sábado, agosto 18, 2012

Luto

É estranho como sempre apelo para o ato de escrever quando angustiado, ou talvez nada haja de estranho nisso. É uma forma de catarse, o meu jeito de exteriorizar o acúmulo de sentimentos e sensações dentro de mim. Escrever, quase sempre, é um desabafo no meu caso.

Existem situações as quais nos colocam em xeque, as quais nos confrontam com o nosso pior, com nós mesmos. Para mim, a morte é uma dessas situações críticas. Por si só a morte é algo abominável, algo ruim, apesar de natural, as pessoas muitas vezes confundem "natural" com "bom". A morte vem para extinguir do universo uma possibilidade única, algo a qual nunca mais surgirá de novo. Uma mente que se apaga, ela se apaga para toda a eternidade. Cada um de nós a morrer é um a menos de nós, é todo um mundo de possibilidade a se perder, a desaparecer por completo. Sério, não me importam suas crenças pessoais, pois estou falando sobre mim e somente isto. Essa é a resposta do "por quem os sinos dobram", pois eles sempre dobram por você, por mim e por cada um de nós.

Contudo, a morte próxima, quando existem qualquer tipo de laços de sangue ou de afeto, tornasse algo brutal. Às vezes você nem gosta da pessoa, nem a conhece direito, mas mesmo assim dói. A isso damos o nome de luto. É quando algo é arrancado de você, um pedaço de você é roubado, não importa o "tamanho", menos ou mais, sempre machuca. Pois você sabe: aquele pedaço de você a morrer junto com a pessoas, nunca mais crescerá de novo, nem poderá ser preenchido, o buraco deixado vai permanece até você próprio se tornar o buraco em alguém. Talvez seja isso mesmo, algumas vezes o luto só passará quando morrermos. Já ouviu história de casais, depois de viver uma vida inteira juntos, quando um deles morre o outro não demora a morrer também? Um buraco tão fundo, capaz de sugar toda a vontade de viver. Isso faz sentido pra mim.

Morrer é nossa sina, é nossa marca indelével enquanto seres vivos. Mas morrer é fácil, o difícil é ficar vivo.

"Viver é muito perigoso", já bem disse Riobaldo.