domingo, setembro 12, 2010

Alguma sugestão para o título?

Você se diverte, na maior parte do tempo, sendo você? É isso mesmo, perguntei se acha divertido ser você. Caso você seja você, obviamente. Até onde imagino, um número expressivo de pessoas a cruzar o seu caminho não são elas mesmas. Em geral, como já disse por aqui, as pessoas tentam ser quem elas imaginam ser a pessoa esperada pelas outras pessoas.

Voltando, antes de me perder ainda mais. Falando por mim, grande parte do tempo, algo em torno de 72,85% aproximadamente, acho extremamente divertido ser eu. Evidente ter meus momentos ruins e dias estranhos, mas no geral. No geral sou uma pessoa volúvel e instável, embora intensa. Sou um escravo de meus gostos e do prazer gerado por eles. Somente não afirmo aqui ser hedonista por, infelizmente, não possuir condições técnicas e logísticas para levar a termo tal afirmação. Quem me dera poder. Mas, "a rede é vasta e a possibilidade... Infinitas".

Não se engane, ser quem se é, quase sempre, envolve trilhas tortuosas. As pessoas não apreciam perceber quando você "caga e anda" para elas. Justo o contrário. Na CNTP, ou você é você ou você agrada os outros, as duas coisas ao mesmo tempo considero um pouco complicado demais, segundo penso. É possível, caso seja uma pessoa intrinsecamente agradável e mesmo assim, as pessoas podem acabar melindradas por sua agradabilidade. O que esperava? Pessoas, no fim das contas, são apenas pessoas. Não se pode agradá-las, em grande número e por muito tempo. Justo por isso, prefiro agradar a mim mesmo apenas, bem mais fácil.

Nas palavras cantadas do Rauzito, inspirado por palavras escritas pelo Sr. Crowley, "faça o que tu queres pois é tudo da lei".

sexta-feira, setembro 10, 2010

Ventos de Tempestade.

Certos dias... Acordo sentido o vazio dentro de mim inquieto, arranhando as portas querendo sair. Pressionando e forçando, com a ameaça de arrebentar tudo em seu caminho, incluindo-se aí eu mesmo. Para minha sorte, me sinto assim com frequência bastante baixa ultimamente. Sou uma pessoa guiada por meus ventos internos, e estou à deriva em meu próprio mar, ao sabor de minhas próprias condições climáticas. E não se engane, cada um de nós está aprisionado em seu próprio mar, mundo, realidade, não importe como você a chame, a sua experiência humana é única e exclusivamente sua. 

Estava em um período de calmaria. Contudo, os últimos dias tem se mostrado estranhos, para dizer o mínimo. Estranheza essa se deve possivelmente a vários fatores aliados, os quais não cabem serem citados aqui hoje. Hoje acordei sentindo o vazio mencionado acima, o qual já parou de soprar. Uma sorte diversa de sentimentos estão se alternando em mim, uma rajada após a outra, atualmente. Vou de um extremo ao outro, da tristeza profunda à alegria parcialmente insana. A melhor palavra talvez seja "alucinado", embora não sofra de alucinações. "Licensa Poética", se você me permite.

Não sei para onde vou daqui, os sinais da tempestade estão cada vez mais claros. O cheiro de eletricidade no ar, aquele assobio do vento por entre as frestas da consciência, o silêncio nas periferias da mente. A tormenta virá, cedo ou tarde, talvez seja apenas chuva suave, mas talvez caia sobre mim como um martelo. Sinceramente não posso prever, embora não me preocupe. A roda já começou a girar e seu movimento fatalista não pode ser estancado, restando a mim apenas aguardar o inevitável.

E quando vier, olharei o demônio da procela nos olhos e farei o que for preciso.
O resultado, termine eu como náufrago ou como desbravador, cabe somente ao tempo dizer.

Algumas postagens escapam totalmente do meu controle...

quarta-feira, setembro 08, 2010

"O importante é aquilo que importa".

