segunda-feira, agosto 30, 2010

Sadique.

Conversando com o Greca esses dias atrás, comparado nossas posturas diferentes em relação ao sexo, chegamos a conclusão de ele ser mais voltado para o campo masoquista do prazer (para mais detalhes, pergunte diretamente a ele), enquanto eu apresento forte inclinação para o sadismo. Não por acaso "Les 120 Journées de Sodome", obra-prima escrita pelo Bom Marquês, se tornou um de meus livros favoritos, possivelmente figurando no meu Top Five literário. Bem, o livro é um redemoinho, tragando toda a moralidade e hipocrisia, lhe fazendo mergulhar nas profundezas daquilo que existe de mais bestial em nós, lugares onde o hediondo e o bizarro se tornam a forma mais pura e destilada de beleza e de prazer, tal qual um mortal veneno a inebriar e destruir toda a nossa frágil civilidade.

Segundo o senso comum, nós, enquanto seres humanos, devemos ser bons, devemos ser mansos e cordatos. Isso, na minha opinião, é, no mínimo, uma simplificação grosseira de nossas naturezas. Em nossa visão limitada, ou talvez castrada, vemos cada ser humano como coisa única, como figura monocromática, ou seja, você pode ser bom ou pode ser mau nesta dualidade maniqueísta. Caso seja bom, estará automaticamente excluído toda a possibilidade do mau, isso em tese. Não existiria gradação, não haveria balanço entre os pesos da balança, uma coisa necessariamente anularia a outra. Talvez isso seja a fonte de todo o nosso sofrimento existencial: buscar ser algo completo e limitado, quando somos um processo com um número sem-fim de possibilidades. Limitar-nos é a nossa morte, lenta e dolorosa, nos corroendo dia após dia, milímetro a milímetro.

Após o devaneio existencialista, de volta ao assunto. A dor em outro ser humano, quando causada por mim, como posso explicar sem parecer mentalmente perturbado? Que seja. A dor alheia provoca em mim uma sensação de libertação, exercer poder sobre outra pessoa sempre me é libertador. Contudo, você não pode perder de vista o fato de a dor e o prazer serem níveis diferentes de uma mesma força em nós. Nunca aconteceu de você gostar de uma dor, ou ficar com medo da intensidade do prazer? Não, bem, comigo acontece. Muitas vezes a dor é também libertadora em mim, não como forma de prazer, como o começo da postagem deixa claro. A dor é meu limite, por ela posso saber até onde vou, com ela sou atrelado a realidade. Dor é como um sinal vital, uma das formas de saber se alguém está vivo ou não. Estar vivo dói.

Pode me chamar de doente, se eu ligasse, não teria me dado ao trabalho de escrever esta postagem. Entretanto, não sou hipócrita em negar minha natureza, mesmo sendo ela muitas vezes violenta, selvagem e destrutiva. Não tenho medo de quem sou, a muito tempo já me entreguei ao abismo da existência humana.

Ainda prefiro ser uma anomalia a ser mais gado para o rebanho. Ser eu mesmo tem um preço, mas estou disposto a pagar. Toda escolha envolve sacrifícios.

E você, está disposto a pagar o seu preço?

domingo, agosto 29, 2010

Um domingo como outro qualquer.

Nós, pessoas, estamos geralmente atrelados aos simbolismos presentes em nosso cotidiano, embora não percebamos isso com clareza na maioria dos casos. Temos o domingo, por exemplo, um único dia a marcar o começo e o fim da semana, um ciclo terminando para outro ciclo se iniciar. Seria a versão semanal do mito da "Roda da Vida", da morte e ressurreição se perpetuando indefinidamente.

Domingo é, pelo menos para mim, um dia estranho. Em domingos onde o marasmo se instaura, sinto um clima opressivo e angustiante no ar. Olho para trás, para a semana chegando ao seu término e nada sinto, olho para frente, para a semana apenas começando e nada vejo. Sinto-me aprisionado em um sufocante devir, um estrangulador "vir a ser". É como estar a deriva, flutuando as margens da vida, enquanto ela simplesmente fluí ao redor. Sim, você pode achar tudo isso exagero ou drama. Talvez seja isso mesmo no fundo, talvez seja eu dramático e exagerado. Não dou a mínima. Você está aqui e não o contrário, certo?

