sábado, setembro 15, 2012

Le Fabulosa Internet (ou "só que não")

Não sei precisar com certeza qual a causa da decadência das sociedades a preceder a nossa, poderia levantar algumas hipóteses e tal, mas não seria pertinente ao texto. Contudo, posso dizer qual acho ser a ideia por trás da ruína de nossa estrutura social: o marketing. Não, não estou falando sobre toda aquela bobagem "aprendida" por mim durante a faculdade de administração. Estou a falar da forma como essa ideia, a ideia de "vender imagem" se impregnou no cotidiano, em grande parte devida a três vezes maldita democratização da informática e a própria internet.

Marketing, falando em termos leigos, é a arte, não, é a técnica de enganar as pessoas, as fazendo crer necessitar de algo, a qual provavelmente não faz qualquer diferença na vida delas. É lograr através do "mais bonito", "do melhor", "do mais econômico e prático". Marketing é criação de mentiras, gerar imagens as quais podem ter pouca ou nenhuma correlação com a verdade. Imagem, esse é justamente o meu ponto.

A internet se faz através de imagens, de interações muitas vezes mediadas pela falta de contato real entre as pessoas. As pessoas são na internet a imagens de suas vontade e desejos, quando muito, são reflexos distorcidos e deturpados muitas vezes. São projeções delas mesmas levadas, em casos pontuais, a níveis absurdos. A questão é: todos querem aparecer, todos querem a fama, pois a fama se confunde com poder nesses termos. Não importa a mensagem, a qualidade, não existe mérito, pois é tudo tão efêmero, importa somente o número de acessos. Hoje, qualquer idiota pode ter um computador e uma câmera. Qualquer idiota pode ter um canal, ser seguido, ter um blog (sim, isso mesmo). Não existem filtros, não existe seleção, pois a internet aceita tudo. Isso é diferença entre a liberdade e libertinagem, pois quando tudo é permitido, isso se torna permissivo.

Parafraseando Malvados, "o que seria do idiota sem o imbecil para comentar".As pessoas ligam para a internet, as pessoas dão importância para os eventos virtuais, as pessoas se preocupam como se isso fosse a vida real. É tão absurdo. As pessoas querem ser idolatradas, não interessa se forem apenas cinco minutos, elas querem ser comentadas, curtidas, clicadas e todas as outras variáveis. As pessoas não desejam ser amadas, não, vai além disso, as pessoas desejam ser consumidas, desejam existir na rede. A vida real, só esse conceito já meu parece um contrassenso, deve parecer tão desafiadora e difícil, para as pessoas preferirem estar na internet. Por isso a rede é o antro de medíocres, pois aqui eles podem ser medíocres e tudo bem. Todo mundo se acha o "original da espécie", todas se acham escritores, músicos, comediantes e tantas outras coisas, quando na verdade somos poucas coisas além de idiotas com banda larga.

E não se engane, dificilmente encontrará originalidade aqui, pois ser original exige pensar por si mesmo, não copiar algo supostamente legal, por sua vez tendo sido copiado e adaptado de algo em inglês.
Não existe mais personalidade, pois é muito melhor ter uma imagem.

Terminando, atualmente muito se fala sobre o "apocalipse zumbi". Sério? Passando dia após dias aqui, praticamente sem vida, apenas desejando devorar e ser devorados, somos o que? E muito pior, somos assim por termos escolhido sermos assim.

Somos apenas vermes nos alimentandos uns dos outros e de nossos próprios excrementos.

P.S.: sim, estou profundamente sem paciência para a internet. Só quero que as pessoas se divirtam e sejam felizes. Enfim...

quinta-feira, setembro 13, 2012

O inesperado

O inesperado sempre vem,
Ventos da mudança o carregam,
Brindando o novo onde chegam,
Como da tempestade a nuvem.

Caso os sonhos venham,
Após a longa e cruel estiagem,
É preciso ter alguma coragem,
Para que assim floresçam.

Que as esperanças renasçam,
Em seu sorriso, sua imagem,
Os desejos também sonham,

As promessas ainda dormem,
Nos amanhãs nos esperam,
A vida que começa ontem.

Matheus Filipe.






segunda-feira, setembro 10, 2012

Angústia

Sussurro para meus medos, 
Receios vagando no vento,
Da forma vil do sentimento,
As cantigas de arremedos.

Em sonhos me atormento,
Feito ondas nos rochedos,
Quebrando entre os dedos, 
No abismo do pensamento.

No trono onde me sento,
Só, com meus segredos,
E vejo além do momento,

O passado e seus enredos,
O futuro flui no firmamento,
 E o presente de degredos. 

Matheus Filipe.