domingo, setembro 12, 2010

Alguma sugestão para o título?

Você se diverte, na maior parte do tempo, sendo você? É isso mesmo, perguntei se acha divertido ser você. Caso você seja você, obviamente. Até onde imagino, um número expressivo de pessoas a cruzar o seu caminho não são elas mesmas. Em geral, como já disse por aqui, as pessoas tentam ser quem elas imaginam ser a pessoa esperada pelas outras pessoas.

Voltando, antes de me perder ainda mais. Falando por mim, grande parte do tempo, algo em torno de 72,85% aproximadamente, acho extremamente divertido ser eu. Evidente ter meus momentos ruins e dias estranhos, mas no geral. No geral sou uma pessoa volúvel e instável, embora intensa. Sou um escravo de meus gostos e do prazer gerado por eles. Somente não afirmo aqui ser hedonista por, infelizmente, não possuir condições técnicas e logísticas para levar a termo tal afirmação. Quem me dera poder. Mas, "a rede é vasta e a possibilidade... Infinitas".

Não se engane, ser quem se é, quase sempre, envolve trilhas tortuosas. As pessoas não apreciam perceber quando você "caga e anda" para elas. Justo o contrário. Na CNTP, ou você é você ou você agrada os outros, as duas coisas ao mesmo tempo considero um pouco complicado demais, segundo penso. É possível, caso seja uma pessoa intrinsecamente agradável e mesmo assim, as pessoas podem acabar melindradas por sua agradabilidade. O que esperava? Pessoas, no fim das contas, são apenas pessoas. Não se pode agradá-las, em grande número e por muito tempo. Justo por isso, prefiro agradar a mim mesmo apenas, bem mais fácil.

Nas palavras cantadas do Rauzito, inspirado por palavras escritas pelo Sr. Crowley, "faça o que tu queres pois é tudo da lei".

sexta-feira, setembro 10, 2010

Ventos de Tempestade.

Certos dias... Acordo sentido o vazio dentro de mim inquieto, arranhando as portas querendo sair. Pressionando e forçando, com a ameaça de arrebentar tudo em seu caminho, incluindo-se aí eu mesmo. Para minha sorte, me sinto assim com frequência bastante baixa ultimamente. Sou uma pessoa guiada por meus ventos internos, e estou à deriva em meu próprio mar, ao sabor de minhas próprias condições climáticas. E não se engane, cada um de nós está aprisionado em seu próprio mar, mundo, realidade, não importe como você a chame, a sua experiência humana é única e exclusivamente sua. 

Estava em um período de calmaria. Contudo, os últimos dias tem se mostrado estranhos, para dizer o mínimo. Estranheza essa se deve possivelmente a vários fatores aliados, os quais não cabem serem citados aqui hoje. Hoje acordei sentindo o vazio mencionado acima, o qual já parou de soprar. Uma sorte diversa de sentimentos estão se alternando em mim, uma rajada após a outra, atualmente. Vou de um extremo ao outro, da tristeza profunda à alegria parcialmente insana. A melhor palavra talvez seja "alucinado", embora não sofra de alucinações. "Licensa Poética", se você me permite.

Não sei para onde vou daqui, os sinais da tempestade estão cada vez mais claros. O cheiro de eletricidade no ar, aquele assobio do vento por entre as frestas da consciência, o silêncio nas periferias da mente. A tormenta virá, cedo ou tarde, talvez seja apenas chuva suave, mas talvez caia sobre mim como um martelo. Sinceramente não posso prever, embora não me preocupe. A roda já começou a girar e seu movimento fatalista não pode ser estancado, restando a mim apenas aguardar o inevitável.

E quando vier, olharei o demônio da procela nos olhos e farei o que for preciso.
O resultado, termine eu como náufrago ou como desbravador, cabe somente ao tempo dizer.

Algumas postagens escapam totalmente do meu controle...

quarta-feira, setembro 08, 2010

"O importante é aquilo que importa".

O que lhe mantém vivo? Qual aquele algo sem a qual você morreria? Muitas respostas podem surgir a estas indagações, das mais básicas e simples até as mais complexas e metafísicas. Entretanto, na minha opinião, é bastante óbvio: precisamos respirar para continuarmos vivos. Quanto tempo consegue ficar sem comer? Sem beber? Sem dormir? Agora, quanto tempo conseguiria ficar sem respirar? Relativamente pouco, não?

Em um escala de prioridades, o ar a entrar em nossos pulmões é de importância crítica, para não dizer vital. Embora assim seja, por ser algo tão disponível, acaba por parecer comum e sem importância. A quantidade de ar disponível é facilmente explicável, dado o fato de nós existirmos em função dele e não o contrário. Nós se sempre nos colocamos como o centro do universo, como se tudo mais girasse ao nosso redor. Qualquer um com uma mínima noção sobre o processo evolutivo sabe não ser bem assim. Mas enfim.

Quando você coloca as coisas em seus devidos lugares, muitas delas acabam perdendo peso e importância. Muitas coisas com as quais nos preocupamos, em última instância, tem relevância nenhuma em nossas vidas. A maioria delas são valores simples impostos, como por exemplo, fazer uma faculdade, construir uma carreira, formar uma família, comprar uma casa, resumindo, ser um cidadão responsável e cumpridor de seus deveres. Para que? Por que fazer qualquer uma dessas coisas? Apenas por ser o esperado pelos outros? Infelizmente esse não parece ser o caminho para mim, mas apenas o tempo poderá dizer.