Contudo é fato, estou consideravelmente irritado hoje. Devo estar dormindo pouco para manter meu humor em um nível surpotável.

Sabe qual é o primeiro sinal claro de as coisas estarem desandando em mim? Eu voltar a publicar neste blog. Irônico, não acha?

sábado, agosto 28, 2010

Diários dos Sonhos - Primeiras Impressões

Fazendo uma pausa nas postagens correntes, vou falar um pouco sobre sonhos.

Christopher Nolan é princípio dessa minha nova empreitada, com seu filme muito comentado "A Origem" ("Inception" no original). Li em algum lugar sobre o fato dele ter Sonhos Lúcidos a muito tempo, desde a juventude. Esse foi o meu ponto de partida.

Lembro-me claramente de ter esse tipo de sonho, onde temos consciência do sonhar e podemos interagir com ambiente, tomando decisões e coisas do tipo. Fiquei intrigado com isso, pois até poucos dias atrás, me lembrava basicamente nada dos sonhos. Por algum motivo perdi o contato com o meu subconsciente. Quando li sobre o Nolan, tudo veio a tona e tentei descobrir as causas do desligamento. Sem sucesso. Entretanto, comecei a escrever um "diário dos sonhos". Ainda estou espantado com o efetividade do método.

Não vou ficar aqui descrevendo os três sonhos das quais consegui me lembrar nesse últimos quatro dias, creia-me, você não entenderia, eu próprio estou longe de entender. Estou gostando de resgatar uma parte de mim julgada esquecida, estou gostando de entrar em contato novamente com meu eu adormecido. Por favor, sem qualquer tipo de viagem psicodélica new age. É apenas conhecer-se a si mesmo, autoconhecimento.

O meu intuito é voltar a ter Sonhos Lúcidos. Se vou conseguir ou não, agora é uma questão de tempo.

E você, se lembra com foi seu último sonho?

P.S.: ainda não assisti "A Origem", mas assisti "Salt" e gostei bastante, um bom filme dentro do estilo. Angelina Jolie, na primeira sequência da película, de lingérie coberta de sangue e sendo torturada por norte-coreanos, apesar de curta já foi recompensadora. Sádico? Para ser sincero, ando ponderando seriamente sobre a existência de um forte componente sádico em mim. Por que estou falando disso? Vai saber.

terça-feira, agosto 24, 2010

Convença-me das convenções sociais.

"Esquisito", este foi o apelido dado a mim por uma das moradoras do prédio, aqui chamada simplesmente de "vizinha". Se parasse por aí, tudo bem, nunca me considerei uma pessoa lá muito convencional mesmo. Contudo, a situação é um pouco diversa.

Não sou de me ligar às ações das pessoas, pois para mim, ações isoladamente representam nada. Entretanto, sempre existem motivos por trás de cada ação isolada e esse sim são de meu particular interesse. Vale salientar, quando for ter com pessoas, em geral, elas serão seus próprias referenciais. Pessoas tendem a levar tudo para o lado pessoal, sem trocadilhos.

Prosseguindo. Normalmente você reage, tencendo comentários, quando algo em outra pessoa lhe irrita. Pois bem, algo no meu comportamente irritou, por assim dizer, a vizinha. Sou capaz de arriscar um palpite: tem uma opinião negativa a meu respeito por eu não dar a devida atenção a ela. Minha intereção social resume-se ao cumprimento mais apropriado ao horário. Não tenho paciência e disposição para convesinha, não abro espaço para conversa fiada, para coisas do tipo "acho que vai chover mais tarde" e "nossa, esfriou bastante hoje". Comigo é "oi" ou "bom dia" e olhe lá. Talvez seja um pouco antissocial. Mas você acha mesmo que me importo com isso?