O que lhe mantém vivo? Qual aquele algo sem a qual você morreria? Muitas respostas podem surgir a estas indagações, das mais básicas e simples até as mais complexas e metafísicas. Entretanto, na minha opinião, é bastante óbvio: precisamos respirar para continuarmos vivos. Quanto tempo consegue ficar sem comer? Sem beber? Sem dormir? Agora, quanto tempo conseguiria ficar sem respirar? Relativamente pouco, não?

Em um escala de prioridades, o ar a entrar em nossos pulmões é de importância crítica, para não dizer vital. Embora assim seja, por ser algo tão disponível, acaba por parecer comum e sem importância. A quantidade de ar disponível é facilmente explicável, dado o fato de nós existirmos em função dele e não o contrário. Nós se sempre nos colocamos como o centro do universo, como se tudo mais girasse ao nosso redor. Qualquer um com uma mínima noção sobre o processo evolutivo sabe não ser bem assim. Mas enfim.

Quando você coloca as coisas em seus devidos lugares, muitas delas acabam perdendo peso e importância. Muitas coisas com as quais nos preocupamos, em última instância, tem relevância nenhuma em nossas vidas. A maioria delas são valores simples impostos, como por exemplo, fazer uma faculdade, construir uma carreira, formar uma família, comprar uma casa, resumindo, ser um cidadão responsável e cumpridor de seus deveres. Para que? Por que fazer qualquer uma dessas coisas? Apenas por ser o esperado pelos outros? Infelizmente esse não parece ser o caminho para mim, mas apenas o tempo poderá dizer.

Quando você estiver confuso e perdido em meio as acontecimentos de sua existência, simplesmente pare, inspire profundamente o ar e depois expire lentamente. E lembre-se: sua vida, em grande parte, se deve a este ato aparentemente simples e sem qualquer importância.

Lembro-me de um diálogo entre as personagens da tirinha "As Cobras" de Luiz Fernando Veríssimo, onde as referidas haviam recente quebrado seus ovos (não serão exatamente as palavras, mesmo porque isso já faz uns dez anos talvez):
Cobra da esquerda: E agora que nascemos, como vamos fazer? Como vamos viver?
Cobra da direita, mexendo em seu ovo: Bem, eu vim com manual de instruções.
Cobra da direita, após ler o manual: "Respire com regularidade e de resto, improvise".

sexta-feira, setembro 03, 2010

Indo além de nós mesmos.

Apesar da possibilidade de redundância, após reler as duas últimas postagens (esta e esta), acho interessante abordar um tema em particular, pois em ambas o ponto-chave é o mesmo: limites. Você, por exemplo, sabe quais são seus limites? Realmente tem alguma ciência de até onde pode e consegue ir? No meu caso, a resposta é não.

O ser humano não é coisa acabada, somos um processo em andamento, sem finalidades previamente estabelecidas. Cada escolha nos leva a uma nova etapa e para novas escolhas. Não existe um ponto de chegada claramente definido, há apenas a trilha sendo percorrida. E nessa mar caótico, imersos em um número sem-fim de possibilidades, nem tudo nos é acessível, existem sim coisas além de nosso alcance. Existem limites.

Entretanto, essa não é a parte interessante. O interessante é perceber como a grande maioria de nós, apesar não ter conhecimento de seus próprios limites, ainda assim nos impomos e nos sujeitamos a uma série de restrições, internas ou mesmo alheias a nós. E acredite-me, reconhecer seus próprios limites e autolimitação são coisas de ordens totalmente distintas.

Para de fato conhecer até onde vamos, precisamos ser capazes de experimenta e não termos receios em nos arriscar. Apenas avançando, mesmo sendo milímetro por milímetro, descobriremos até onde vai nosso alcance. Fatalmente, as fronteiras acabarão surgindo. Algumas vezes será possível cruzá-las, outras não. Às vezes será possível forçá-las a se expandirem, outras não. Mas quem dentre nós está realmente disposto a abandonar a zona de conforto? Quem será capaz de romper o perímetro de segurança?

