“Regras e responsabilidades. Estes são os laços que nós atam. Fazemos o que fazemos por sermos quem somos. Se fizéssemos diferente não seríamos nós mesmos. Farei o que devo fazer. E farei o que for preciso”.
[Sonho dos Perpétuos]
"Portanto, com a mesma certeza pela qual a pedra cai para a terra, o lobo faminto enterra suas presas na carne de sua vítima, alheio ao fato de que ele próprio é tanto o destruidor como o destruído".
[Arthur Schopenhauer]
Bem, por onde devo começar? Para podermos resguardar algo de nossa sanidade mental, devemos sempre ter algumas regras, alguns limites. Não tê-los, acabaria por nos destruir completamente. Temos duas opções: ou forjamos regras alheias a nós mesmo ou aceitamos a regras impostas por nossa natureza. Creio serem ambas opções perigosas, cada qual a sua maneira. No meu caso, optei em ser eu mesmo, para bem e para o mal. Muito mais para o mal, creio.
Minha natureza, não poucas vezes, me arrasta por caminhos tortuosos, me levando a resultados duvidosos, para dizer o mínimo. Existirá ainda em minha natureza qualquer coisa de sombrio e solitário. Mas é a minha natureza, não poderia escapar de quem eu sou, mesmo se quisesse escapar. Ao contrário, agora devo apenas mergulhar e afundar cada vezes mais nesse abismo. Devo me entregar totalmente a isso.
Machuquei, causando dor talvez muito além do suportável, a única mulher a quem posso afirmar categoricamente o meu amor. Eu a amo, possivelmente desde aquele primeiro beijo, o primeiro beijo, naquela praça perdida talvez para sempre no tempo agora. Eu a amo, mas isso não foi o bastante para conter a minha natureza egoísta e mesquinha. No fim, sou apenas uma criança, um garoto mimado. Meu mundo sempre orbital ao meu redor. Eu sou o centro da minha existência e talvez nada possa mudar isso, nem mesmo o amor. O amor é verdadeiro, mas talvez eu não seja. E entre o amor possível e o meu bem-estar, fiz a escolha mais natural a mim.
Não, não houve traição, pelo menos não da forma comum, com outra mulher. Estar com outra, seria algo impensável para mim e ainda o é. A imagem dela ainda está gravada fundo na minha pele, sua lembrança ainda está atrelada ao meu cotidiano. Mas sim, houve uma traição. Eu traí o sonhos e esperanças dela, tornando minha traição muitas vezes mais pérfida e vil. Eu traí o amor dela por mim, traí o Matheus que existiu com ela, desisti de nós.
Talvez seja eu incapaz de amar de outra forma a não ser a minha forma, egoísta e solitária. Sou uma pessoas destrutiva por natureza, não auto-destrutiva, pois devo ser imune contra minha própria peçonha. Mas sempre acabo machucando quem se aproxima demais de mim. É como tentar abraçar um porco-espinho. Talvez apenas sangrando as pessoas possam me alcançar.
Não existe remorso, não existe culpabilidade em mim. Não devo possuir os mecanismos apropriados para apreender com a experiência e com a dor. Pois sim, existe dor e existe sofrimento, mas eles são destituídos de sentido, são apenas o que são. A dor não me ensina, a dor apenas me torna mais e mais eu mesmo. É um círculo vicioso, um vício a qual já me entreguei totalmente.
Devo apenas aceitar a minha natureza e seguir em frente.
Sim, sou uma pessoa estranha... Mas quem não é?
Retórica?
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Vejam só, quanto tempo se passou desde que uma ideia foi depositada neste
pequeno recanto de pensamentos obscuros.
Aos poucos leitores, um com certeza - ...
Há 10 anos