quarta-feira, setembro 01, 2010

Sussurros da besta.

Sabe qual a diferença básica entre nós, seres humanos e "animais superiores", e os outros mamíferos? Simples, nós negamos nossa natureza animalesca e nossos instintos primordiais. A sociedade nada é além de uma forma institucionalizada e coletiva de tentar manter nossas bestas internas agrilhoadas e domesticadas, tal qual é feito com outros animais vivendo em cativeiro, quando o brilho da selvageria nos olhos já se extinguiu, deixando para trás apenas um olhar opaco e vazio. O fim último da sociedade é nos tornar animais mansos e adestrados, nos tornar gado para o rebanho. "Rebanho", está é a melhor definição, na minha opinião, para aquilo chamado simplesmente de "a massa".

Não se engane, não somos nada além de animais. Nossa suposta capacidade de raciocinar e de pensamento abstrato, os quais julgamos exclusividades de nossa espécie, são apenas habilidade geradas pelo aparente caos da evolução. Alguns animais voam, segregam veneno, são rápidos. Nós pensamos. Contudo, desde o início de nossa civilização, tentamos nos desligar de nossa animalidade. Inventamos deuses, leis, moral, tudo com o intuito de aprosionar o animal existente em cada um de nós. Mas, a própria história está repleta de exemplos onde a besta mostra suas garras, muito vezes de forma sutil e sorrateira, outras, de forma brutal e cruel. Não importa, sempre quando a besta uiva clamando por sangue e carne, nós ficamos chocados e perplexos, dizendo coisas como "isso é desumano", "ele é um monstro", entre outras coisas. E por que dizemos isso? Para tentar distanciar a besta de nós mesmos, para devolvê-la ao nível dos animais, para torná-la não-humana novamente.

Depois de séculos e milênios sendo moldados pelas forjas da moralidade e do senso comum, acabamos ficando com um medo profundo de tudo aquilo adormecido no subterrâneo de nossas mentes. Algumas vezes, você pode até ouvir a besta arranhando as portas da consciência, querendo sair para brincar um pouco. Não importa qual atitude você tome, seja drogas, lícitas ou ilícitas, ajuda profissional, seja médica ou religiosa, no fim, sempre sentirá aquela sensação estranha, aquele perigo iminente vindo de lugar algum, pois o perigo residirá em você mesmo. A besta, o animal, está aí, escondido em alguma lugar, quer queria ou não, pronto para rasgar a consciência na primeira oportunidade.

A questão é saber quanto tempo você ainda resistirá antes de cair de joelhos e se entregar aos seus instintos mais profundos e sombrios.

E como será depois disso, bem, apenas o tempo poderá dizer.

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