Como tudo na vida, ser "fronteiriço" pode acabar custando bem caro, pode exigir sacrifícios talvez pesados demais para alguns. Viver no limite de nós mesmos é estar sempre à beira do precipício, é caminhar sobre o fio da navalha. Até onde consigo perceber, apenas pessoas com pouco ou nada a perder podem viver no limite, ou o mais próximo possível de seus limites.

É preciso se deixar expandir e arcar com o peso das consequências. Talvez somente assim você será capaz de se conhecer a fundo.

"A habilidade de não prestar atenção a tudo que não seja importante", nas palvras de Tyler Durden. Essa citação ganhou um novo sentido para mim agora.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Sussurros da besta.

Sabe qual a diferença básica entre nós, seres humanos e "animais superiores", e os outros mamíferos? Simples, nós negamos nossa natureza animalesca e nossos instintos primordiais. A sociedade nada é além de uma forma institucionalizada e coletiva de tentar manter nossas bestas internas agrilhoadas e domesticadas, tal qual é feito com outros animais vivendo em cativeiro, quando o brilho da selvageria nos olhos já se extinguiu, deixando para trás apenas um olhar opaco e vazio. O fim último da sociedade é nos tornar animais mansos e adestrados, nos tornar gado para o rebanho. "Rebanho", está é a melhor definição, na minha opinião, para aquilo chamado simplesmente de "a massa".

Não se engane, não somos nada além de animais. Nossa suposta capacidade de raciocinar e de pensamento abstrato, os quais julgamos exclusividades de nossa espécie, são apenas habilidade geradas pelo aparente caos da evolução. Alguns animais voam, segregam veneno, são rápidos. Nós pensamos. Contudo, desde o início de nossa civilização, tentamos nos desligar de nossa animalidade. Inventamos deuses, leis, moral, tudo com o intuito de aprosionar o animal existente em cada um de nós. Mas, a própria história está repleta de exemplos onde a besta mostra suas garras, muito vezes de forma sutil e sorrateira, outras, de forma brutal e cruel. Não importa, sempre quando a besta uiva clamando por sangue e carne, nós ficamos chocados e perplexos, dizendo coisas como "isso é desumano", "ele é um monstro", entre outras coisas. E por que dizemos isso? Para tentar distanciar a besta de nós mesmos, para devolvê-la ao nível dos animais, para torná-la não-humana novamente.

Depois de séculos e milênios sendo moldados pelas forjas da moralidade e do senso comum, acabamos ficando com um medo profundo de tudo aquilo adormecido no subterrâneo de nossas mentes. Algumas vezes, você pode até ouvir a besta arranhando as portas da consciência, querendo sair para brincar um pouco. Não importa qual atitude você tome, seja drogas, lícitas ou ilícitas, ajuda profissional, seja médica ou religiosa, no fim, sempre sentirá aquela sensação estranha, aquele perigo iminente vindo de lugar algum, pois o perigo residirá em você mesmo. A besta, o animal, está aí, escondido em alguma lugar, quer queria ou não, pronto para rasgar a consciência na primeira oportunidade.

A questão é saber quanto tempo você ainda resistirá antes de cair de joelhos e se entregar aos seus instintos mais profundos e sombrios.

E como será depois disso, bem, apenas o tempo poderá dizer.

segunda-feira, agosto 30, 2010

Sadique.