Voltando a vizinha. Eu ser "esquisito e não falar" pode muito bem significar "ele não me dá atenção devida". Exatamente, existe uma relação de débiro a qual não estou ciente até o presente momento. Para a vizinha, talvez seja um pouco difícil aceitar a idéia de naquele curto espaço de tempo, ela não ser o centro da minhas atenções. Isso sem considerar o fato de eu possivelemnte inexistir para a mesma, fora desses nossos pequenos encontros casuais ou quando minha memória é resgatada do caos cotiadiano, como aconteceu quando teceu o cometário a meu respeito, expressando seu possível descontetamento com o meu despeito para com ela.

Bem, depois você pergunta porque não gosto de gente.

sábado, agosto 21, 2010

Transcendência.

Ontem, sexta-feira 20 de Agosto, por volta das 10:52h, pela segunda vez fui julgado inepto a dirigir veículos automotores. Ou seja, levei pau no exame de rua. Acontece quando você trepa no passeio durante a marcha ré, entre outras coisinhas. Enfim.

A mim ficou perfeitamente claro: não vou passar no exame, não importa quantas vezes tente. Mesmo porque já havia decidi ser esta a minha última tentativa, fosse qual fosse o resultado. De fato, dirigir nunca figurou em minha cadeia de interesses, entrei nessa viagem errada de tirar carteira pelos motivos errados. Leia-se "motivos errados" quaisquer motivos exceto o meus motivos. Existe a questão financeira, mas no fim das contas é apenas dinheiro. Apesar de vender minha alma ao sistema financeiro por um salário mensal, não dou valor a essa merda toda. Para mim se tornou apenas objeto de trabalho. Alguns tem sorte em trabalhar com madeira ou pedra, eu trabalho com dinheiro.

Entretanto, este texto não é sobre isso. Volta temos ao carros, ou não voltemos a eles. Não sou capaz de descrever com precisão de detalhes a experiência de estar naquele carro com o examinador. O desgaste chegou ao limiar do físico. Só de relembrar já sinto uma pressão no tórax. Fico realmente feliz em não ter de passar por tudo isso novamente.

Você pode até dizer "vai desistir assim". A resposta é simples: podemos desistir de coisas as quais acreditamos ou desejamos, já com coisas sem importância é simples, nós transcendemos, deixamos de lado e seguimos nossas vidas da melhor forma possível.

Isso talvez venha a coroborar minha palavras sobre não me sentir um adulto.

E quer saber? Que se foda essa merda toda...

E tenha um bom dia.

quarta-feira, agosto 18, 2010

De repente... Deixa pra lá.

Não sei quanto a você, mas talvez já sinta sobre mim o peso da idade. É essa proximidade dos trinta anos, o "Cabo da Boa Esperança". Existe qualquer coisa de macabro, de maligno nessa idade, não sei. Tenho vinte e oito anos agora e ainda não me sinto um adulto no sentido amplo da palavra. Certo, tenho um emprego e me sustento, tenho meus compromissos, pago minhas contas. Entretanto, até aí nada de mais, é apenas o pressão civilizatória agindo sobre mim para me tornar mais um número nas estatísticas, mais uma engrenagem no mecanismo, enfim, metáforas não faltam. Não temos um emprego porque queremos ter um emprego, ninguém em sã consciência iria querer um emprego por livre e espontânea vontade. Somos apenas escravos de um meio de vida, inoculado em nossas mentes desde sempre. Estudar, emprego, família, nenhum desses valores é realmente nosso, sendo assimilados pela massa. Somos gado, gado é o que somos.

Mas não é esse o ponto, pelo menos não por hora. Deve ser o relaxante muscular agindo. De volta ao rumo desta prosa. Não me sinto um adulto, uma pessoa responsável e quaisquer outras atribuições normalmente conferidas as pessoas adultas. Sou um moleque de quase trinta anos. Sou imaturo, embora possa-se alegar ser a imaturidade um traço comum ao gênero masculino, e gosto de ser assim, gosto de não me sentir adulto.

