sábado, maio 30, 2009

Invernos da alma

Sempre julgamos ser eterna a primavera quando a encontramos. O sol acolhedor, sem ser muito quente, o perfume das flores percorrendo o ar. Tudo tão cheio de cores, de sabores, de vida. De vida... Você acaba se deixando levar, enlevado pelo momento, acreditando nos sonhos da estação. Contudo, sonhos de primavera sempre são sonhos efêmeros, como as próprias flores.

Sempre advém o outono, sussurrando coisas sóbrias em nossos ouvidos. As coisas começam a perder a cor, a tinta começa a descascar deixando a mostra apenas frieza e crueldade, até então ocultas e silenciosas. Ainda resta aquela beleza melancólica do outono, aquela beleza decadente e, talvez por isso mesmo, ainda muito atraente. Existe aquela enfraquecimento, aquela dúvida, aquela desconfiança no ar. E o ventos do Sul começam a soprar.

A inverno é sempre devastador. Falsas esperanças, sonhos, mentiras, tudo tão habilmente criado e recriado, mas tudo tão frágil, tudo se despedaça em número sem-fim de cacos e estilhaços quando o frio penetra e perfura. Você atrofia, você enregela, você assiste tudo morrendo ao seu redor, tudo apodrecendo e estragando sob a inclemência invernal. Você sempre acaba morrendo, pelo menos, grande parte de você morre. A dor é imensa, pensa ser insuportável, mas sempre sobrevivemos ao inverno.

E sempre virão outras estações... Não?