Conversando com o Greca esses dias atrás, comparado nossas posturas diferentes em relação ao sexo, chegamos a conclusão de ele ser mais voltado para o campo masoquista do prazer (para mais detalhes, pergunte diretamente a ele), enquanto eu apresento forte inclinação para o sadismo. Não por acaso "Les 120 Journées de Sodome", obra-prima escrita pelo Bom Marquês, se tornou um de meus livros favoritos, possivelmente figurando no meu Top Five literário. Bem, o livro é um redemoinho, tragando toda a moralidade e hipocrisia, lhe fazendo mergulhar nas profundezas daquilo que existe de mais bestial em nós, lugares onde o hediondo e o bizarro se tornam a forma mais pura e destilada de beleza e de prazer, tal qual um mortal veneno a inebriar e destruir toda a nossa frágil civilidade.

Segundo o senso comum, nós, enquanto seres humanos, devemos ser bons, devemos ser mansos e cordatos. Isso, na minha opinião, é, no mínimo, uma simplificação grosseira de nossas naturezas. Em nossa visão limitada, ou talvez castrada, vemos cada ser humano como coisa única, como figura monocromática, ou seja, você pode ser bom ou pode ser mau nesta dualidade maniqueísta. Caso seja bom, estará automaticamente excluído toda a possibilidade do mau, isso em tese. Não existiria gradação, não haveria balanço entre os pesos da balança, uma coisa necessariamente anularia a outra. Talvez isso seja a fonte de todo o nosso sofrimento existencial: buscar ser algo completo e limitado, quando somos um processo com um número sem-fim de possibilidades. Limitar-nos é a nossa morte, lenta e dolorosa, nos corroendo dia após dia, milímetro a milímetro.

Após o devaneio existencialista, de volta ao assunto. A dor em outro ser humano, quando causada por mim, como posso explicar sem parecer mentalmente perturbado? Que seja. A dor alheia provoca em mim uma sensação de libertação, exercer poder sobre outra pessoa sempre me é libertador. Contudo, você não pode perder de vista o fato de a dor e o prazer serem níveis diferentes de uma mesma força em nós. Nunca aconteceu de você gostar de uma dor, ou ficar com medo da intensidade do prazer? Não, bem, comigo acontece. Muitas vezes a dor é também libertadora em mim, não como forma de prazer, como o começo da postagem deixa claro. A dor é meu limite, por ela posso saber até onde vou, com ela sou atrelado a realidade. Dor é como um sinal vital, uma das formas de saber se alguém está vivo ou não. Estar vivo dói.

Pode me chamar de doente, se eu ligasse, não teria me dado ao trabalho de escrever esta postagem. Entretanto, não sou hipócrita em negar minha natureza, mesmo sendo ela muitas vezes violenta, selvagem e destrutiva. Não tenho medo de quem sou, a muito tempo já me entreguei ao abismo da existência humana.

Ainda prefiro ser uma anomalia a ser mais gado para o rebanho. Ser eu mesmo tem um preço, mas estou disposto a pagar. Toda escolha envolve sacrifícios.

E você, está disposto a pagar o seu preço?

domingo, agosto 29, 2010

Um domingo como outro qualquer.

Nós, pessoas, estamos geralmente atrelados aos simbolismos presentes em nosso cotidiano, embora não percebamos isso com clareza na maioria dos casos. Temos o domingo, por exemplo, um único dia a marcar o começo e o fim da semana, um ciclo terminando para outro ciclo se iniciar. Seria a versão semanal do mito da "Roda da Vida", da morte e ressurreição se perpetuando indefinidamente.

Domingo é, pelo menos para mim, um dia estranho. Em domingos onde o marasmo se instaura, sinto um clima opressivo e angustiante no ar. Olho para trás, para a semana chegando ao seu término e nada sinto, olho para frente, para a semana apenas começando e nada vejo. Sinto-me aprisionado em um sufocante devir, um estrangulador "vir a ser". É como estar a deriva, flutuando as margens da vida, enquanto ela simplesmente fluí ao redor. Sim, você pode achar tudo isso exagero ou drama. Talvez seja isso mesmo no fundo, talvez seja eu dramático e exagerado. Não dou a mínima. Você está aqui e não o contrário, certo?

