Não sei quanto a você, mas talvez já sinta sobre mim o peso da idade. É essa proximidade dos trinta anos, o "Cabo da Boa Esperança". Existe qualquer coisa de macabro, de maligno nessa idade, não sei. Tenho vinte e oito anos agora e ainda não me sinto um adulto no sentido amplo da palavra. Certo, tenho um emprego e me sustento, tenho meus compromissos, pago minhas contas. Entretanto, até aí nada de mais, é apenas o pressão civilizatória agindo sobre mim para me tornar mais um número nas estatísticas, mais uma engrenagem no mecanismo, enfim, metáforas não faltam. Não temos um emprego porque queremos ter um emprego, ninguém em sã consciência iria querer um emprego por livre e espontânea vontade. Somos apenas escravos de um meio de vida, inoculado em nossas mentes desde sempre. Estudar, emprego, família, nenhum desses valores é realmente nosso, sendo assimilados pela massa. Somos gado, gado é o que somos.
Mas não é esse o ponto, pelo menos não por hora. Deve ser o relaxante muscular agindo. De volta ao rumo desta prosa. Não me sinto um adulto, uma pessoa responsável e quaisquer outras atribuições normalmente conferidas as pessoas adultas. Sou um moleque de quase trinta anos. Sou imaturo, embora possa-se alegar ser a imaturidade um traço comum ao gênero masculino, e gosto de ser assim, gosto de não me sentir adulto.
Mas disso advém certas implicações, principalmente nos relacionamentos. Não me vejo apto a estabelecer relacionamentos sofisticados e sério, isso de compromisso e entrega são conceitos totalmente alheios a minha pessoa. Como toda criança, sou egoísta, mimado e autocentrado, só a minha diversão e o meu bem-estar me importam. O meu prazer vem em primeiro lugar, embora esta seja uma questão um pouco mais ampla, pois o meu prazer não provém das práticas comum. Tanto faz, caso me lembre escreverei sobre isso, ou não.
A questão é: a vida adulta é um porre.
Espero ter sido claro.
Retórica?
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Vejam só, quanto tempo se passou desde que uma ideia foi depositada neste
pequeno recanto de pensamentos obscuros.
Aos poucos leitores, um com certeza - ...
Há 10 anos
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