Mas disso advém certas implicações, principalmente nos relacionamentos. Não me vejo apto a estabelecer relacionamentos sofisticados e sério, isso de compromisso e entrega são conceitos totalmente alheios a minha pessoa. Como toda criança, sou egoísta, mimado e autocentrado, só a minha diversão e o meu bem-estar me importam. O meu prazer vem em primeiro lugar, embora esta seja uma questão um pouco mais ampla, pois o meu prazer não provém das práticas comum. Tanto faz, caso me lembre escreverei sobre isso, ou não.

A questão é: a vida adulta é um porre.

Espero ter sido claro.

domingo, agosto 15, 2010

Um ano depois... O retorno.

Lugar-comum em mim e para mim é isso: quando as coisas começam, sentimentalmente falando, a se desencaminharem, me volto para a escrita. A angústia, o descontentamento, a frustração, entre outras coisas, são os alimentos de minha fornalha interior. Não é bem uma questão de qualidade, mas sim da produção em si. Um processo catártico talvez, uma forma precária de auto-análise por outra lado. Enfim, fico triste e começo a querer escrever.
Sobre o que? Você já pode fazer uma vaga ideia do assunto...

Um belo dia, como poderia ser qualquer outro dia, você acorda. Acorda e não sente o peso do mundo em seus ombros, ao contrário, acorda e sente o vazio do mundo em seu peito. Sim, estou atravessando uma fase de carência suicida, embora considere em grande parte efeito da gripe da qual estou emergindo. Então, mereço algum desconto caso me mostre excessivamente melodramático. Voltando, você acorda e se percebe totalmente sozinho na imensidão da vida. Certo, você pode ter familiares ligados a você por laços além tangível, você pode ter alguns amigos nos quais confia, ou não. Contudo, se está aqui me lendo, acredito sabem ambos sobre qual solidão escrevo.

Sou uma pessoa egoísta e não tenho problemas com isso, ou melhor, consigo lidar com bastante facilidade com os problemas inerentes a minha natureza. Fui criado e me criei para ser independentes e autosuficiente, obtendo considerável grau de sucesso nesta empreita. Sou egoísta, logo, minha visão de mundo não poderia ser diferente. Quando as pessoas se sente sozinha, em geral, alegam sentirem falta de ter alguém ao seu lado, alguém para dividir as coisas. Para mim, sentir-me sozinho é fato de ter consciência de não ter peso ou importância da vida de outra pessoa. Sim, gosto de ver as pessoas orbitando ao meu redor, não como se fosse eu uma estrela, algo mais parecido com um buraco negro. Fato bastante curioso, pois me desagrada e muito quando as pessoas criam vínculos de dependência em relação a mim. Estranho? Bem vindo ao meu mundo.

Infelizmente, não posso ser mais claro, por motivos os quais não posso explicar aqui.

Bem, a questão, ou uma das questões, é, relacionamentos vazios e de baixo comprometimento emocional sempre acabam tendo um alto custo-benefício. Não é aquela dor dilacerante de um amor perdido, mas é uma frustração desnecessária. Isso me leva a seguinte conclusão: ou você, no caso eu, mergulha de cabeça em uma relação profunda e intensa, assumindo toda a sorte de riscos envolvidas no processo; ou mantém relações sem qualquer nível de envolvimento, saindo a cada noite com uma mulher diferente.

Dada a questão, temos agora o problema: não me vejo capacitado para quaisquer das opções. Tenho sérios problemas em estabelecer e manter relacionamentos, e, embora tenha a flexibilidade moral necessária, não tenho a postura de um canalha. O ideal seria um meio termo, uma relação baseada no mútuo benefício das partes, tendo como elo de ligação o sexo desportivo, sem culpa, sem compromisso.

Mas isso seria como partir para capturar um unicórnio.

O mundo é um lugar frio para as pessoas frias como eu.