Contudo é fato, estou consideravelmente irritado hoje. Devo estar dormindo pouco para manter meu humor em um nível surpotável.

Sabe qual é o primeiro sinal claro de as coisas estarem desandando em mim? Eu voltar a publicar neste blog. Irônico, não acha?

sábado, agosto 28, 2010

Diários dos Sonhos - Primeiras Impressões

Fazendo uma pausa nas postagens correntes, vou falar um pouco sobre sonhos.

Christopher Nolan é princípio dessa minha nova empreitada, com seu filme muito comentado "A Origem" ("Inception" no original). Li em algum lugar sobre o fato dele ter Sonhos Lúcidos a muito tempo, desde a juventude. Esse foi o meu ponto de partida.

Lembro-me claramente de ter esse tipo de sonho, onde temos consciência do sonhar e podemos interagir com ambiente, tomando decisões e coisas do tipo. Fiquei intrigado com isso, pois até poucos dias atrás, me lembrava basicamente nada dos sonhos. Por algum motivo perdi o contato com o meu subconsciente. Quando li sobre o Nolan, tudo veio a tona e tentei descobrir as causas do desligamento. Sem sucesso. Entretanto, comecei a escrever um "diário dos sonhos". Ainda estou espantado com o efetividade do método.

Não vou ficar aqui descrevendo os três sonhos das quais consegui me lembrar nesse últimos quatro dias, creia-me, você não entenderia, eu próprio estou longe de entender. Estou gostando de resgatar uma parte de mim julgada esquecida, estou gostando de entrar em contato novamente com meu eu adormecido. Por favor, sem qualquer tipo de viagem psicodélica new age. É apenas conhecer-se a si mesmo, autoconhecimento.

O meu intuito é voltar a ter Sonhos Lúcidos. Se vou conseguir ou não, agora é uma questão de tempo.

E você, se lembra com foi seu último sonho?

P.S.: ainda não assisti "A Origem", mas assisti "Salt" e gostei bastante, um bom filme dentro do estilo. Angelina Jolie, na primeira sequência da película, de lingérie coberta de sangue e sendo torturada por norte-coreanos, apesar de curta já foi recompensadora. Sádico? Para ser sincero, ando ponderando seriamente sobre a existência de um forte componente sádico em mim. Por que estou falando disso? Vai saber.

terça-feira, agosto 24, 2010

Convença-me das convenções sociais.

"Esquisito", este foi o apelido dado a mim por uma das moradoras do prédio, aqui chamada simplesmente de "vizinha". Se parasse por aí, tudo bem, nunca me considerei uma pessoa lá muito convencional mesmo. Contudo, a situação é um pouco diversa.

Não sou de me ligar às ações das pessoas, pois para mim, ações isoladamente representam nada. Entretanto, sempre existem motivos por trás de cada ação isolada e esse sim são de meu particular interesse. Vale salientar, quando for ter com pessoas, em geral, elas serão seus próprias referenciais. Pessoas tendem a levar tudo para o lado pessoal, sem trocadilhos.

Prosseguindo. Normalmente você reage, tencendo comentários, quando algo em outra pessoa lhe irrita. Pois bem, algo no meu comportamente irritou, por assim dizer, a vizinha. Sou capaz de arriscar um palpite: tem uma opinião negativa a meu respeito por eu não dar a devida atenção a ela. Minha intereção social resume-se ao cumprimento mais apropriado ao horário. Não tenho paciência e disposição para convesinha, não abro espaço para conversa fiada, para coisas do tipo "acho que vai chover mais tarde" e "nossa, esfriou bastante hoje". Comigo é "oi" ou "bom dia" e olhe lá. Talvez seja um pouco antissocial. Mas você acha mesmo que me importo com isso?