Quando você estiver confuso e perdido em meio as acontecimentos de sua existência, simplesmente pare, inspire profundamente o ar e depois expire lentamente. E lembre-se: sua vida, em grande parte, se deve a este ato aparentemente simples e sem qualquer importância.

Lembro-me de um diálogo entre as personagens da tirinha "As Cobras" de Luiz Fernando Veríssimo, onde as referidas haviam recente quebrado seus ovos (não serão exatamente as palavras, mesmo porque isso já faz uns dez anos talvez):
Cobra da esquerda: E agora que nascemos, como vamos fazer? Como vamos viver?
Cobra da direita, mexendo em seu ovo: Bem, eu vim com manual de instruções.
Cobra da direita, após ler o manual: "Respire com regularidade e de resto, improvise".

sexta-feira, setembro 03, 2010

Indo além de nós mesmos.

Apesar da possibilidade de redundância, após reler as duas últimas postagens (esta e esta), acho interessante abordar um tema em particular, pois em ambas o ponto-chave é o mesmo: limites. Você, por exemplo, sabe quais são seus limites? Realmente tem alguma ciência de até onde pode e consegue ir? No meu caso, a resposta é não.

O ser humano não é coisa acabada, somos um processo em andamento, sem finalidades previamente estabelecidas. Cada escolha nos leva a uma nova etapa e para novas escolhas. Não existe um ponto de chegada claramente definido, há apenas a trilha sendo percorrida. E nessa mar caótico, imersos em um número sem-fim de possibilidades, nem tudo nos é acessível, existem sim coisas além de nosso alcance. Existem limites.

Entretanto, essa não é a parte interessante. O interessante é perceber como a grande maioria de nós, apesar não ter conhecimento de seus próprios limites, ainda assim nos impomos e nos sujeitamos a uma série de restrições, internas ou mesmo alheias a nós. E acredite-me, reconhecer seus próprios limites e autolimitação são coisas de ordens totalmente distintas.

Para de fato conhecer até onde vamos, precisamos ser capazes de experimenta e não termos receios em nos arriscar. Apenas avançando, mesmo sendo milímetro por milímetro, descobriremos até onde vai nosso alcance. Fatalmente, as fronteiras acabarão surgindo. Algumas vezes será possível cruzá-las, outras não. Às vezes será possível forçá-las a se expandirem, outras não. Mas quem dentre nós está realmente disposto a abandonar a zona de conforto? Quem será capaz de romper o perímetro de segurança?

Como tudo na vida, ser "fronteiriço" pode acabar custando bem caro, pode exigir sacrifícios talvez pesados demais para alguns. Viver no limite de nós mesmos é estar sempre à beira do precipício, é caminhar sobre o fio da navalha. Até onde consigo perceber, apenas pessoas com pouco ou nada a perder podem viver no limite, ou o mais próximo possível de seus limites.

É preciso se deixar expandir e arcar com o peso das consequências. Talvez somente assim você será capaz de se conhecer a fundo.

"A habilidade de não prestar atenção a tudo que não seja importante", nas palvras de Tyler Durden. Essa citação ganhou um novo sentido para mim agora.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Sussurros da besta.

Sabe qual a diferença básica entre nós, seres humanos e "animais superiores", e os outros mamíferos? Simples, nós negamos nossa natureza animalesca e nossos instintos primordiais. A sociedade nada é além de uma forma institucionalizada e coletiva de tentar manter nossas bestas internas agrilhoadas e domesticadas, tal qual é feito com outros animais vivendo em cativeiro, quando o brilho da selvageria nos olhos já se extinguiu, deixando para trás apenas um olhar opaco e vazio. O fim último da sociedade é nos tornar animais mansos e adestrados, nos tornar gado para o rebanho. "Rebanho", está é a melhor definição, na minha opinião, para aquilo chamado simplesmente de "a massa".

Não se engane, não somos nada além de animais. Nossa suposta capacidade de raciocinar e de pensamento abstrato, os quais julgamos exclusividades de nossa espécie, são apenas habilidade geradas pelo aparente caos da evolução. Alguns animais voam, segregam veneno, são rápidos. Nós pensamos. Contudo, desde o início de nossa civilização, tentamos nos desligar de nossa animalidade. Inventamos deuses, leis, moral, tudo com o intuito de aprosionar o animal existente em cada um de nós. Mas, a própria história está repleta de exemplos onde a besta mostra suas garras, muito vezes de forma sutil e sorrateira, outras, de forma brutal e cruel. Não importa, sempre quando a besta uiva clamando por sangue e carne, nós ficamos chocados e perplexos, dizendo coisas como "isso é desumano", "ele é um monstro", entre outras coisas. E por que dizemos isso? Para tentar distanciar a besta de nós mesmos, para devolvê-la ao nível dos animais, para torná-la não-humana novamente.

Depois de séculos e milênios sendo moldados pelas forjas da moralidade e do senso comum, acabamos ficando com um medo profundo de tudo aquilo adormecido no subterrâneo de nossas mentes. Algumas vezes, você pode até ouvir a besta arranhando as portas da consciência, querendo sair para brincar um pouco. Não importa qual atitude você tome, seja drogas, lícitas ou ilícitas, ajuda profissional, seja médica ou religiosa, no fim, sempre sentirá aquela sensação estranha, aquele perigo iminente vindo de lugar algum, pois o perigo residirá em você mesmo. A besta, o animal, está aí, escondido em alguma lugar, quer queria ou não, pronto para rasgar a consciência na primeira oportunidade.

A questão é saber quanto tempo você ainda resistirá antes de cair de joelhos e se entregar aos seus instintos mais profundos e sombrios.

E como será depois disso, bem, apenas o tempo poderá dizer.