terça-feira, janeiro 10, 2012

Anjo de cabeça raspada

Não sei, sei apenas que dói...

Algumas vezes são necessários anos, ou mesmo décadas, para se dar conta de ter perdido algo impotante, a qual até então, nem se lembrava mais.

É tudo um tanto nebuloso, mas acredito não termos convivido por muito tempo, ao contrário, pois até onde percebo tenho apenas uma meia dúzia de memórias a esse respeito, se chegar a tanto. Lembro-me especificamente de um jogo de Atari a qual jogamos certa vez. Mas a questão é, tivemos muito pouco tempo juntos. Um tempo ínfimo, ainda mais durante a infância.

Mas então por que dói tanto pensar nisso? Por que lembrar daquela criança sempre me machuca tanto, ao ponto de sufocar? É estranho, como se algo não estivesse certo, como se faltasse algo. Algo a qual foi arrancado, da qual fui privado. O que restou se tornou um pouco menor por isso.

Entretanto, vai um pouco além desse meu egoísmo, pois ela foi privada de tudo, foi simplesmente interrompida. Tantas as coisa as quais não chegou a experimentar, tudo aquilo que foi tão brutal e prematuramente tomado dela.

Ela pode ter sido tirada do meu mundo, mas o mundo inteiro foi tirado dela. 

Mas será que nosso convívio fez alguma diferença para ela no fim?

Eu sei, ela acabou vivendo o mesmo que todos os outros no fim: uma vida inteira.

O que posso dizer? Não é uma questão de ser ou deixar de ser justo, de ela merecer ou não. Nada disso, pois a questão se resume a eu não querer que ela tivesse morrido.

Eu a quero viva. Ou queria. Isso importa?

terça-feira, janeiro 03, 2012

Maturidade (ou "A vida adulta e todas as merdas que isso implica")

A vida adulta é mesmo um porre. Sério, quem em plena consciência e de livre espontânea vontade iria querer alcançar a maturidade? Tudo bem, pois não temos escolhas, por estarmos em uma sociedade a qual não escolhemos estar. Percebem o fim disso?

Pois bem, a vida adulta, tirando uns poucos filhos-da-puta afortunados por nascerem em famílias capazes de sustentar suas mediocridades, para nós, todo os outros fodidos, é apenas uma série de contratempos e contrariedades. Somos levados a assumir responsabilidade as quais não desejariamos se tivessemos juízo ou no mínimo bom senso. Quando a Mafalda disse, pois até onde sei, foi ela a verbalizar isso primeiro, "Para o mundo que eu quero descer", Quino detinha a perfeita noção de uma criança se chocando com a realidade do mundo adulto e percebendo o tamanho da cagada onde fatalmente se meteria.

Sério, um nunca disse ou pensei "putz, quero logo fazer dezoito anos". Tipo, se tivesse parado nos quinze ou dezesseis, seria a própria definição do paraíso para mim. Nunca gostei de responsabilidade, de resolver e lidar com coisas e pessoas. E o que é senão a vida adulta além de uma séries infindável de problemas a serem resolvidos, de pessoas com quem se deve lidar, responsabilidade a serem assumidas e cumpridas? É o que estou dizendo, é uma droga completa.

Vamos a questão causadora de todo esse chilique adolescente, ou melhor, pós-adolescente. Não vou entrar em detalhes, pois pessoas são parciais, tem suas perspectivas próprias e sua prioridades. Caso eu detalhe a questão, as coisas podem tomar um rumo totalmente diverso o que realmente está a me emputecer no momento. Então, vamos a ela.

Existe duas coisas, dois eventos acontecendo em minha vida no momento. Um deles é uma simples sastifação de um desejo profundo e intenso, é uma vontade querendo ser realizada. A outra é, como posso dizer, é algo necessário e esperado. Enquanto a primeiro é algo verdadeiro e cheio de significado para mim, a outra é apenas pro forma, sem qualquer relevância ou apele mais autêntico em mim. Resumindo, a primeira coisa eu quero, a segundo as pessoas esperam que eu queira.

Pois bem, acontece agora, para me foder a vida, as duas coisas estarem em rota de colisão. Ou seja, terei de abrir mão de uma delas em função da outra. E qual delas será sacrificada? A porcaria da primeira, ou seja, vou abrir mão de uma coisa a qual desejo de verdade por algo a qual não faz real diferença para mim. Isso, para mim, é a própria representação da vida adulta: desiste e abre mão de suas vontades em função de um monte de merda completamente sem sentido para você.

E sabe o pior? Se eu contar os detalhes, não poucas pessoas vão virar e dizer "mas isso é idiotisse e criancisse sua", "você deveria crescer e agir como homem", "você tem de dar importância para as coisas importantes", entre outras coisas não ocorrendo agora.

Mas quem define o que é importante?

Para encerrar, uma citação do Calvin, em uma tirnha na qual está a imitar seu pai, "Calvin, vai fazer alguma coisa que você destesta! Ser infeliz forma caráter!"

P.S.: nossa... Estou me sentido bem melhor agora. Talvez em grande parte devido a Nona Sinfonita tocando no último aqui. Malz ae, vizinhança.