Voltando a vizinha. Eu ser "esquisito e não falar" pode muito bem significar "ele não me dá atenção devida". Exatamente, existe uma relação de débiro a qual não estou ciente até o presente momento. Para a vizinha, talvez seja um pouco difícil aceitar a idéia de naquele curto espaço de tempo, ela não ser o centro da minhas atenções. Isso sem considerar o fato de eu possivelemnte inexistir para a mesma, fora desses nossos pequenos encontros casuais ou quando minha memória é resgatada do caos cotiadiano, como aconteceu quando teceu o cometário a meu respeito, expressando seu possível descontetamento com o meu despeito para com ela.

Bem, depois você pergunta porque não gosto de gente.

sábado, agosto 21, 2010

Transcendência.

Ontem, sexta-feira 20 de Agosto, por volta das 10:52h, pela segunda vez fui julgado inepto a dirigir veículos automotores. Ou seja, levei pau no exame de rua. Acontece quando você trepa no passeio durante a marcha ré, entre outras coisinhas. Enfim.

A mim ficou perfeitamente claro: não vou passar no exame, não importa quantas vezes tente. Mesmo porque já havia decidi ser esta a minha última tentativa, fosse qual fosse o resultado. De fato, dirigir nunca figurou em minha cadeia de interesses, entrei nessa viagem errada de tirar carteira pelos motivos errados. Leia-se "motivos errados" quaisquer motivos exceto o meus motivos. Existe a questão financeira, mas no fim das contas é apenas dinheiro. Apesar de vender minha alma ao sistema financeiro por um salário mensal, não dou valor a essa merda toda. Para mim se tornou apenas objeto de trabalho. Alguns tem sorte em trabalhar com madeira ou pedra, eu trabalho com dinheiro.

Entretanto, este texto não é sobre isso. Volta temos ao carros, ou não voltemos a eles. Não sou capaz de descrever com precisão de detalhes a experiência de estar naquele carro com o examinador. O desgaste chegou ao limiar do físico. Só de relembrar já sinto uma pressão no tórax. Fico realmente feliz em não ter de passar por tudo isso novamente.

Você pode até dizer "vai desistir assim". A resposta é simples: podemos desistir de coisas as quais acreditamos ou desejamos, já com coisas sem importância é simples, nós transcendemos, deixamos de lado e seguimos nossas vidas da melhor forma possível.

Isso talvez venha a coroborar minha palavras sobre não me sentir um adulto.

E quer saber? Que se foda essa merda toda...

E tenha um bom dia.

quarta-feira, agosto 18, 2010

De repente... Deixa pra lá.

Não sei quanto a você, mas talvez já sinta sobre mim o peso da idade. É essa proximidade dos trinta anos, o "Cabo da Boa Esperança". Existe qualquer coisa de macabro, de maligno nessa idade, não sei. Tenho vinte e oito anos agora e ainda não me sinto um adulto no sentido amplo da palavra. Certo, tenho um emprego e me sustento, tenho meus compromissos, pago minhas contas. Entretanto, até aí nada de mais, é apenas o pressão civilizatória agindo sobre mim para me tornar mais um número nas estatísticas, mais uma engrenagem no mecanismo, enfim, metáforas não faltam. Não temos um emprego porque queremos ter um emprego, ninguém em sã consciência iria querer um emprego por livre e espontânea vontade. Somos apenas escravos de um meio de vida, inoculado em nossas mentes desde sempre. Estudar, emprego, família, nenhum desses valores é realmente nosso, sendo assimilados pela massa. Somos gado, gado é o que somos.

Mas não é esse o ponto, pelo menos não por hora. Deve ser o relaxante muscular agindo. De volta ao rumo desta prosa. Não me sinto um adulto, uma pessoa responsável e quaisquer outras atribuições normalmente conferidas as pessoas adultas. Sou um moleque de quase trinta anos. Sou imaturo, embora possa-se alegar ser a imaturidade um traço comum ao gênero masculino, e gosto de ser assim, gosto de não me sentir adulto.

