit it, get it
bleep how you captains in it
steady, watch me navigate
hahahahahaaa...

8x Sha-Shake it Shake it
9x Feel good.


Letra retirada de Letras.mus.br.

Algumas palavras sobre o amor

O Amor. El Amor. L’Amore. L’Amour. Die Liebe. The Love.

Primeiramente esqueçamos as noções fantasiosas saídas de contos-de-fada, juntamente com todas as fantasias idealizadas, os conceitos estereotipados, fortemente impregnados a palavra “amor”, devido a questões culturais diversas. Como uma fórmula arcana, o “amor” conjura em nossos íntimos toda uma séries de associações, fantasias surgem, sonhos emergem e muitas vezes deliramos com a promessa insinuada. Contudo, contos-de-fada são sempre simplificações, da forma como chegaram a nós pelo menos, muitas vezes grosserias da realidade. “E viveram feliz para sempre”? Fácil assim? O “final feliz” é feliz apenas por termina ali, apensar por ser um sempre previamente delimitado. Quando algo tem começo e fim bem definidos, fica fácil empurrar um “final feliz”. Quando estamos inseridos no processo em movimento, as coisas se tornam um pouco mais complicadas.

Complicadas por sermos pessoas e como pessoas, sempre vamos complicar tudo, sejam fáceis o quanto forem as coisas. Pessoas estranhas vivendo em um mundo estranho...

Agora, o amor real, o amor possível. Bem, uma das tristes verdades sobre o amor é fato de, em alguns dados momentos de nossas vivências, ele não ser o suficiente para manter duas pessoas juntas. Somos seres humanos, somos medrosos, mesquinhos e egoístas. E o amor exige coragem de quem ama, exige força, exige vontade. Ao contrário das paixões avassaladoras, contudo efêmeras, o amor precisa ser uma decisão, é uma escolha a ser feita. O amor pode nascer devido as forças do acaso, mas sua permanência não será obra do acaso. Haverá sacrifícios, dor e sofrimento. Assim como haverá recompensas, prazer e crescimento. Muitas vezes é preciso abrir mão, algumas vezes é preciso saber deixar ir.

O amor entre criaturas imperfeitas não teria possibilidade de ser ele mesmo perfeito.

Mas o amor sem duvida é ainda a nossa melhor chance de redenção.

Até o fim do mundo...