A vida adulta é mesmo um porre. Sério, quem em plena consciência e de livre espontânea vontade iria querer alcançar a maturidade? Tudo bem, pois não temos escolhas, por estarmos em uma sociedade a qual não escolhemos estar. Percebem o fim disso?
Pois bem, a vida adulta, tirando uns poucos filhos-da-puta afortunados por nascerem em famílias capazes de sustentar suas mediocridades, para nós, todo os outros fodidos, é apenas uma série de contratempos e contrariedades. Somos levados a assumir responsabilidade as quais não desejariamos se tivessemos juízo ou no mínimo bom senso. Quando a Mafalda disse, pois até onde sei, foi ela a verbalizar isso primeiro, "Para o mundo que eu quero descer", Quino detinha a perfeita noção de uma criança se chocando com a realidade do mundo adulto e percebendo o tamanho da cagada onde fatalmente se meteria.
Sério, um nunca disse ou pensei "putz, quero logo fazer dezoito anos". Tipo, se tivesse parado nos quinze ou dezesseis, seria a própria definição do paraíso para mim. Nunca gostei de responsabilidade, de resolver e lidar com coisas e pessoas. E o que é senão a vida adulta além de uma séries infindável de problemas a serem resolvidos, de pessoas com quem se deve lidar, responsabilidade a serem assumidas e cumpridas? É o que estou dizendo, é uma droga completa.
Vamos a questão causadora de todo esse chilique adolescente, ou melhor, pós-adolescente. Não vou entrar em detalhes, pois pessoas são parciais, tem suas perspectivas próprias e sua prioridades. Caso eu detalhe a questão, as coisas podem tomar um rumo totalmente diverso o que realmente está a me emputecer no momento. Então, vamos a ela.
Existe duas coisas, dois eventos acontecendo em minha vida no momento. Um deles é uma simples sastifação de um desejo profundo e intenso, é uma vontade querendo ser realizada. A outra é, como posso dizer, é algo necessário e esperado. Enquanto a primeiro é algo verdadeiro e cheio de significado para mim, a outra é apenas pro forma, sem qualquer relevância ou apele mais autêntico em mim. Resumindo, a primeira coisa eu quero, a segundo as pessoas esperam que eu queira.
Pois bem, acontece agora, para me foder a vida, as duas coisas estarem em rota de colisão. Ou seja, terei de abrir mão de uma delas em função da outra. E qual delas será sacrificada? A porcaria da primeira, ou seja, vou abrir mão de uma coisa a qual desejo de verdade por algo a qual não faz real diferença para mim. Isso, para mim, é a própria representação da vida adulta: desiste e abre mão de suas vontades em função de um monte de merda completamente sem sentido para você.
E sabe o pior? Se eu contar os detalhes, não poucas pessoas vão virar e dizer "mas isso é idiotisse e criancisse sua", "você deveria crescer e agir como homem", "você tem de dar importância para as coisas importantes", entre outras coisas não ocorrendo agora.
Mas quem define o que é importante?
Para encerrar, uma citação do Calvin, em uma tirnha na qual está a imitar seu pai, "Calvin, vai fazer alguma coisa que você destesta! Ser infeliz forma caráter!"
P.S.: nossa... Estou me sentido bem melhor agora. Talvez em grande parte devido a Nona Sinfonita tocando no último aqui. Malz ae, vizinhança.
Retórica?
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Vejam só, quanto tempo se passou desde que uma ideia foi depositada neste
pequeno recanto de pensamentos obscuros.
Aos poucos leitores, um com certeza - ...
Há 10 anos
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