Tento manter minha cabeça acima da linha d’águas, mas admito estar sendo muito difícil isso. Não estou suportando mais essa montanha-russa na qual meus dias mais recentes se tornaram.
Quando estou começando a respirar normalmente, a firmar minha pernas e olhar para o céu, um novo golpe me atinge na boca do estômago, novamente me atirando ao chão, entre a poeira e os escombros. Já me quebrei para além do ponto julgado possível por mim, contudo, a cada nova pancada recebida, mais cacos se formam, estilhaços cada vezes menores surgem. Talvez chegará o momento de “ao pó retornar”. Se ainda haverá sentimentos depois, não sou capaz de prever.
No princípio, abrir a ferida e deixá-la exposta até se torna insensível me parecia uma tática razoável. Porém, não está funcionando como esperado. A ferida, a dor ainda está latejando, está pulsado cheia de angústia venenosa. Simplesmente não para de doer, algumas vezes até se acalma por certo tempo, apenas para depois voltar a cravar suas presas em mim, com sua voracidade renovada. Resta-me apenas sangrar, sangrar e sangrar, até alcançar o estado de hipotermia emocional.
Sempre busquei a vida, mas minha escolhas e ações parecem me arrastar para a morte, a letargia, a não-vida. Cheguei a encontrar essa vida, cheguei a ter esperanças, sonhos. Mas agora tudo se foi. Cavei minha própria cova, abri uma sepultura em meu peito, onde meu coração será velado e enterrado.
Não quero mais. Tudo aquilo a qual sempre desejei, não tive forças para lutar, para manter, para preservar. Fugi como fugi de tudo até hoje. Mas agora estou cansado disso. Cansado de lutar contra um inimigo a qual nunca serei capaz de vencer: eu mesmo.
Vou aceitar minha natureza, ser eu mesmo até as últimas consequências, para o bem e para o mal. Nada mais importa, tudo mais perdeu o valor.
Agora percebo: por muito tempo estive a olhar para o abismo, sem me dar conta, do fato do abismo ser apenas eu mesmo.
Agora é hora de descer ao real fundo do poço, de me atirar no abismo, de mergulhar em mim.
Agora... É o silêncio antes de tempestade...
Retórica?
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Vejam só, quanto tempo se passou desde que uma ideia foi depositada neste
pequeno recanto de pensamentos obscuros.
Aos poucos leitores, um com certeza - ...
Há 10 anos