Não sei, sei apenas que dói...
Algumas vezes são necessários anos, ou mesmo décadas, para se dar conta de ter perdido algo impotante, a qual até então, nem se lembrava mais.
É tudo um tanto nebuloso, mas acredito não termos convivido por muito tempo, ao contrário, pois até onde percebo tenho apenas uma meia dúzia de memórias a esse respeito, se chegar a tanto. Lembro-me especificamente de um jogo de Atari a qual jogamos certa vez. Mas a questão é, tivemos muito pouco tempo juntos. Um tempo ínfimo, ainda mais durante a infância.
Mas então por que dói tanto pensar nisso? Por que lembrar daquela criança sempre me machuca tanto, ao ponto de sufocar? É estranho, como se algo não estivesse certo, como se faltasse algo. Algo a qual foi arrancado, da qual fui privado. O que restou se tornou um pouco menor por isso.
Entretanto, vai um pouco além desse meu egoísmo, pois ela foi privada de tudo, foi simplesmente interrompida. Tantas as coisa as quais não chegou a experimentar, tudo aquilo que foi tão brutal e prematuramente tomado dela.
Ela pode ter sido tirada do meu mundo, mas o mundo inteiro foi tirado dela.
Mas será que nosso convívio fez alguma diferença para ela no fim?
Eu sei, ela acabou vivendo o mesmo que todos os outros no fim: uma vida inteira.
O que posso dizer? Não é uma questão de ser ou deixar de ser justo, de ela merecer ou não. Nada disso, pois a questão se resume a eu não querer que ela tivesse morrido.
Eu a quero viva. Ou queria. Isso importa?
Retórica?
-
Vejam só, quanto tempo se passou desde que uma ideia foi depositada neste
pequeno recanto de pensamentos obscuros.
Aos poucos leitores, um com certeza - ...
Há 10 anos