Mas disso advém certas implicações, principalmente nos relacionamentos. Não me vejo apto a estabelecer relacionamentos sofisticados e sério, isso de compromisso e entrega são conceitos totalmente alheios a minha pessoa. Como toda criança, sou egoísta, mimado e autocentrado, só a minha diversão e o meu bem-estar me importam. O meu prazer vem em primeiro lugar, embora esta seja uma questão um pouco mais ampla, pois o meu prazer não provém das práticas comum. Tanto faz, caso me lembre escreverei sobre isso, ou não.

A questão é: a vida adulta é um porre.

Espero ter sido claro.

domingo, agosto 15, 2010

Um ano depois... O retorno.

Lugar-comum em mim e para mim é isso: quando as coisas começam, sentimentalmente falando, a se desencaminharem, me volto para a escrita. A angústia, o descontentamento, a frustração, entre outras coisas, são os alimentos de minha fornalha interior. Não é bem uma questão de qualidade, mas sim da produção em si. Um processo catártico talvez, uma forma precária de auto-análise por outra lado. Enfim, fico triste e começo a querer escrever.
Sobre o que? Você já pode fazer uma vaga ideia do assunto...

Um belo dia, como poderia ser qualquer outro dia, você acorda. Acorda e não sente o peso do mundo em seus ombros, ao contrário, acorda e sente o vazio do mundo em seu peito. Sim, estou atravessando uma fase de carência suicida, embora considere em grande parte efeito da gripe da qual estou emergindo. Então, mereço algum desconto caso me mostre excessivamente melodramático. Voltando, você acorda e se percebe totalmente sozinho na imensidão da vida. Certo, você pode ter familiares ligados a você por laços além tangível, você pode ter alguns amigos nos quais confia, ou não. Contudo, se está aqui me lendo, acredito sabem ambos sobre qual solidão escrevo.

Sou uma pessoa egoísta e não tenho problemas com isso, ou melhor, consigo lidar com bastante facilidade com os problemas inerentes a minha natureza. Fui criado e me criei para ser independentes e autosuficiente, obtendo considerável grau de sucesso nesta empreita. Sou egoísta, logo, minha visão de mundo não poderia ser diferente. Quando as pessoas se sente sozinha, em geral, alegam sentirem falta de ter alguém ao seu lado, alguém para dividir as coisas. Para mim, sentir-me sozinho é fato de ter consciência de não ter peso ou importância da vida de outra pessoa. Sim, gosto de ver as pessoas orbitando ao meu redor, não como se fosse eu uma estrela, algo mais parecido com um buraco negro. Fato bastante curioso, pois me desagrada e muito quando as pessoas criam vínculos de dependência em relação a mim. Estranho? Bem vindo ao meu mundo.

Infelizmente, não posso ser mais claro, por motivos os quais não posso explicar aqui.

Bem, a questão, ou uma das questões, é, relacionamentos vazios e de baixo comprometimento emocional sempre acabam tendo um alto custo-benefício. Não é aquela dor dilacerante de um amor perdido, mas é uma frustração desnecessária. Isso me leva a seguinte conclusão: ou você, no caso eu, mergulha de cabeça em uma relação profunda e intensa, assumindo toda a sorte de riscos envolvidas no processo; ou mantém relações sem qualquer nível de envolvimento, saindo a cada noite com uma mulher diferente.

Dada a questão, temos agora o problema: não me vejo capacitado para quaisquer das opções. Tenho sérios problemas em estabelecer e manter relacionamentos, e, embora tenha a flexibilidade moral necessária, não tenho a postura de um canalha. O ideal seria um meio termo, uma relação baseada no mútuo benefício das partes, tendo como elo de ligação o sexo desportivo, sem culpa, sem compromisso.

Mas isso seria como partir para capturar um unicórnio.

O mundo é um lugar frio para as pessoas frias como eu.