terça-feira, maio 29, 2012

AMOR FATI

Se algo na filosofia, realmente criou raízes em minha mente, foi o seu conceito de "Amor Fati" e essa idéia, segundo me parece, começa a proliferar em mim. O termo vem do latim, pode ser traduzido como "amor ao destino". Em Nietzsche, diz respeito a um perene "dizer sim a vida", sempre e em qualquer situação, sob a forma de aceitação "para além do bem e do mal". 

Venho passando por uma série de eventos bastante catárticos nas últimas semanas, situações as quais afetarem profundamente minha perspectiva. Sinto e percebo as coisas de maneira bastante diferente agora. Posso imaginar Tyler dizendo "você deu mais um passo em direção ao fundo do poço". E é exatamente isso, muitas vezes você precisa se destruir antes para depois se reconstruir. 

Isso vai chocar e ofender algumas pessoas? Não sei, isso nunca passou pela minha mente. Caso aconteça, não tenho a ver com isso. Mesmo porque, as pessoas são sempre apressadas em condenar, mesmo quando não fazem a mais remota ideia dos acontecimentos submersos na superfície da civilidade. O que se passa dentro de mim diz respeito apenas e exclusivamente a mim, mesmo porque, não faria sentido do lado de fora. 

Sim, estou experimentado toda uma ciranda de emoções, das mais diversas e divergentes, justamente por eu me permitir viver isso. Estou me libertando das amarras e freios civilizatórios. Estou abraçando minha natureza e dando um "salto de fé". Quais os resultados virão disso não posso prever, mas não estou preocupado em saber. "Existe uma diferença entre conhecer o caminho e trilhar o caminho". 

No mais, é tocar o foda-se e deixar arder.

sexta-feira, maio 11, 2012

Avaliações (ou "Reavaliações")

Minha vida, ou ao menos o modo como se configurava. sofreu algumas profundas alterações nas últimas semanas. Na verdade, pareceu "déjà-vu all over again": algumas de minhas certezas sobre mim mesmo foram sistematicamente destruídas. A forma como me vejo foi consideravelmente modificada por esses eventos, acabei vendo coisas as quais nem julgava existir, mais ou ainda.

Analisando agora, de um modo mais frio e distante, creio uma parte de mim ter sido trancafiada, quando da primeira grande quebra do meu sistema de crenças. Naquela época, pelo menos 16 anos atrás, meu mundo simplesmente perdeu todo e qualquer suposto sentido até então, tudo aquilo na qual acreditava se desfez em poeira bem diante de meus olhos, minha vida até aquela momento simplesmente deixou de ter significado. Fiquei à deriva. Dali pra frente, fui apenas deixando as coisas seguirem seus próprias caminhos, escolhendo não escolher. Estou me desviando aqui.

O fato é, algo se perdeu naquela primeira grande crise existencial, e talvez, aquela algo esteja vindo a tona novamente. Segundo vejo, parece o fim de um grande ciclo, tendo começo com um processo de desumanização e podendo terminar como um processo de reumanização.

Sim. Daquela primeira vez em diante, fui me tornando mais frio e inerte, enterrando tudo de mais humano em mim cada vez mais fundo. Evidentemente houveram "acidentes de percurso", momentos onde carapaça rachada e a fragilidade surgia na superfície. Mas, no geral, fui uma pessoa distante, desligada o máximo possível das outras pessoas, apartado por escolha própria.

Pois bem, agora, a situação é bastante diversa. Os recentes acontecimentos me fazem sentir mais humano, de uma forma a qual já julgava incapaz. Tudo isso, toda essa "humanidade", fora sentida por mim outrora. São os mesmos sentimentos, mas não os sinto da mesma maneira. A carência, o carinho, o afeto. Tudo tão igual e tão diferente ao mesmo tempo.

Resultado de tudo isso: me coloquei em xeque, estou completamente perdido em mim mesmo.

E mesmo assim, não consigo achar isso uma coisa ruim...